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23 novembro, 2020

o ódio propaga-se

“Um pingo de ódio na tua alma é o suficiente para descolorir tudo, como um pingo de tinta preta no leite." (*)

Alguns dicionários definem ÓDIO como um intenso sentimento de raiva, rancor, ira, desprezo, aversão,  antipatia, repulsa, horror.
Todas palavras repelentes, emoções negativas sentidas vezes sem conta nas relações sentimentais e nas relações sociais.
Nas relações sentimentais, com demasiada facilidade o amor se transforma em indiferença, e mesmo em ódio. A forma deficiente como comunicamos uns com os outros, a forma fria como transmitimos os afectos, provoca desilusão e afastamento.
Nas relações sociais, o ódio manifesta-se nos fanatismos religiosos, com consequências trágicas; nos conflitos raciais, com fronteiras marcadas por preconceitos, e intolerâncias; nos grupos organizados, onde a agressividade sobrevive pelo poder do colectivo; nas redes sociais, onde discursos incendiários, insultos e ameaças são frequentes.
Eu, orgulhosamente, não odeio ninguém, nem me desgasto com atitudes tóxicas. Simplesmente, ignoro.
Aprendi a afastar-me de pessoas perturbadas, de comportamentos destrutivos, de venenos emocionais. 
A vida é demasiado preciosa, e curta, para ser desperdiçada desejando mal a alguém. 
Não me tenho dado mal! 
(Teresa Dias)


(*)  "O progresso do amor", de Alice Munro.

(foto Pinterest)

16 novembro, 2020

Sou Dragão, no zodíaco chinês!


Sou do signo Virgem e DRAGÃO no zodíaco chinês.
Dizem os entendidos neste assunto (sinceramente, não me interessa por aí além mas respeito quem muito se interessa) que Dragão é um dos signos mais fortes e afortunados do Zodíaco chinês. Hum, hum!!!
Estes dois dragões foram comprados no país do sol nascente, com a promessa (do vendedor) de muita saúde, luz e serenidade, tudo o que necessito para levar a vida sorrindo.
Confesso que gosto de os olhar, apesar do sobressalto que sempre me causam os seus dentes afiados.


E você, sabe qual é o seu signo? Se não sabe procure aqui: https://www.horoscopochines.net/
Se pretender saber mais sobre o zodíaco chinês, leia aqui: Wikipédia

(Cá em casa eu sou Dragão e o maridão é Rato. Não queira saber o rebuliço que para aqui vai!)






Viagem à China (Pequim, Xi'an, Xangai, Cantão, Guanzhou, Hong Kong, Macau), em 2006.

03 novembro, 2020

a VIDA numa só linha

"A vida é toda feita de coincidências."
JOSÉ SARAMAGO, in “O ano da morte de Ricardo Reis”

"A vida é uma farsa."
PHILIPPE CLAUDEL, in “O arquipélago do cão"

"A vida é o que fazemos dela"
FERNANDO PESSOA, in “Livro do desassossego"

"A vida é um saco muito pesado."
J.M.G. LE CLÉZIO, in “A música da forme"

"A vida é um colar."
MIA COUTO, in “O fio das missangas"

"A vida é uma luta de todos contra todos."
MILLAN KUNDERA, in “A festa da insignificância"

"A vida é o que se vê nos olhos das pessoas."
VIRGINIA WOOLF, in “Contos"


Fotos tiradas nos jardins do HOTEL VILA GALÉ COLLECTION PALÁCIO DOS ARCOS, Paço de Arcos / Portugal.

27 outubro, 2020

E se pudéssemos escolher a nossa família?


"A família são altas matemáticas... demasiados parênteses e demasiadas elevações ao quadrado e toda essa complicação..."
DAVID GROSSMAN, in "Até ao fim da terra"

E se pudéssemos escolher a nossa família? 
Sem qualquer hipótese de escolha nascemos no seio de uma família já constituída pelos nossos pais, tios, primos, avós e bisavós. 
Os nossos pais têm geralmente expectativas «inconfessáveis» quanto à pessoa que gostariam que fossemos, ainda antes de nós nascermos. Por vezes, tantas expectativas geram desilusões. 
Tudo começa com o nascimento do primeiro filho, quando nasce uma menina e eles preferiam um menino. Ou vice-versa.  
(Uma amiga, há muitos, muitos anos, na minha outra terra - Moçambique, convenceu-se de tal maneira de que iria dar à luz uma menina que quando nasceu um menino e o médico lhe deu a boa nova, gritou: Que desgosto! Resposta pronta do médico: Não quer deite no lixo. E fez-se silêncio na sala de partos. Aprendeu a lição e rapidamente se tornou uma mãe exemplar. E foi sem quaisquer problemas, que compartilhou com amigas/futuras mães, esta lição. E eu, que cheguei a ver o menino, Marco de seu nome, vestido de cor-de-rosa, tapadinho com mantinhas cor-de-rosa, num berço igualmente cor-de-rosa, atesto que ele cresceu lindo, saudável e muito amado. Logo, logo, o enxoval cor-de-rosa deixou de lhe servir e a partir daí vestiu de azulinho. Para sempre? Maldade! Mas não sei não, pois a minha amizade com a mãe caiu ao mar que atravessei ao voltar à terra onde nasci. Caiu esta e muitas outras e eu, confesso, nunca recuperei de tamanha tristeza.) Adiante!
E continua quando optamos por estudar direito e eles preferiam que estudássemos medicina.
E continua quando escolhemos para casar fulano e eles preferiam sicrano. 
E continua quando lhes dizemos que vamos viver para outro continente e eles forçam para que não saiamos debaixo da asa protectora.
E continua, e continua...
Hoje sou mãe e avó e sem quaisquer dúvidas afirmo que nasci e morrerei na família certa. E mesmo que pudesse não escolheria outra.
Talvez o meu pai, futebolista amador, preferisse que eu tivesse nascido rapaz, hum, nem pensar (arrepiei-me só de imaginar...) ele amava-me com os meus vestidinhos de folhos e lacinhos no cabelo.
Já a minha mãe... bem, a minha mãe queria que eu casasse com um Carlos (tinha uns olhos verdes lindos de morrer e fomos amigos até ao fim da vida... dele, claro!) filho de uma grande amiga, e eu casei com um Vitor de olhos castanhos e doces. Doze anos mais tarde fiz-lhe a vontade, «descasei» do Vitor e casei com um Carlos... outro! Pensava eu que ela iria gostar mas qual quê, irritou-se como nunca eu tinha visto antes. E demorou a aceitar ver-me casada com um Carlos e a criar filhos de um Vitor. «Que confusão, que vergonha.», dizia ela. Eu sorria e ela virava-me as costas. Para sorrir escondida? Hum, penso que ela não sorria não! Estávamos os anos 80 do século passado, tá?!

Há certamente muitos pais desiludidos com os filhos, mas não haverá também filhos desiludidos com os pais? E com os irmãos, e com os tios, e com os primos, e com os avós? 
Há sim acreditem, mas isso são outras histórias.
(Teresa Dias)


(foto da net)

13 outubro, 2020

Gosto de rostos sulcados de rugas...


"uma cara sem rugas é uma terra sem caminhos"
Ana Margarida de Carvalho, in "O Gesto que Fazemos para Proteger a Cabeça"


Gosto de rostos sulcados de rugas.
Cada sulco revela um tesouro de experiências, lembranças, alegrias, tristezas. Mas também muita solidão, preocupação e dor. Muita dor!
Qual tela dum pintor, a alma e o coração de um velho estão retratados no seu rosto.
A riqueza incomensurável das suas memórias deveria ser valorizada e transmitida de forma digna aos jovens. Jovens que são os futuros velhos.
Infelizmente, nesta sociedade consumista e apressada, os valores da família são facilmente descurados e os velhos abandonados em casa, em hospitais, em lares localizados tão longe da vista quanto longe estão do coração. São carga que é necessário despachar.
Depois de levados para um lar, pago com a pensão de velhice do próprio velho, chegam a dar moradas e telefones falsos para ninguém incomodar.  E logo esquecem quem lhes deu a vida, quem os acarinhou em criança, quem os apoiou na adolescência, quem os aconselhou na idade adulta. 
Como irão esses adultos, homens e mulheres, ser tratados na velhice pelos seus filhos? Com respeito? Com carinho?
Convençam-se, como eles virem tratar os avós, assim tratarão os pais.
(Teresa Dias)

(foto da net)

06 outubro, 2020

Rol de gostos e manias minhas...


Em Março 2012 respondi a dois questionários TAG, aqui no Rol.
Foram estas as minhas respostas. Como responderia hoje?

Perguntas da Landa (blog: horizonte dos livros) 
1. Quais são os teus hobbies preferidos para além da leitura? 
Cinema, música, fotografia, cozinhar, pintar e… conversar (muito). 
2. Qual é a tua personagem literária preferida? 
Se tenho de escolher apenas uma decido-me pela Blimunda, de Saramago. 
3. Se escrevesses um livro que género escolherias? 
Um poderoso romance histórico. 
4. Se fosses agora a uma livraria, que livro da tua wishlist comprarias? 
O segundo volume de Guerra e Paz, de Tolstoi. 
5. Qual é a tua comida favorita? 
Babo-me por um bom arroz de pato (carne), por um dourado bacalhau com broa (peixe) e por um arroz doce cremoso (sobremesa). Fiquei com forme! 
6. Quais são os locais onde gostas mais de ler? 
Sempre, sempre sentada/deitada no meu sofá. Na cama nunca (adormeço de imediato) e em esplanadas também não (distraio-me com tudo e mais alguma coisa). 
7. Quais são as tuas principais manias como leitor? 
São várias: não leio sem um lápis na mão; não leio livros emprestados (por não os poder sublinhar); se gosto de um autor devoro toda a sua obra (em maratonas alucinantes). 
8. Se te oferecessem uma viagem para conhecer um local de um livro que tivesses lido qual escolherias? 
Voltaria ao país do tango – Argentina. 
9. Gostas de ver filmes baseados em livros que já leste? 
Não, não gosto porque o produto final é normalmente mau. 
10. Gostas de reler os livros? 
Gosto, claro. Não tenho feito outra coisa desde que iniciei, há um ano, o rol de leituras. É que eu já leio há muitos, muitos anos… 
11. Os teus gostos literários alteraram com a criação do teu blog? 
Nem pensar nisso, nunca deixaria que um blog alterasse os meus gostos literários. Já aconteceu foi comprar um livro em função do que li sobre ele em outro blog.

Perguntas da  Mlle (blog: romancenalma) 
1. Qual foi o livro mais divertido que leste? 
Foram vários por isso destaco não um mas três: “O Complexo de Portnoy”, de Philip Roth; “Solar”, de Ian McEwan; “A Questão Finkler”, de Howard Jacobson. 
2. Se pudesses encarnar uma personagem literária, qual seria? 
A menina má de Mario Vargas Llosa, por pura provocação. 
3. Que livro tens à espera para ler a seguir? 
“Tudo o que eu tenho trago comigo”, de Herta Müller. 
4. Em que local estás a responder a este questionário? 
Numa salinha onde vejo televisão, leio, converso e escrevo num computador. 
5. Que livro não conseguiste acabar? 
Por norma acabo todos os livros. Claro que com alguns demoro um pouco mais… 
6. Qual é a tua cor preferida? 
Azul – a cor do mar, que é a minha perdição. 
7. Doces ou salgado? 
Ambos, q.b. 
8. Escritor português preferido? 
Três: Eça de Queirós, Fernando Pessoa e Saramago. 
9. Próximo livro a comprar? 
O primeiro de João Ricardo Pedro, Prémio Leya 2011, nas bancas a partir de 31 de Março 2012. Estou curiosíssima! 
10. Lês com óculo ou sem óculos? 
Sempre com óculos. A idade já fez estragos… 
11. Cor do verniz que usas neste momento? 
Esta semana optei pelo rosa bem clarinho nas mãos e vermelhão nos pés (já apetece usar sandálias…). 


Desapontados?
Provavelmente aguardavam por gostos invulgares e manias estrambólicas.
Não tenho!
Sou de gostos simples e quanto a manias... tenho poucas e convencionais.
Gosto da minha família, dos meus amigos, de livros, de cinema, do mar, de chapéus de chuva, de luvas e chapéus (no inverno), de viajar, de cozinhar, de flores, de dançar solta, etc..
Gosto de sapatos, de botas e, ultimamente, de ténis, gosto de lenços e cachecóis, de óculos de sol, de carteiras, de chocolate, de requeijão com compota de abóbora, de compota de marmelo, de pão com banana e leite condensado, de pão com um MARS esborrachado, etc., etc..
Gosto de gostar, gosto que gostem de mim, gosto (muito) de mimo, de  beijos e abraços. Amo abraços!!!
Sou gente boa, calma, verdadeira, virgem (de signo) e... brincalhona.
Aviso: Não me façam perguntas, porque podem não gostar das respostas. É que às vezes passo-me «dos carretos». Não acreditam? Experimentem perguntar!

22 setembro, 2020

«Conchas de humor», apanhadas à beira-mar


"Ser impaciente é desistir de educar."
(Augusto Cury)

Hoje reedito «conchas de humor» apanhadas à beira-mar numa manhã do verão de 2012, e que logo guardei para não esquecer, no livro poisado na toalha estendida no areal.
Sentada, ou chapinhando à beira-mar, pasmei incomodada com a linguagem rasca e  a impaciência dos adultos, mas sorri fascinada com a inocência das crianças curiosas, barulhentas, traquinas. 
Por momentos, e como por magia, voltei ao meu tempo de criança feliz, travessa e igualmente curiosa, correndo numa praia de areia branca, longe, muito longe daqui, no meu país do coração.
Leia e se lhe apetecer sorria. 
Sorrisos apagam tristezas.


- Tens um chapéu muito grande.
- É da minha avó.
- Ela esqueceu-se do boné em casa e anda com o meu chapéu.
- Dá para desenrascar. Não lhe fica mal.
- Bem também não lhe fica. Os meus cornos são maiores que os dela.

- Vem para trás, Ricardo.
- Mas mãe, a água está ali à frente.
- Porra pá! Já disse para vires para trás.

- A água está porreira, mãe.
- Não se diz porreira.
- Então, como é que se diz?
....
- Como é que se diz?
- Merda, vai para a água.

- Não me molhes.
- Vem p'rá água mãe. Está fria mas boa.
- Quando eu quiser, eu vou.
- Porquê mãe?
- Carago do miúdo. Não me chateies.

- Pai, gostas do meu castelo?
- Hum!
- Pai, achas que está bem feito?
- Hum!
- Não queres fazer um castelo comigo?
- Hum!
...
- Então, João, desmanchaste essa merda?!

- Tiago, não pises as toalhas.
...
- Tiago, já te avisei duas vezes, não pises as toalhas.
....
- Tiago, porra! Se voltas a pisar a merda das toalhas vamos embora.

- Gostas do meu fato de banho?
- Gosto! Tem muitas florinhas.
- Foi a minha mãe que o comprou.
- A tua mãe deve gostar de jardins.
- Vai à merda.

- Estás a encher-me cheia de areia.
- Não é assim que se diz, mãe.
- Que merda é essa. Agora queres ensinar-me a falar?

- Aquelas meninas, mais pequeninas do que tu, não têm medo da água. Tu és um maricas.
- E tu és o quê? Também não vais à agua.
- Merda de garoto.


Por último, apanhei (sem querer) esta «concha» de dois adultos  falando à beira-mar:

- Amo-te muito.
- Sim.
- E tu, amas-me muito ou pouco?
- Sim.
- Sim, é muito ou pouco?
- Vamos à água c..... Estás a precisar de um banho gelado.

(fotos Pinterest)

08 setembro, 2020

Leve a primavera para a varanda, dizem. E eu não vou desistir!

Mais um ano, mais uma primavera, mais um verão, mais um sonho não concretizado: ver a minha varanda cheia de flores.
Depois de anos de desânimo, desisti de vasos e vasinhos na varanda virada ao mar e ao sol, a tarde toda.  Deixei apenas duas floreiras, que quase vazias de terra me lembravam que deveria continuar a sonhar.
Pois não é que este ano, este ano epidémico, terrível, negro e triste, de repente uma flor singela e bela apareceu e encheu de cor a minha varanda? Bem cedo, numa manhã de Agosto, fixei nela o olhar e a minha alegria foi tanta que não resisti a fotografá-la.
Dias depois, voltei a sorrir e a fotografar uma segunda flor. 


E não passaram muitos dias para a terceira aparecer. E eu não sorri. Não sorri porque ao lado dela, a primeira, a flor que mais alegria me deu, estava a morrer. E ao fim da tarde lá estava ela, mortinha.


E dias depois, lá estavam as três, mortinhas. 
E eu, triste, desconsolada, desalentada, sem uma única flor na varanda até ao fim do verão, respeitei o momento, não as fotografei, e apanhei as pétalas caídas no chão da varanda.
Na verdade, o que acontece com as flores acontece connosco, seres humanos: nascemos, colorimos a existência de alguém, e morremos.
Na segunda floreira nada cresceu. Não é bem assim, não desabrocharam flores mas algo cresceu e continua a crescer: uma coisita que eu enterrei na terra exactamente no dia em que a primeira flor surgiu na outra floreira. Talvez eu procurasse companhia para a florzinha.


Consegue adivinhar o que foi que eu plantei? Olhe bem para as folhas. É fácil.
Gosto de vê-la crescer, mas cresce tanto e tão rapidamente que começo a querer  que pare.
Na verdade, eu não sei o que quero. É isso! Podes continuar a crescer, coisita doce!
Quanto à primavera na minha varanda...enquanto sonho eu vivo!
P'ró ano é que é!

11 agosto, 2020

De pétalas se faz o "Pétalas de Sabedoria"



O "Pétalas de Sabedoria" completou oito anos de existência, no passado dia 1 de Julho.
Naquele dia de 2012, eu escrevi:

Inicio hoje um novo blog.
Para mim será um enorme baú onde vou guardar frases, pensamentos, provérbios e tudo o mais que me toca e emociona.
Ao longo de muitos anos fui amontoando papelinhos em caixas e gavetas e, agora, decidi guardá-los num enorme baú.
Se por aqui passar deixe aquele pequeno texto que o tocou. Eu publicá-lo-ei com o seu nome e o seu blog. Utilize a minha caixa de email e siga o modelo das minhas publicações.
Desta forma, construiremos um jardim de memórias perfumadas.

Pétala a pétala, plantadas diariamente, o jardim cresceu fresco e viçoso, no início meio escondido, agora mais revelado.
E porque este jardim de memórias é de quem o cuida mas também de quem o visita, o explora, o perfuma com pétalas coloridas, para a festa de publicação da Pétala nº 3.000 (já amanhã) gostava de contar com uma pétala sua sobre... ESPERANÇA: uma frase ou poema original, ou uma citação. Pode enviá-la para a caixa de email do Pétalas, ou deixá-la na caixa de comentários. Prometo plantá-la e cuidá-la.
Obrigada a todas as pessoas que me ajudam a fazer do "Pétalas de Sabedoria" um jardim de palavras sábias, vivas, protegidas, iluminadas, admiradas.
 

Agora, leia ou releia as 5 pétalas mais «contempladas»:

1ª "Nunca estrague o seu presente por um passado que não tem futuro."
DALAI LAMA, monge tibetano.

2ª "A realidade é uma hipótese repugnante."
MANUEL ANTÓNIO PINA, jornalista e escritor português (1943-2012)

3ª "Solidão é aquele florzinha, débil, triste e sozinha, mas que um dia, contra tudo e contra todos, ergue a cabeça, floresce e sorri ao sol logo que aparece."

4ª "Solidão é quando olhando para dentro de nós mesmas, não vemos nenhuma voz para conosco conversar, nem mais somos capazes de ver as belezas dos céus, das flores e do SOL interior... Essa é fatal!"

5ª “A riqueza, não se mede pelos bens que se possui, mas sim pelo bem que se faz.”
MIGUEL DE CERVANTES, escritor espanhol (1547-1616)


(Repararam que pétalas de duas amigas queridas - a Emilia e a Chica - estão entre as cinco mais contempladas? Muito bom!!)


(fotos da net)

14 julho, 2020

AMIGO é aquele que...


“Não há solidão 

mais triste do que a do homem sem amizades. A falta de amigos faz com que o mundo pareça um deserto." 
(Francis Bacon)


AMIGO
É aquele que ouve atentamente
Aquele que aconselha nas indecisões
Aquele que nada pede em troca
Aquele que não se intromete nem sufoca
Aquele que conforta com uma só palavra
Aquele que diz «não» quando é preciso
Aquele que adverte com um sorriso
Aquele que olha com o coração
Aquele que chama à razão
Aquele que mesmo longe está perto
Aquele que faz sorrir
Aquele que atenua medos
Aquele que guarda segredos
Aquele que respeita silêncios
Aquele que rejubila com os sucessos
Aquele que consola nos insucessos
Aquele que estimula a ir mais além
Aquele que abraça nas horas más
Aquele que alerta «por aí não vás»
Aquele que diz «estou aqui»
Sempre!
(Teresa Dias)
(fotos da net)

16 junho, 2020

Gosto de chapéus-de-chuva!

(Chapéu comprado em Florença, Itália. Uma obra de arte!)

“Chove-me na alma quando e se tenho alegrias do coração.
Chuva é exercício de melancolia da Natureza, mas nunca será uma tristeza.”
(BEA, http://erva-principe.blogspot.com/)


Gosto de chapéus-de-chuva.
Gosto deles pequenos, médios, grandes, de uma só cor, ou de várias cores, lisos, com bolinhas, com florinhas, com desenhos abstractos, com cabo em madeira, com cabo em metal, enfim, quanto a chapéus-de-chuva não sou esquisita. Gosto de todos. Escolhidos por mim, claro!
Nunca perdi um chapéu-de-chuva.
Mas o vento já me partiu alguns. E de todas as vezes fiquei um nadinha triste.
Triste, triste, fico quando não me devolvem os chapéus que empresto. Sem coragem para os pedir, juro não voltar a emprestar. Mas empresto sempre.
Agora que a chuva passou, eles estão arrumados, sequinhos e juntinhos. Mas olham-me todos os dias (ou olho eu para eles?) ansiosos pelo próximo passeio.
Ficarão arrumados por longos meses (assim espero), mas no próximo inverno voltaremos a andar de mãos dadas por entre os pingos de chuva, saltando sobre poças de água e recordando Gene Kelly cantando «I'm singing in the rain», no filme "Serenta à chuva". 
Gosto de chapéus-de-chuva. E tenho muitos.
Há quem diga que são demais. (hum, adivinham quem é que diz?)
Eu não ligo, e compro outro… aqui, ali, acolá!
(Teresa Dias)


Chapéu-de-chuva, guarda-chuva, sombrinha...
"Os mais antigos que se conhecem foram da Mesopotâmia, há 3400 anos.
Na mesopotâmia, região do atual Iraque, há 3400 anos já existiam artefatos destinados a proteger a cabeça dos reis — contra o sol, não contra a chuva, uma raridade naquele lugar. Assim como os abanos, eram feitos de folhas de palmeiras, plumas e papiro. No Egito, adquiriram significado religioso e na Grécia e em Roma eram tidos como artigo exclusivamente feminino. Só no século XVIII a obstinação do comerciante inglês Jonas Hanway, um apaixonado por guarda-chuvas (versão inglesa do guarda-sol tropical), conseguiria torná-los dignos também de cavalheiros. Embora ridicularizado em vida, após a sua morte, em 1786, os ingleses aceitaram sair à rua munido do acessório nos sempre frequentes dias de chuvas do país." (Wikipedia)



(Hoje, aqui chove. Eu não pedi chuva, juro!)

02 junho, 2020

A inveja é maldade pura!


“Se, em vez de nos concentrarmos na nossa obra, começamos a pensar naqueles que tiveram êxito e nos atormentamos invejando-os (...) tornamo-nos surdos e cegos. Já não vemos aquilo que valemos, já não nos sentimos estimulados a melhorar, já não conseguimos aprender”. (*)

Inveja é um sentimento negativo, repugnante, vergonhoso, que nos impede até de compreender o pensamento dos outros.
No decurso da vida conheci pessoas que gastavam mais tempo a invejar os bens materiais, os atributos físicos, a superioridade do pensamento, as qualidades morais dos outros, do que a esforçarem-se em valorizarem-se a si próprios. Pessoas que esboçavam sorrisos de esfuziante alegria pela ruína da pessoa invejada. 
O mais estranho é que algumas dessas pessoas não tinham necessidade de invejar fosse o que fosse, fosse quem fosse, pois tinham uma vida quase perfeita.
Então porque o faziam?
Porque queriam ser os maiores, os melhores, os únicos? 
Nunca percebi porque alguém inveja um anel de prata, quando tem dois de ouro.
Nunca percebi porque alguém inveja um carro utilitário, quando conduz um topo de gama.
Nunca percebi porque alguém inveja  uma  micro-empresa, quando gere uma que vale milhões.
Nunca percebi porque alguém inveja um triunfo conquistado a pulso, quando ele já está no topo.
Sem respostas, habituei-me a desfilar, indiferente, o brilho do meu optimismo, o sorriso de gratidão pela vida, pelo que tenho, pelo que sou. Mas isso, sei hoje, faz “roer”, ainda mais, os invejosos. Os falhados da vida. Os incompetentes.
Nunca invejei alguém. Nunca invejei algo de alguém. Sou feliz com o que tenho. 
Odeio a inveja. Fujo de invejosos. Às vezes escorrego... 
(Teresa Dias)


(*) “Os Invejosos”, de Francesco Alberoni

(Foto: Capadócia - Turquia)

17 março, 2020

Retratos esvaziados de vida...



O jardim vazio.
O café encerrado.
O parque infantil em silêncio.
O medo atrás de cortinas fechadas.
O meu país em quarentena voluntária, devido ao Coronavírus COVID-19.
Uma tristeza tamanha!
Protejam-se, meus amigos!


"A força interior advém do facto de nos agarrarmos à única pessoa que nos pode ajudar - nós!"
(Sylvia Friedman) 


(Fotos tiradas da minha varanda, domingo de manhã.)

26 novembro, 2019

Aceita um chá, ou prefere uma tisana?


"Uma mulher é como um saquinho de chá; 
você nunca sabe o quão forte ele é até que esteja na água quente."
Eleanor Roosevelt, primeira-dama dos Estados Unidos, de 1993 a 1945 (1884-1962)


ACEITA UM CHÁ , OU PREFERE UMA TISANA?
Nos dias frios e chuvosos encontro aconchego num chá (ou tisana) quentinho e aromático. Com uma torrada amanteigada, um biscoito crocante, ou uma fatia de bolo fofinho, é a melhor companhia num fim de tarde cinzento.
O chá, para merecer a designação chá tem de provir da planta do chá «camellia sinensis». Como o chá verde, o chá branco (o mais raro), o preto, por exemplo, todos provenientes da «camellia sinensis», mas com tempos diferentes de secagem das folhas
Os chás de ervas, obtidos a partir de frutas, flores ou plantas, camomila, tília, limão, jasmim, etc., são tisanas, pois nada vão buscar à planta do chá.
Chás ou tisanas podem ser estimulantes, calmantes, laxantes, diuréticas, digestivas ou simplesmente reconfortantes.
Os chás de ervas são o remédio caseiro por excelência. Uma dose certa de folhinhas, flores, raízes, deitada em água na temperatura certa, alivia qualquer mal-estar.


Sugestões
A cidreira trata problemas digestivos, insónias, cefaleias, depressões.
A camomila trata perturbações do estômago, dores musculares, ansiedade, permite um sono reparador.
A tília é eficaz no tratamento da artrite, problemas digestivos, tensão nervosa.
A lúcia-lima tem um efeito calmante.
O jasmim é digestivo, relaxante e anti-depressivo.
O alecrim é excelente para recuperar da fadiga.
A hortelã-pimenta ajuda na digestão, cefaleias e descongestionamento das vias respiratórias.
A urtiga é eficaz no tratamento das alergias respiratórias.
A valeriana é excelente em casos de stress e ansiedade.


Como fazer
Chás - deite água a ferver sobre as folhas de chá (proporção de uma colher de café por cada chávena), deixe em infusão 10-12 minutos e sirva simples, ou com leite ou com limão.
Tisanas - deixe a água ferver, adicione folhas de chá, mantenha a fervura mais 2-3 minutos, deixe repousar e sirva.


Dicas
Se gosta de chá com leite, deite na chávena o chá e só depois o leite.
Eu gosto de leite com chá. Estranho? Não, delicioso! Deito leite quente na chávena e introduzo uma saqueta de chá. Chá verde, uma vez por outra; camomila, sempre!
A camomila não me acalma, nem melhora o meu sono, mas é amiga do meu sistema digestivo.
Com o chá verde tenho uma estranha relação de amor e ódio: delicio-me bebendo-o simples ou com leite ao pequeno almoço, sabendo que à noite terei por companhia uma insónia brutal.
Já para alívio de uma constipação ou uma  irritação da garganta bebo uma tisana feita com casquinhas de limão, pau de canela, gengibre e mel. Resulta!

Beba chá ou tisana. É um produto natural e tem 0 (zero) calorias!!!

"O chá é o elixir da vida."
Lao Tzu, filósofo e poeta chinês (571 a.C. - 531 a.C.)

(Fotos da net.)

08 novembro, 2019

Conselhos para uma vida saudável...



Há muitos anos, tantos que não recordo quantos, li, gostei e guardei estes conselhos para uma vida saudável, do japonês Michio Kushi (1926-2014), à data líder da comunidade macrobiótica internacional:

"Dar um passeio ao ar livre; deitar-se antes da meia-noite; beber água fresca. 
E cantar uma canção. Todos os dias. Em voz alta!"

Sigo-os? 
Hum, ando a passo apressado no paredão (dia sim, dia não, não, não, dia sim...); deito-me pouco depois da meia-noite (demoro a adormecer); bebo água fresca que baste;  mas cantar...não canto não!  
Não canto porque não sei, mas oiço música todos os dias. Alto! Neste exacto momento estou a ouvir Melhor de mim, cantada por Mariza. Muito alto!


Obviamente, eu tento manter-me fisicamente saudável, com uma dieta equilibrada em todos os nutrientes essenciais; tento fazer uma hora de exercício físico pelo menos 3 vezes por semana (já passei a idade das 5 vezes por semana, que fiz, acreditem!); tento dormir bem.
Eu tento, mas mesmo tentando tanto, a minha barriga está longe de estar lisa; as articulações chiam; o cabelo perdeu o brilho; os olhos perderam tamanho; a pele começa a encarquilhar; as unhas partem; as insónias não param de me atormentar; e por aí fora... Um drama!
Tenho em casa dois objectos medonhos: o espelho e a balança. Para o espelho deixei de olhar. A balança tolero-a (mas odeio-a)! Sabem que ela se ri de mim? É, mas eu vingo-me atirando-me cada vez mais pesada para cima dela. E quando olho para baixo, e vejo o que não gosto de ver, o meu riso enraivecido abafa o da malvada. Uma vez por semana olho-a de cima para baixo e nem 500, nem 400, nem 300, nem 200, nem sequer 100 g  de peso perdido ela me mostra. Já 100 g de peso a mais (basta eu comer um simples pastel de nata) ela mostra-o descaradamente. Claro que na semana seguinte privo-me de guloseimas e lá perco os 100 g.
Esta luta dura há vários anos! Sorte, sorte minha, é que estou aprendendo a aceitar este meu  EU! Mas não é fácil, acreditem!
Análises e exames médicos dizem que está tudo bem. E isso devia bastar-me, mas não, quero caber em roupa de há dez anos, actualíssima agora, pois então! Nem os pés me cabem nos sapatos do ano anterior pois incharam e cresceram, engordaram, eu sei lá!
Que vida esta! Por mais que caminhe, salte, pedale, me baixe e levante; por mais frutas e verduras e cereais e frutos vermelhos que eu coma, o peso não diminui uma graminha. Então, frustrada,  desanimada e cansada, derramo-me no sofá e ataco pastéis de nata!
Manter-me mentalmente saudável é mais fácil: RIR é o meu melhor remédio. Rir de tudo, de todos, mas principalmente de mim! E eu riu, riu, riu. (E choro, também!)

Charlie Chaplin dizia «um dia sem rir é um dia desperdiçado". Eu, estupidamente desperdiço alguns. E você?


Agora eu ri, oh, se ri!!!
Ria também!
(Já agora, conselhos para uma vida saudável eu aceito todos. E pastéis de nata, também!)

(Fotos da net.)

02 novembro, 2019

Estranhei a diferença...

No retrato que me faço
- traço a traço -
Às vezes me pinto nuvem
Às vezes me pinto árvore...
Mário Quintana, poeta brasileiro (1906-1994)


Encontrei-a numa rua em Matosinhos.
Estranhei a diferença, 
Olhei, mirei, contornei, fotografei,
Em silêncio, sem pedir licença.
Entalada entre viaturas
Ao cimento encostada
Perfume não tinha, flores também não,
Apenas folhagem de vários verdes,
Quadrada, em vez de redonda.
Ainda assim, gostei de a conhecer.
Não a elogiei, nem afaguei
Ela deixou-se fotografar.
Penso que só por acanhamento
Angústias não confessámos
Nem ela a mim as suas
Nem eu a ela as minhas.
Mas...
Num silêncio absoluto 
Em rua de movimento
O nome ela não disse,
E eu não lho perguntei.
Se você souber
Por favor, desvende.
Eu, claro, agradeço!


Bom sábado. Fiquem bem!
Respeitem as árvores. Eu não danifiquei, apenas fotografei!

29 outubro, 2019

Sem "derramar" lágrimas!


Desta vez não foi uma fotografia nem uma música a transportar-me para bons momentos do passado, foi o comentário que uma querida amiga deixou na minha postagem sobre "Joker", o filme. 
Diz ela, no final do comentário:
" (...) Vou pedir pela TV, sou o contrário da nossa Emília, gosto de sair para outras coisas, filmes me esparramo no sofá"
E respondi eu:
"(...) Eu, viciada em filmes (vício bom!), vejo mais agora derramada no sofá.
Tais, tu esparramas-te no teu sofá, eu derramo-me no meu. Coisa boa!
(Aprendi a «derramar-me» no sofá, com um dos meus escritores favoritos. Um dia destes digo-te quem é ele.)"


E aqui estou eu a dizer-te, querida amiga, que  o tal escritor que derrama o verbo "derramar" na sua escrita inteligente, poderosa, violenta, viciante é: Cormac McCarthy (1933-)
Deixo alguns exemplos retirados do seu romance "A travessia":
"… onde o regato se derramava para sul.
… em cujo seio o mundo audível se derramava.
… olhou para ele à luz que se derramava da porta aberta.
… a luz do meio-dia se derramava sobre os campos.
… o cabelo escuro dela derramava-se sobre o ombro do irmão…
… examinou aqueles mundos derramados nas suas pálidas ignições sobre a noite sem nome…
…cabelo claro que ele já não cortava há muito tempo derramado em volta dele…"

Mas... também me encontrei com o verbo "derramar" no livro "Contos", de Virginia Woof (1882-1941):
"… refulgiam róseas e de novo refulgiam alaranjadas quando o sol, derramando-se pelas macieiras, incidia nelas. (No pomar)
… quando Miss Milan lhe pusera o espelho na mão e Mabel se olhara com o vestido novo, finalmente pronto, uma felicidade extraordinária se derramara no seu coração. (O vestido novo)
… o ramo de uma árvore à sua frente embebia-se e penetrava a sua admiração pelas pessoas daquela casa; derramava-se em gotas de outro; ou permanecia erecto como uma sentinela. (Resumo)
… Sasha já não se sentia capaz de derramar por cima do mundo inteiro a sua nuvem de ouro. (Resumo)
… o espelho começou a derramar sobre ela uma luz que parecia fixá-la, que parecia um ácido corroendo o acessório e superficial para deixar apenas a verdade. (A senhora no espelho: uma reflexão)"


Há uns anos diverti-me a sublinhar, a guardar e a publicar estas mesmas frases aqui no Rol.
O teu comentário, amiga, transportou-me àqueles momentos de boas leituras e gostosas partilhas. Obrigada!

Brincadeirinha à parte, brindemos à (nossa) amizade. Sem "derramar" lágrimas!





(“Derramar”, do inglês spill, shed, pour in)
(Fotos da net.)

05 maio, 2019

Dia da Mãe



Ó dia de hoje, ó dia de horas leves
Bailando na doçura
E na amargura
De serem perfeitas e de serem breves.

Versos de Sophia de Mello Breyner Andresen, in "Obra Poética I", Circulo de Leitores, 1992


Sou mãe do Miguel e da Susana e avó (mãe duas vezes) da Carolina e da Madalena.


Hoje, Dia da Mãe, não vou receber deles nem beijos nem abraços.
O Miguel e as pequeninas vivem longe, a Susana vive mais longe ainda.

A minha mãe e duas sogras-mães, que muito me amaram e mimaram, são agora três estrelinhas que abraço olhando à noite o céu. 

Hoje a saudade bateu forte. E eu só queria um abraço. Um só!


Feliz Dia para todas as Mães.
Abracem muito!

(primeira e última foto da net)