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19 março, 2018

PAI


PAI, tu foste o melhor pai do mundo.
Tu foste o ser que eu mais amei,
Tu foste o meu herói, o meu exemplo.
Contigo aprendi o significado da palavra honestidade,
Da palavra respeito, da palavra generosidade.
Contigo aprendi a fazer amigos de todas as cores.
Contigo aprendi que a vida nem sempre é como nós esperamos, 
que exige sacrifícios, cedências.

Que orgulho eu sentia quando diziam que era parecida contigo.

Já partiste mas eu penso em ti todos os dias.
Dói muito não ter estado mais vezes ao teu lado,
não ter dito todos os dias que te amava,
não ter acariciado o teu cabelo branco,
não ter pedido o teu conselho sempre que vacilava no caminho.

Recordo com muito carinho o nosso reencontro em Moçambique,
após dois anos de separação.
Eu, a mana e a mãe chegámos ao cais de Lourenço Marques,
depois de 31 dias no mar.
Fui a primeira a ver-te, no meio de uma ruidosa multidão
que aguardava a chegada de familiares da metrópole. Que alegria! 
Do alto dos meus seis anos gritei e gesticulei tentando chamar a tua atenção.
Queria-te só para mim. 
Quando me ergueste do chão e me abraçaste,  molhei o rosto nas tuas lágrimas de alegria.
No aconchego dos teus braços senti-me forte, maior e segura.  
(Sabes pai, a lembrança daquele abraço ainda me aconchega nas horas de desalento.)
Lembro que fizemos de mão dada o caminho para casa, 
e na tua mão sentia o bater do teu coração.
Durante dias rezei e pedi ao Jesus que não voltasse a separar-nos.
Não tinha sido fácil viver sem ti.

Adoravas música. E que bem tocavas acordeão e guitarra.
Nunca quis aprender contigo. Hoje arrependo-me.
Gostavas de futebol e eras adepto do Sporting.
Chegaste a jogar no Belenenses de Lourenço Marques.
Gostavas de conviver e divertir-te. Junto de ti a festa era incessante.
Apoiavas, aconselhavas e respeitavas os amigos. Tinhas tantos!
Amavas desmesuradamente a tua família.
Aprendi a amar a minha, contigo!

Partiste há vinte anos, sem permitir que me despedisse de ti.
A dor foi enorme. Zanguei-me contigo.
Fiz as pazes quando percebi que continuávamos juntos,
ligados por um amor maior - o amor do coração.
Amo-te, pai!

20 dezembro, 2017

BOM NATAL e um MAGNÍFICO 2018!


"Chega de velhas desculpas e velhas atitudes!
Que o ano novo traga vida nova, como o rio que sai lavando e levando tudo por onde passa."
Clarice Lispector, escritora e jornalista nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira (1920-77)


BOM NATALque seja muito mais do que uma reunião de pessoas à volta de uma mesa cheia de gulodices, com troca de beijos, abraços, sorrisos e prendas… muito mais!
MAGNÍFICO 2018 com saúde, amor, paz, felicidade e... leituras, muitas e boas leituras!

2017 foi para mim um ano complicado.
Valeu-me a companhia e a ternura da família.
Valeu-me o carinho dos amigos que o roldeleituras trouxe para a minha vida – fez toda a diferença.

GRANDE abraço, para todos.
Vivam intensamente, corram atrás dos vossos sonhos, sejam felizes.
Só temos uma vida, esta e mais nenhuma. Não esqueçam!

(Foto da net.)

01 dezembro, 2017

7º aniversário do "rol de leituras"


Perde-se a vida, a desejá-la tanto.
Verso de Miguel Torga, Portugal (1907-95)

Mais um ano que passou, mais um aniversário do meu rol de leituras.
Sem querer repetir-me, 2017 foi mais um ano complicado. Demasiado complicado, com coisas ruins a acontecerem ao mesmo tempo, ao longo de todo o ano.
De qualquer modo, deu para fazer o que mais gosto: ler e escrever.
Ler, li muito; já escrever, foi assim-assim. 
Pela primeira vez a pilha de livros lidos a aguardar espaço no meu rol é maior do que a pilha de livros novos à espera de serem folheados. Não foi por preguiça, foi sim por falta de motivação.
À porta está um novo ano. Que traga com ele ondas de mudança que me permitam entender as causas dessa falta de motivação. Que traga com ele mais entusiasmo, mais alegria, mais amor, mais vontade de entender, fazer, crer, viver.
Obrigada pelo carinho de todos os que passaram por aqui.
Por favor leiam, leiam, leiam!
Abraços.

Com mais sossego amemos
A nossa incerta vida.
Versos de Fernando Pessoa, Portugal (1888-1935)

Foto da net.

21 novembro, 2017

Vou ali e já volto!


Hoje,
Nem a vida me foge,
Nem eu fujo;
É não sei quê no sol
Que está sujo.
(Versos de Miguel Torga, Portugal (1907-95)


Vou ali e já volto!!
Esperam-me na sala de operações, para uma pequena intervenção cirúrgica. Coisa pouca.
Aguenta coração!

10 março, 2017

É de pequenino...

Quem é esta criancinha seriamente empenhada em aprender os números e as letras?
Chama-se Madalena, tem seis meses (feitos no passado dia 25), e é minha neta .
A mana Carolina (prestes a fazer 6 anos), está decidida a ensinar-lhe os números e as letras e ela, divertida, “alinha” na brincadeira.

A avó, convicta de que desde cedo se deve incutir nas crianças hábitos de leitura, sorri enternecida e deixa um conselho à mana mais velha:
“Carolina,vai com calma. A Madalena é muito pequenina. Brinca com ela, mostra-lhe os números e as letras e lê-lhe historinhas. Assim. aprendem as duas: ela a gostar ainda mais de ti e tu a leres cada vez melhor. Concordas?"
Amo, de paixão, as minhas pequeninas.


“E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos?
Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar.”
José Saramago, escritor português (1922-2010)
Prémio Nobel de Literatura, 1998

“É preciso fazer compreender à criança que a leitura é o mais movimentado, o mais variado, o mais engraçado dos mundos.”
Alceu Amoroso Lima, crítico literário, professor, pensador, escritor e líder católico brasileiro (1893- 1983)

“Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive a sua própria história.”
Bill Gates, magnata, filantropo e autor norte-americano (1955-)

08 março, 2017

Dia internacional da mulher

O tempo passou e muita coisa mudou...

"A organização do trabalho no lar
(…)
O almoço do teu marido deverá ser servido à hora exactamente indicada por ele, para que não tenha que esperar e depois comer rapidamente.
Não te esqueças nunca de pôr flores na mesa. Recebe-o alegre, engraçada, bem disposta, porque a tua alegria e boa disposição serão o sol que ele levará na alma e lhe iluminará alguma penumbra que surja na sua vida profissional.
Vamos lá dar uma directriz à distribuição do teu trabalho pelos dias de semana, para que chegues ao domingo com um rosto fresco e o teu marido não entristeça ou aborreça ao olhar para ti:

2ª feira – Lavagem de roupa. No espaço de tempo em que ela está na lixívia, fazer um justo e bem merecido repouso. Após esse pequeno descanso, escoas a água do tanque, sem tirar a roupa e abres a torneira. Deixas ficar assim a roupa em água limpa. Para te poupares, não a passar por água limpa, segunda vez, não a torces nem a estendes, no próprio dia. Deixas isso para o dia seguinte, de manhã. Por hoje basta!

3ª feira – Após o almoço e a cozinha já devidamente arranjada – e como o jantar tem pouco para fazer, visto que, de manhã já preparaste a sopa para todo o dia e o prato do jantar será um pargo assado com batatinhas – deitas-te, no divan da salinha, até às 4 e meia.
A essa hora levantas-te repousada e fresca e entregas-te a pequenas ocupações indispensáveis: - limpar e vincar um fato do teu marido; lavar, com benzina, as tuas luvas brancas; renovar as flores das jarras; responder à carta da tua mãe; ordenar os livros da tua pequenas estante, etc., etc.
(Esqueci-me de te recomendar o seguinte: sempre que faças o teu habitual repouso da tarde, faze, no rosto e nas mãos, uma massagem com um bom creme de alimento e fica com ele, enquanto dormes).

4ª feira – Este será o dia destinado à roupa: ver se precisa de alguns pontos e engomá-la. Como é só de vocês dois, deves poder engomá-la toda num só dia. Se, porém, te sentires fatigada, não insistas, e acaba-a no dia seguinte. A tua beleza e a tua saúde são mais importantes.

5ª feira – Destina a tua tarde ao lustro dos alumínios e de alguma prata ou metais que tenhas para limpar. Levanta a pequena carpete da salinha e a da casa de jantar e deixa-as penduradas na varanda da casinha. À noite batê-las-ás. (Para todos estes trabalhos – principalmente a limpeza dos alumínios e metais – não te esqueças de calçar as luvas de borracha).

6ª feira – Hoje é o dia da limpeza maior à casa, mas como já tens os alumínios os metais e os tapetes limpos, ser-te-á fácil. Varres, limpas o pó, dás um pouco de cera, pões flores frescas nas jarras – e está pronto. Não guardes nunca a limpeza para o sábado, porque o teu marido faz a semana-inglesa e, nas tardes de sábado fica em casa. Já vês que desagradável seria, andares com a casa no alvoroço das limpezas…

Sábado – A cama de lavado, as toalhas da casa de banho e todos os panos de cozinha, incluindo esfregão da louça e as pegas dos tachos. Domingo já não terás este trabalho. Despacha tudo cedo, para consagrares a tarde a teu marido.

Domingo – Tens toda a casa em ordem, portanto, depois do almoço, podem dar um passeio ou ir ao cinema. Simplifica o jantar mas… vê lá: apresenta sempre uma travessa bem farta. O teu marido precisa de ser bem alimentado.

E pronto. Distribui assim o teu trabalho, controlando as tuas forças e nunca te excedendo. O teu sorriso, a tua saúde, a tua boa disposição iluminarão sempre as quatro paredes brancas da tua casinha e a vossa vida decorrerá tranquila e feliz."

(Tirei de um livro que foi da minha mãe e agora é meu: "O livro das noivas", da Colecção Laura Santos, Editorial Lavores, 1957.  Surpreendente!
Foto da net.)

Ufa! Fiquei cansada de tanto limpar.
Cansada mas sorridente e bem disposta. 
Agora vou fazer a "Sopa feliz" e o "Bolo de namorados". O meu marido precisa de ser bem alimentado...
Grande abraço para todas as mulheres.

26 fevereiro, 2017

Desabafos...


O que se passa comigo?
Sinto uma terrível tristeza, um abatimento desmesurado.
Sinto medo, desânimo, angústia.
Não me apetece ler nem escrever,
Nem rir, nem chorar, nem falar.
Ninguém me anima, nada me motiva.
Não sei o que se passa comigo.
Ansiosa e amargurada,
”Gasto” horas do meu dia derramada no sofá a ver filmes, séries, novelas…
Demorei duas semanas a ler um romance de Sándor Márai.
Vou escrever sobre ele? Claro que sim!
Quando? Não sei!
Não sei, porque não me apetece pensar sobre o que escrever.
Não me apetece fazer NADA!
Eu não sou assim.
Não me reconheço.
E isto assusta-me.
Não sou optimista nem pessimista.
Sou realista.
Não costumo sofrer por antecipação.
Não me queixo da vida.
Deu-me sempre o que acredito merecer.
Gosto de ouvir, de aconselhar, de aprender, de desafios,
De perdoar, de conviver, de gargalhar.
De olhar as minhas netas.
Gosto de gostar.
Sou, por temperamento, alegre, bem-disposta, boa companhia.
Tenho algumas inseguranças,
E fases de baixa auto estima.
Aprendi a viver com isso.
Sou saudável.
Tenho uma família linda.
Guardo o passado em caixas coloridas,
Tento viver alegremente o presente,
Consciente que o futuro não é garantido.
Sou feliz.
E grata por ter nascido.
Então,
O que se passa comigo?

14 fevereiro, 2017

Vamos namorar?!


Bébézinho do Nininho-ninho
Oh!
Venho só quvê pâ dizê ó Bébéziho que gotei muito da catinha d’ella. Oh!
E também tive munta pena de não tá ó pé do Bébé pâ le dá jinhos.
Oh! O Nininho é pequinininho!
Hoje o Nininho não vae a Belem porque, como não sabia s’havia carros, combinei té aqui ás seis o’as.
Amanhã, a não sê qu’o Nininho não possa é que sahe d’aqui pelas cinco e meia.
Amanhã o Bébé espera pelo Nininho, sim? Em Belem, sim? Sim?
Jinhos, jinhos e mais jinhos
Fernando
(carta de Fernando Pessoa para a Senhora Dona Ophélia Queiroz)

Faça como o poeta e escreva (pelo menos hoje) uma carta de amor. É fácil!
Coloque a folha em branco à sua frente, segure na caneta, abra o coração e solte a imaginação.
Opte pela simplicidade. Frases rebuscadas nem sempre transmitem o que se pretende.
Brinque com as palavras. Carinho, amor, paixão, beijo, abraço… são pétalas de flores coloridas e perfumadas.

Fazer declarações de amor também é fácil. É só escolher as palavras e o tom de voz, e já está!
Se não sabe o que dizer, olhe o outro nos olhos e deixe que o silêncio fale por si. Cuidado, os olhos são as janelas da alma. Dizem tudo, mostram tudo.

Quando o assunto é amor, nunca esqueça: diga a verdade, diga a verdade, diga a verdade!

Vamos namorar?
Bora lá!
(Amor, escreve-me uma carta de amor…, um bilhetinho só…)

Foto da net.

10 janeiro, 2017

Mário Soares (1924-2017)


«Não o prazer, não a glória, não o poder: a liberdade, unicamente a liberdade».


Tirei daqui: "Livro do desassossego", de Fernando Pessoa, Ed. Tinta da China, 2014
Foto da net.

13 dezembro, 2016

"Estar" ou "Tar" – são ambos verbos? Não!


ESTAR, sim, é um verbo irregular.
TAR não existe.

Para exemplo, conjugo o verbo ESTAR no presente do indicativo:
Eu estou
Tu estás
Ele/Ela está
Nós estamos
Vós estais
Eles/Elas estão

Então, por que razão os argumentistas de ficção portuguesa usam e abusam do (não verbo) TAR?
-Tou à espera da Maria.
- Tu tás cada vez mais impertinente.
- O João ao telefone.
- Tamos na escola.
- Eles tão a chegar.

O que é isto?
Há quem considere “isto" aceitável em linguagem oral, mas para mim são aberrações. 
Aberrações cada vez mais utilizadas nas telenovelas produzidas e transmitidas em Portugal, que agridem os ouvidos e a alma dos verdadeiros portugueses. Uma vergonha!

Ponham os nossos actores a falar o português de PORTUGAL.
O verbo “Tar” não é ensinado nas escolas. Não existe.

01 dezembro, 2016

6º aniversário do "rol de leituras"


“Associa-te às pessoas mais nobres que puderes encontrar; lê os melhores livros; convive com os poderosos; mas aprende em solidão a ser feliz.”
Saul Bellow, escritor americano (1915-2005), in “Ravelstein”, Ed. Teorema, 2001

Mais um ano, que passou num ápice, e eis que o meu "rol de leituras" celebra o seu 6º aniversário.
Este não foi um ano fácil. Foi, aliás, bastante complicado. Pensei em desistir do meu rol, mil vezes.
2016 foi um ano difícil, com problemas relacionados com a saúde de familiares a deixarem-me angustiada, sem tranquilidade nem motivação para a leitura.
Hoje, no exacto dia do 6º aniversário do “rol de leituras”, ainda não sei o que fazer: continuar, ou ficar por aqui?
Os livros que acabaram empilhados sem serem lidos, com o último romance de Philip Roth a “olhar para mim”, instigam-me a continuar. Vou ter que decidir.
Hoje, não! Hoje vou festejar, começando a ler: “Numa casca de noz”, de Ian McEwan, depois, “salto” para Philip Roth, depois…

Obrigada a todos os que passaram por aqui.
Obrigada pela motivação e pela força.
Obrigada do coração.
Por favor leiam.
Abraço.

18 outubro, 2016

Bob Dylan - Prémio Nobel da Literatura, 2016


Bob Dylan – Prémio Nobel da Literatura 2016?
Como? Porquê? Não é possível!
Acreditem, a minha primeira reacção foi de raiva, choque, tristeza, desilusão.
E demorei a aceitar… a entender… a perdoar a Academia Sueca por premiar “novas formas de expressão poética”  e continuar a desconsiderar o meu escritor MAIOR.
Depois… depois acalmei.
Acalmei e aceitei:   Bob Dylan, músico, compositor e poeta, 75 anos, merece a distinção, sim senhor.
Agora,  há que manter a esperança -  em 2017 celebrarei entusiasticamente a escolha da Academia.
Roth, até para o ano e não morras, please!

Forever Young
May God bless and keep you always
May your wishes all come true
May you always do for others
And let others do for you
May you build a ladder to the stars
And climb on every rung
May you stay forever young
Forever young, forever young
May you stay forever young

May you grow up to be righteous
May you grow up to be true
May you always know the truth
And see the lights surrounding you
May you always be courageous
Stand upright and be strong
May you stay forever young
Forever young, forever young
May you stay forever young

May your hands always be busy
May your feet always be swift
May you have a strong foundation
When the winds of changes shift
May your heart always be joyful
May your song always be sung
May you stay forever young
Forever young, forever young
May you stay forever young

01 agosto, 2016

Vou de férias… depois de reproduzir outra história de Rubem Fonseca

HUMILHAÇÃO
Você já foi humilhada? Menosprezada? Desdenhada? Aviltada? Eu já, e antigamente ficava pálida, envergonhada, com vontade de morrer. Isso acabou. E vou dizer como. É uma história breve, não vai ocupar o tempo de vocês. Botei um anúncio no jornal, sabe, naquelas páginas usadas por prostitutas, fregueses, sujeitos em busca de sexo. Todo o jornal tem isso. Escondido no meio daquelas páginas de pequenas propagandas.
Cristina, mulher jovem, esbelta, bonita. Preço razoável. Faz tudo, inclusive coisas que o freguês nem imagina. Vou a casa do interessado. Caixa postal 555.
Fui a casa do primeiro que respondeu ao meu anúncio. Toquei a campainha. Um sujeito calvo, de cabelos grisalhos abriu a porta.
«Sou a Cristina.»
«O quê?»
«Sou a Cristina, do anúncio.»
Depois que o sobressalto da sua surpresa passou ele disse:
«Você não era jovem, esbelta e bonita? O que estou vendo na minha frente é uma gorda de mais de cem quilos.»
«Cento e dez», corrigi.
«Está achando que eu vou pagar para foder um bagulho como você? Pode dar o fora, baleia.»
Então cravei uma faca no corpo do sujeito. Cravei fundo.
Os gordos têm muita força nos braços e usam roupas largas, ótimas para esconder facas ou outras armas.
Ele caiu no chão. Verifiquei que estava morto. Procurei e encontrei o recorte do meu anúncio, que coloquei no bolso, junto com a faca, que lavei na pia do banheiro. A carteira do indivíduo estava cheia de dinheiro. Mas não sou ladra.
Saí e passei na confeitaria. O garçon recebeu-me amavelmente.
Garçons sempre gostam muito de mim.
«O de sempre, senhorita? A torta, a caixa de sorvete e os chocolates?»
«Vou querer também um pacote de balas amanteigadas.»
Peguei o embrulho e fui para casa. Comecei comendo a torta, depois os chocolates, depois o sorvete. Chupei as balas enquanto via televisão.
Eu tinha que ficar gorda, muito gorda, não podia ter menos de cem quilos. Era a única maneira de me vingar daqueles que gostavam de humilhar os outros.
Amanhã sai outro anúncio meu no jornal.”

Agora sim, vou de férias do meu rol de leituras.
Nos próximos trinta dias nada postarei mas continuarei a ler, claro!
Seleccionei:





Até Setembro.
Boas férias para todos, com cativantes e divertidas leituras.
(Rubem Fonseca, me desculpe, cara!)

26 junho, 2016

Não sei o que se passa comigo...


Não sei o que se passa comigo.
Perdi a vontade de ler, de escrever, de falar, de sorrir. Apenas me apetece chorar.
Sinto-me totalmente desorientada, desmotivada, infeliz.
Leio as primeiras páginas de um livro, e logo o ponho de lado.
Inicio a escrita de um texto, e logo me enrolo num emaranhado de palavras sem nexo.
Abro o meu “rol de leituras”, e logo o fecho perdida em pensamentos derrotistas.

Eu sei o que se passa comigo.
Uma dor medonha, consome-me sempre que visito a minha mãe no lar aonde agora ela vive.
Cada dia mais velhinha, cada dia mais magra, cada dia mais silenciosa, cada dia mais parada, cada dia mais triste.
Eu, choro de culpa, de impotência, de saudade.
Não há livro, nem caneta, nem papel, nem teclado de computador que me ajude a saber o que fazer.
Vai passar? Não sei.

Mãe!

19 fevereiro, 2016

Mãe, há só uma!


O que devemos fazer quando vivemos longe da nossa mãe e ela adoece? 
Correr para junto dela, claro!
Foi o que eu fiz depois de alertada por um telefonema, precisamente no dia do seu 87º aniversário (30 de Janeiro).
Eu vivo na zona de Lisboa desde que regressei de Moçambique, em 1975. A minha mãe, depois de vários anos na capital voltou com o meu pai para a terra transmontana onde nasceu. Na altura reagi mal à separação, mas depois compreendi: era naquela terra pequenina perdida para lá dos montes que estavam as suas raízes: a sua casa, os seus irmãos e irmãs, as suas amigas da juventude.
Tudo correu bem, durante muitos anos. Eu ia lá. Eles vinham cá.
Depois... ela enviuvou e por lá quis continuar. Tudo bem. Eu ia lá em Agosto. Ela vinha cá em Dezembro.
Depois... ela envelheceu e tudo mudou. Eu ia lá às vezes na Páscoa e sempre em Agosto. Ela deixou de vir cá em Dezembro. 
Sair de lá? Nunca.
E os anos passaram, e chegou 2016, e tive de correr para junto dela.
E durante duas semanas acompanhei-a em casa e no hospital. E procurei, sem sucesso, um lar ou família de acolhimento onde a pudesse alojar, já que ela perdera toda a autonomia. Muitas alternativas. Nenhuma vaga.
Foram duas semanas de frio gélido, chuva e vento forte, nevoeiro envolvente e perigoso. Duas semanas de muita angústia. Duas semanas em que nada me confortou. Nada! Telefonemas e mensagens de familiares e amigos. Nada!
Nada, mesmo nada. Nada nos conforta quando assistimos, impotentes, ao sofrimento da nossa mãe. Nada!

Acontece que não sou filha única. Tenho uma irmã mais nova, que vive relativamente perto de mim.
A minha mãe tem duas filhas e cinco netos e seis bisnetos. Votos suficientes para se decidir trazê-la para baixo. Foi o que aconteceu no passado sábado, depois da disponibilidade da Corporação de Bombeiros da terra para o seu transporte de ambulância até casa de um neta, na Grande Lisboa.

Agora, com calma, vamos todos procurar um lar decente e acolhedor para a velhinha Maria.
Agora, sem calma, eu tento tratar uma gripe chata que me deixa prostrada, revoltada e sem vontade de folhear, sequer, um livro. Não a merecia. Agora, não!

(Desabafei. Pronto!)

17 dezembro, 2015

Celebremos, com música, o 245º aniversário de Ludwig van Beethoven



“A música é capaz de reproduzir, em sua forma real, a dor que dilacera a alma e o sorriso que inebria.”

Já oiço os primeiros acordes da... Sinfonia nº 9, claro!

Glückwünsche, Herr Beethoven!

01 dezembro, 2015

5º aniversário do "rol de leituras"


Rufem os tambores.
Quero festejar o quinto aniversário do rol de leituras com os meus seguidores, com quem apenas passa por aqui, com quem deixa comentários, com quem me manda mensagens, com os amigos que dão óptimas dicas.
Para falar verdade, nunca imaginei manter por tantos anos o meu rol de leituras. Melhor, nunca imaginei sequer, criar um blogue de livros.
Isto de “alimentar” um blogue não é mesmo nada fácil. Dá trabalho. Muito trabalho.
O lado bom é que nos incita a ler mais, seja prosa, poesia, crónicas, entrevistas, artigos de jornais.
Este ano li romances espantosos de José Luís Peixoto, o escritor português que “descobri” finalmente.
Continuei rendida ao grande José Saramago.
Desassossegou-me o Fernando Pessoa.
Surpreendeu-me Jorge de Sena.
Encantou-me Mia Couto.
Aplaudi Afonso Reis Cabral.
Caminhei com Herbert Helder.
Descobri a cor da poesia com Manuel de Sousa Falcão.
Empolguei com  Sándor Márai.
Voltei a Milan Kundera.
Tentei Patrick Modiano.
Entristeci com W. G. Sebald.
Chorei com Rosa Monteiro.
Lambuzei-me com Laura Esquivel.
Enfim, foi um ano de emoções.

O que vou fazer agora?
Continuar a ler. Hoje, amanhã e no futuro.
Continuar a escrever no meu rol de leituras. Mas... menos e de forma diferente.

Obrigada a todos.
Façam o favor de ler. Muito!
Abraço!

16 novembro, 2015

Trabalho em massapão - a perfeição


“… a perfeição é alcançada não quando nada mais há a acrescentar, mas quando nada mais há a suprimir.”

Antoine de Saint-Exupéry, escritor-aviador francês (1900-44), in “Terra dos homens”, Ed. Vega, 1995


(Agradeço a quem me mandou esta perfeição.)

01 agosto, 2015

Vou de férias

Todos os anos, em Agosto vou de férias e nada, mesmo nada, escrevo no meu rol de leituras.
Ora, este ano será diferente. Vou de férias, sim, mas ao longo do mês aparecerão no rol excertos do romance “Manual de pintura e caligrafia”, de José Saramago. Gostei tanto do que li, que não resisto a partilhá-lo com vocês.
É claro que mesmo de férias vou continuar a ler. Escolhi dois Grandes (e pesados) livros de autores portugueses:
- “Sinais de fogo”, de Jorge de Sena,
- “Abraço”, de José Luís Peixoto
Haja fôlego!


Até Setembro.
Frescas e descansadas férias para todos.
Boas e arrebatadoras leituras.

12 maio, 2015

Uma semana em Cabo Verde - sol, mar, areia, vento e... livros

Regressei de uma semana de férias no Sal, uma das menores ilhas habitadas de Cabo Verde, e principal foco de atracção turística do arquipélago.
A ilha do Sal é muito árida e plana, tem extensas praias de areia branca, um mar azul-turquesa, um clima ameno com pouca variação da temperatura, chuva escassa, e… e muito vento quente e seco, que chega do deserto do Sara.
Senti falta de mais calor (a temperatura não ultrapassou os 25 graus) e de mais banhos de mar (a água estava, vá lá, um pouco fria e agitada).
Aproveitei para visitar os pontos de maior interesse da ilha, caminhar na praia, apreciar a hospitalidade, alegria e simpatia do povo cabo-verdiano, ginasticar o corpo ao ritmo do funaná, ginasticar a mente em demoradas e excelentes leituras.
Comigo levei três livros:
Stoner - Na viagem de Lisboa para o Sal "entrei", meio às escuras, na história de vida do professor de literatura,William Stoner. História feita de desilusões, fracassos, tristezas.
Cemitério de pianos  - No areal, "espreitei", com óculos de sol, o quotidiano da família de Francisco. História cativante desde a primeira frase: "Quando comecei a ficar doente, soube logo que ia morrer".
Mataram a cotovia - Ainda no Sal, "mergulhei" nas primeiras páginas da história de Scout, a menina rebelde que cresce numa sociedade racista. Como não pude ler na viagem de regresso, cheguei ao fim da história já "derramada" no meu sofá.

No Sal, mesmo sem o sofá habitual, senti-me em casa.
A sério!