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10 fevereiro, 2017

"A vida é breve" - Jostein Gaarder


Abraça-me, a vida é muito breve e ninguém sabe se existe uma eternidade para as nossas almas frágeis, talvez só tenhamos esta vida.
Em “A vida é breve” Jostein Gaarder retrata - doseando sabiamente realidade e ficção - a vida e obra de Aurélio Agostinho (Aurelius Augustinus), filósofo, escritor, doutor da Igreja, conhecido por Santo Agostinho.
A inspiração terá surgido após encontrar uma carta redigida por uma mulher e endereçada a Aurélio Agostinho, no interior duma caixa que comprou na feira da ladra de San Telmo, em Buenos Aires.
Eu conhecia bem a biografia de Agostinho. Nenhuma outra figura mostra com tanta clareza a profunda mudança cultural que teve lugar na transição da antiga cultura greco-romana para a cultura cristã (…) As suas confissões proporcionam uma visão única do agitado século IV, assim como dos seus próprios conflitos espirituais, relacionados com a fé e a dúvida. (…) poderia esta carta ser daquela mulher que fora a concubina de Agostinho durante anos, da mulher que ele próprio conta ter tido que deixar por ter escolhido abster-se para o resto da vida de todo o amor sensual?
Se não era passou a ser e logo Jostein Gaarder deu nome e voz à mulher que Aurélio Agostinho amava quando decidiu afastar-se do amor humano para se concentrar na salvação da própria alma. Mulher que não entende como pode um princípio filosófico separar duas pessoas que se amam e na carta o crítica  com ironia e desprezo.
FLÓRIA EMÍLIA SAÚDA AURÉLIO AGOSTINHO, BISPO DE HIPONA
Como é estranho ter de saudar-te nestes termos! Há muito, muito tempo, teria escrito apenas «para o meu pequeno e divertido Aurélio». Mas passaram já mais de dez anos desde a última vez que me abraçaste e, entretanto, muitas coisas mudaram. (…)
Procedeste assim porque começavas a sentir desprezo pelo amor carnal entre homem e mulher…. Achaste que eu te prendia ao mundo dos sentidos e que não tinhas paz nem tranquilidade para te concentrares na salvação da tua alma (…)
Mas que traição, Aurélio, que traição! Não, eu não creio num Deus que exige sacrifícios humanos. Não creio num Deus que destrói a vida de uma mulher para salvar a alma de um homem. (…)
E havia um filho. E Deus é minha testemunha: assim como eu era a mãe de Adeodato, também tu eras o seu pai verdadeiro. (…)
A vida é breve, demasiado breve. Talvez vivamos esta única vez, aqui e agora. (…)
Que Deus do Nazareno te perdoe por toda a ternura e todo o amor que agora rejeitas.
Estou em Cartago, sentada debaixo a nossa figueira, que, pela terceira vez, floresce sem dar fruto.
Eu te saúdo!

E mais não desvendo sobre esta belíssima história de amor dorido.
Ficção ou realidade, essa celeuma não me interessa nada.
Esta vida é tão breve! Não podemos ter a veleidade de emitir qualquer condenação sobre o amor.

A vida é breve, de Jostein Gaarder
Tradução de Maria Luísa Ringstad
Ed. Presença, 1998
116 págs.

15 outubro, 2013

"Olá! Está aí alguém?" - Jostein Gaarder

O tempo que dura uma vida humana não chega para aprender tudo.
Joakim tem oito anos e espera a chegada de um irmãozinho que vai nascer.
Na noite em que o bebé quer sair da barriga da mamã, os pais correm para o hospital e Joakim fica sozinho em casa, esperando a tia Helene.
Contemplava as estrelas, através da janela do quarto, quando viu uma estrela cadente cruzar o céu, tão próxima que parecia que iria cair no seu jardim.
Logo de seguida, do jardim chegou até ele um grande e estranho barulho. Seriam os papás com o mano? Não!
Era Mika, um rapazinho que se baloiçava na macieira em frente da janela do seu quarto, pendurado pelo elástico dos calções.
Mika, o menino que chuchava o polegar sempre que reflectia e sacudia os dedos quando tinha de explicar uma coisa.
Mika, o menino que fazia uma vénia a perguntas profundas e nunca a respostas inteligentes – uma resposta é o caminho que deixaste para trás. Só uma pergunta pode apontar para diante.
Mika, o menino de um planeta distante, que nasceu dentro de um ovo, não tem umbigo, e que sabe tudo sobre os mistérios do universo e o enigma da vida humana.
Ficam amigos, brincam e interrogam-se sobre o que se esconde por detrás das coisas que o nosso olhar distraído considera “normais.”
Nem sempre as coisas mais normais são tão normais como cremos.
Entretanto, o dia amanheceu, o mano de Joakim nasceu e Mika desapareceu.
Terá sido um sonho?
Com Jostein Gaarder (autor do célebre "O Mundo de Sofia") nunca se sabe.
Mas eu sei que os seus livros são para ler e aprender e isso basta-me.
Encantador!
 
Olá! Está aí alguém?, de Jostein Gaarder
Editorial Presença, 1998
Tradução de Maria Bragança
111 págs.

30 março, 2011

"A rapariga das laranjas" - Jostein Gaarder


Em 2002, a Editorial Presença brindou-nos com este livrinho encantador, do autor de ”O mundo de Sofia”.
Li-o em 2004 e, tal como é referido no último parágrafo, ganhei a lotaria!

O que fazer quando um pai, falecido demasiado cedo para nos lembrarmos dele, decide falar connosco através de uma carta escrita onze anos antes? E se, nessa carta, nos coloca uma questão que mude para sempre o modo como olhamos o universo e a nossa própria vida?”
 
É este o dilema de George, de quinze anos. Na “conversa” de adultos que terá com o pai encontrará a resposta.
“A rapariga das laranjas” é um hino ao amor, ao milagre da vida, à consciência da morte.
Delicado e encantador!

A rapariga das laranjas, de Jostein Gaarder
Editorial Presença, 2002
Tradução de Maria Luísa Ringstad
123 págs.