Mostrar mensagens com a etiqueta Susanna Tamaro. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Susanna Tamaro. Mostrar todas as mensagens

26 julho, 2016

É a escuridão, não é?


"A memória é como o chão de uma casa, de uma casa de madeira, há tábuas que vão ficando podres, embora já estejam a esboroar-se parecem iguais às outras todas, está-se seguro, continua-se a andar, mas, de repente, há qualquer coisa que desaparece, desaparece e já não se pode alcançá-la, há uma tábua que cede e todas as coisas que estavam à sua volta são como que sorvidas. Quanto mais os anos vão passando, mais os abismos aumentam, só há turbilhões a girar, uma pessoa anda cada vez com mais cautela por entre esses sorvedouros, basta o mais pequeno erro para que o pouco que ainda conserva vá parar lá dentro.
É a escuridão, não é? É a escuridão, mas continua-se a viver, e o mais tremendo, o que mais enraivece, é que o coração e a barriga continuam a funcionar, possam continuar a funcionar durante anos e anos, quando uma pessoa já deixou de existir.”


Tirei daqui: “Para uma voz só”, de Susanna Tamaro, Ed. Presença, 1997
Foto da net.

14 julho, 2016

Sabe-se lá...


“Sabe-se lá porque é que, com o passar dos anos, se chora cada vez mais, começa-se e não se consegue parar, continua-se durante horas e horas, sem nada que console. O coração está mais fraco, mais exposto, as pálpebras amolecem. Só se pára no sono, quando se adormece. Foi o que me aconteceu ontem.”


Tirei daqui: “Para uma voz só”, de Susanna Tamaro, Ed. Presença, 1997
Foto da net.

14 novembro, 2014

"Com a cabeça nas nuvens" - Susanna Tamaro

… para a minha fuga não acabar por se converter numa série de movimentos desordenados e inúteis, deveria ter uma meta precisa e que essa meta só poderia ser o império do tio Isaac, lá longe, naquele país onde tudo podia acontecer, isto é, na América.
Este romance de Susanna Tamaro – galardoado em 1989 com o Prémio Elsa Morante – relata a história de um adolescente que procura escapar ao destino inevitável de se tornar adulto refugiando-se num mundo de sonhos, fantasia e liberdade.
Ruben, o protagonista e narrador da história, vive com a avó e a bisavó (ambas mudas e cegas) nunca casa grande onde impera o silêncio, a tranquilidade e muita liberdade. Quando Ruben fez quinze anos e um professor chegou à casa grande para acompanhar a sua educação, a vida tranquila começou a esboroar-se como um biscoito sob as lagartas de um carro de combate.
O professor é severo, exigente e obriga-o a cumprir regras. 
Era indispensável descobrir o mais depressa possível um remédio para aquela tirania.
Como as avós não o podem salvar, Ruben foge, rumo à América, onde crê ser possível continuar a ser criança. A viagem é mirabolante e hilariante.
Desiludido, Ruben regressará a casa e descobrirá que...
… não vou contar mais nada, logo, vai ter que ler para saber.
Vale a pena conhecer o Ruben.
Leia e divirta-se!

Com a cabeça nas nuvens, de Susanna Tamaro
Tradução de Maria Jorge Vilar de Figueiredo
Ed. Presença, 1996
123 págs.

31 janeiro, 2014

"Todo o anjo é terrível" - Susanna Tamaro

Que sórdida tolice pensar que os laços ditados pelo sangue são os mais importantes!
Cativou-me esta surpreendente história de vida, relatada minuciosamente neste livro de memórias intimista, corajoso, intenso.
Fiquei a saber, que Susanna Tamaro nasceu numa cidade assombrada pelos fumos da História, o fumo do ódio racial, do ódio étnico, o fumo dos milhões de vidas sacrificados para restituir a cidade à Itália durante a Primeira Guerra Mundial, o fumo da desilusão.
Fiquei a saber, que os pais eram muito jovens e ausentes, e que cresceu num tempo em que não era hábito dar muita importância às crianças, num ambiente de não-amor, não-harmonia, silêncios, sofrimento - sofrimento humano, antes de mais, e depois criativo.
Fiquei a saber, que foi uma criança deprimida, ansiosa, que à noite não dormia a pensar na morte, e de dia chorava pelo poço de solidão dolorosa em que estava afundada.
Fiquei ainda a saber quase tudo sobre o irmão, os pais, os avós.
Como é evidente, não há só memórias tristes e sofridas, neste livro da menina que encontrou nas ciências naturais a âncora que a salvou do mundo descontrolado em que crescia, da adulta que nos dá a ler histórias emocionantes, perturbadoras, inesquecíveis. Há, também, recordações de muito amor, amizade, companheirismo, descoberta, alegria, diversão. Enfim, muitas histórias “dentro” da História.
O que sabemos realmente daquilo que se transmite, através dos genes, de uma geração para a outra?
Muito? Pouco? Nada?
Vai ter de ler para saber o que diz ela, na página 45.
 
Todo o anjo é terrível, de Susanna Tamaro
Tradução de Maria das Mercês Peixoto
Ed. Presença, 2013
219 págs.

23 novembro, 2012

"Um país para lá do azul do céu" - Susanna Tamaro


Há muitas tragédias que são devidas a falhas de comunicação.
Pois é, voltei aos contos. E voltei a SusannaTamaro, uma magnífica contadora de histórias. As suas histórias não são fáceis de ler, por serem histórias tristes, histórias de sofrimento, histórias que perturbam e emocionam, histórias que dificilmente se esquecem, histórias que são a própria vida. Mas são belas e bem escritas e, por isso, não conseguimos deixar de as ler.
Este livro é constituído por quatro histórias dramáticas, acerca do terrível flagelo que é a emigração ilegal. São histórias sobre comportamentos xenófobos, violência, falta de comunicação, exclusão social.
Em todas elas, Susanna Tamaro dá voz ao sofrimento dos desenraizados, e reflecte sobre a angústia e a aflição humanas, o desejo de mudança e a vontade de viver.
Há peixes que, embora sejam pequenos, não são devorados pelos peixes grandes.
Em todas elas, o desespero conduz a desfechos trágicos. E que desfechos…
– "O que diz o vento?"
Esta história tocou-me particularmente. É sobre Nabila, a mãe corajosa, que escondida no porão de um navio chega à Europa com o filho pequeno, numa fria noite de inverno. O que encontra à chegada não é o paraíso, é o inferno.
"Do céu"
Esta história deixou-me atordoada. É sobre a adopção de Arik, um menino africano muito desejado e amado, por um casal italiano. Um menino estranho. Uma história de amor com um final sinistro.
Haveria outro país, para lá do azul do céu? Se calhar, havia: devia ser o país das mães e dos pais.
Leiam estas pequenas histórias e deslumbrem-se e interroguem-se:
Onde é que este mundo vai parar?
Um país para lá do azul do céu, de Susanna Tamaro
Ed. Presença, 2003
Tradução de Maria Jorge Vilar de Figueiredo
92 págs.

11 maio, 2012

"Para uma voz só" - Susanna Tamaro

A vida é tudo menos sábia.
Numa “sessão” de arrumação das estantes cá de casa (onde já não cabem mais livros – socorro!) encontrei este livro de Susana Tamaro, comprado em 1997 e que nunca li.
Estranho porque, por norma, eu só coloco os livros na estante depois de lidos. Até lá andam à deriva no sofá, na mesa-de-cabeceira e até em torres inestéticas, mas estáveis, que crescem por todo o lado.
Este escapou à norma.
Curiosa, abri-o de imediato e deparei-me com um conjunto de contos (eu que gosto tanto de livros de contos deixei escapar este), cinco no total, e que contos…
Diz a sinopse: São histórias de crianças solitárias, ultrajadas, tristes; de criaturas expostas, denunciadoras de um mal-estar contemporâneo que transparece nas palavras dos seus diários, dos seus diálogos.
E são mesmo!
São histórias belíssimas mas terríveis sobre a vulnerabilidade e o sofrimento infantil, temas que muitos continuam a ignorar.
São histórias brutais que arrepiam a alma, nos afligem o coração e nos inquietam os sentidos.
São histórias que podem passar-se na nossa casa, na casa de familiares, na casa de amigos, na casa de um vizinho, e que nós ou não vemos ou não queremos ver.
São histórias contadas por uma escritora sensível e inteligente que nos encaminha, com subtileza, pelas profundezas da alma humana.
Dizem que os papões já não existem, mas os papões ainda existem. O meu pai de dia é advogado e de noite é um papão. Quando estou a dormir e tenho medo que a porta se abra, agarro-me ao Teddy. O Teddy é o meu urso, há muito tempo que somos amigos.
Aconselho este livro a todas as mães, ou melhor, a todas as mulheres, ou melhor ainda, a toda a gente.
Comprem, leiam, deslumbrem-se… e desculpem a noite de insónias.
Seja como for, amanhã é um novo dia.

Para uma voz só, de Susanna Tamaro
Editorial Presença, 1997
Tradução de Maria Jorge Vilar de Figueiredo
157 págs.

02 abril, 2011

Li e sublinhei...Susanna Tamaro


“Ler não é mais do que criar um pequeno jardim no interior da nossa memória”.

• “Antes de aprender a escrever é preciso aprender a resumir… O resumo exclui os adornos, as descrições, as pausas e ensina-nos a penetrar, por meio da síntese, na essência da narração”.

• “As coisas importantes – as coisas que dão solidez e sentido a uma existência – não estão à venda, vão-se conquistando passo a passo, lentamente, com perseverança e coerência. O dinheiro que as paga é o cansaço”.

• “As únicas pessoas capazes de nos modificar somos nós mesmos”.