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29 setembro, 2017

" A violação do amor" - Manuel de Sousa Falcão


A violação do amor” (Editora Propagare, 2016), da autoria de Manuel de Sousa Falcão, reúne mais de 100 poemas - “textos confessionais”, diz o poeta - escritos entre 2009 e 2016.
São poemas para ler devagar, pensar, reflectir e compartilhar com aqueles que amamos, ou gostamos.
Reproduzo dois dos meus favoritos.

Fico a aguardar o próximo livro, senhor professor, poeta, pintor.
Sucesso!

SORRI
Sorri
Mesmo que não te apeteça
Conversa sem que te meça
Fala da pele e nunca mais do que isso
Diz de ti apenas a superfície
Diz de texturas e não
De ligaduras de nervuras de vidas duras
De doenças sem curas.
Esconde-te cobre-te recolhe-te
É que cansei-me de ti
Algum dia o passado irrompeu
E és o que eras
Não te salvei não te mudei
Como o Paraíso por perdido
Deu lugar ao Vale de Lágrimas
E tarda a redenção
Ou não vem
Eu não quero morar aqui
Por tudo o que vi o que vivi o que senti

A NOITE
Uma noite
Faço o mesmo percurso
Do mesmo modo
A ouvir os passos
Escutar (esses) ruídos
Da hora tardia
E entrando em mim, 
Compreendendo-me.
Não me desculpo
Talvez chore
(Alguma memória
Chamará um
Sorriso breve
Uma saudade breve)
O mesmo percurso
O cansaço extremo,
Impede-me de pensar o
Regresso.

29 março, 2016

Poema de... Manuel de Sousa Falcão


Pernas da cadeira como talos a irromper
Impetuosos terra fora em busca de luz e ar
Os braços e as costas como folhas a envolver
Um assento em fogo e já não um lugar
O tampo da pequena mesa em movimentos de morrer
O papel na espera de palavras na espera do poema vindo do mar
De um rosto fatigado a suar de um coração a sofrer
De uma mão nua a tudo dar
Se o dia fosse, se o dia fosse
Da poesia

Pintura em acrílico sobre cartolina Bristol, do poeta / pintor portuense.

10 novembro, 2015

Poemas de... Manuel de Sousa Falcão

Manuel de Sousa Falcão brindou-me com três poemas do seu próximo livro, e com uma foto do quadro “Duas figuras” (acrílico sobre tela), que exibiu na exposição “Escuro”, na Casa das Artes, Porto, 2015.
Porque gostei MUITO, e com a devida autorização do poeta-pintor, partilho no meu “rol".
Maiores sucessos!

AMAR EM VÃO
Mor meu
Mor parte
Das vezes
Só meu.
Vão por
Isso

(Poema sem título)
Caminho este tal andado
Mais mais longe do lugar quente
Onde a morte seu momento adiado
Enquanto afunda em dor a mente e não se sente
Do que foi, o coração confiado em jamais ser terminado
Passo dado agora à morte rente
E na espera tempo humano silente

Oh dança estranha então se faz
Diz do que foi mudado

DO CHORO
Se som
O plangente
Da cinira
Não outro

04 julho, 2015

"Metade da coisa" - Manuel de Sousa Falcão



“Metade da coisa" foi-me oferecido pelo autor, na passada noite de São João, no Porto.
É um pequenino livro de poemas – encantadores - que se devora num ápice.
Um livro feito de uma capa negra e páginas (ou telas?) onde os versos escritos mais parecem pintados.
Gostei de conhecer o poeta-pintor Manuel de Sousa Falcão. 
E gostei de conhecer a família dele. Linda!
Fico à espera de outros livros. E de mais sardinhadas... e balões...
Leiam / admirem este poema:

Esse dia
Que contava com tudo
Fiquei (só) só
Na grande cidade.
Eu sabia (então e os sinais anteriores?) e enganava-me.
Previsível
Geometria
Essa disciplina!
Que-estudei-usei-ensinei
Que-custou-em-qualquer-dos-lados
Que gostei,
Tanto quanto a dificuldade
Em trabalhar
O rigor (apaixona-me o rigor!).
Mas atrai-me (atrai-me! Sabes? Atrai (s) -me)
Mais
Tomar-me o espanto!
E fui.
Mas só eu a seguir.
Observei (-me / -te e) tudo a passar,
Tudo a mudar,
Tudo a acabar.
E depois
Outra-vez-e-outra-e-ainda-outra-e-o-mesmo
(Outra-vez-e-outra-e-ainda-outra-e-o-mesmo-!)

E este:
Eu tento
Misturo
Escondo
Evidencio
Invento
Experimento
Construo
Desfaço
Recomeço

Eu tento
Ai eu tento

Não sei de onde me vem o alento.

E mais este:
Releio tudo o escrito,
Talvez com o mesmo empenho-e-pasmo
Do investigador,
Curtos escritos que não prometem o meu sonho,
Curtos escritos que não dão origem a.
Mas com o toque da fazenda adornada
E o belo que ela pode ocultar
Levantada-afinal-nada-,
E por outro caminho?
Então voltar a cada sítio
(Onde o que veio a seguir,
foi a decisão de ir) e:
vazio-, -agora só-, -sorrio-.
Vale-a-pena continuar-?
Então relembrar os diálogos:
De que são feitos?
(De que são feitos os diálogos?)
Não consigo saber.
Gostava de morar ai.
Demorar-me ai.