29 setembro, 2020

Palavras citadas: Olga Tokarczuk



Ruth
"Certo homem, após a morte da mulher, resolveu fazer uma lista com todas as localidades que tinham o mesmo nome que ela - Ruth.
Encontrou uma grande quantidade não só de localidades, mas também de riachos, aldeolas, colinas e, inclusive, uma ilha. Dizia que o fazia em memória dela e que, além disso, era para ele uma espécie de consolo saber que ela existia no mundo nem que fosse daquela maneira indistinta, através do seu nome. E mais, quando, por exemplo, se encontrava no sopé de uma montanha chamada Ruth, tinha a impressão de que ela afinal não morrera, mas que continuava a existir, só que de outra maneira.
Estas viagens eram financiadas pelo seguro de vida da falecida."


Olga Tokarczuk  (Nobel de Literatura 2018), in "Viagens" (pág. 265),  Ed. Cavalo de Ferro, 2019

(Foto de A. Gomes)

25 setembro, 2020

"Hotel Melancólico" - María Gainza

…não recuperamos o passado, recriamo-lo, transformamo-lo em dramaturgia. A memória adapta, vai colorir, adornar, mistura cimento com arco-íris, faz o que for preciso para que a história funcione.
Foram quatro as razões que me levaram a comprar este livro:
1 – Curiosidade em saber se o segundo romance da escritora e crítica de arte argentina María Ganza era tão fascinante quanto o primeiro “O Nervo Ótico” (2018), um livro de olhares: olhares dirigidos a pinturas e a quem as contempla, uma crónica íntima, uma incursão romanceada pela história da pintura, uma extraordinária visita guiada a um museu;
2 – A preciosidade da capa;
3 – A elucidativa e cativante sinopse:
“Cansado de a ver desocupada, o tio da narradora arranja-lhe um emprego num banco para trabalhar com uma avaliadora de obras de arte. Mas, contra todas as expectativas, o ofício torna-se absolutamente fascinante para ela, não só pelas incríveis descobertas que faz sobre falsificações, mas sobretudo pelas histórias secretas que a chefe acaba por lhe contar, uma das quais é a do Hotel Melancólico, onde viviam artistas que copiam quadros para ganhar a vida e por onde passou a misteriosa Negra, figura central deste romance, que se especializara em falsificar a obra de Mariette Lydis, que fazia retratos da alta-sociedade de Buenos Aires. Um belo dia, porém, a chefe estranhamente não aparece para trabalhar e o mais certo é que lhe tenha acontecido algo de grave; mas, se assim for, como continuar a viver sem saber o fim de todas aquelas histórias que ficam a meio?”
4 - O toque de mistério no primeiro parágrafo:
«Cheguei, por fim, ao Hotel Étoile. Um cartaz à porta de entrada anunciava que estava cheio, mas entrei na mesma e pedi um quarto. Acabaram por me atribuir um no décimo andar; tem vista para o cemitério, uma banheira de mármore italiano, uma secretária Luís XVI, uma cama da largura de uma jangada e bombons embrulhados em papel dourado, incrustados nas almofadas quais diamantes falsos de neve. Disse ao porteiro que o meu marido chegaria mais tarde com as malhas, mas o meu marido nunca virá. Não é meu hábito mentir descaradamente às pessoas, mas tratava-se de um caso de força maior.»
Não pode uma boa falsificação dar tanto prazer como um original? Num certo sentido, não é o falso mais genuíno do que o autêntico? E, no fundo, não será o mercado o verdadeiro escândalo?

María Gainza volta a ficcionar o mundo das artes visuais, neste caso a arte da falsificação, numa reflexão sobre a relação entre a arte e a vida, a imitação do real, o engano e a manipulação.
A história, uma investigação quase detectivesca levada a cabo pela protagonista (de quem pouco sabemos), é feita de histórias de vida de elementos do «bando de falsificadores melancólicos (…) que viviam à custa de enganar os ricos», e exige leitura atenta pois são muitas e bruscas as mudanças de tempos e lugares da narrativa.
Gostei? Hum, não me fascinou.
Acontece!

Hotel Melancólico (La Luz Negra), de María Gainza
Tradução de Artur Lopes Cardoso
Ed. D. Quixote, 2019
147 págs.

(foto net)

22 setembro, 2020

«Conchas de humor», apanhadas à beira-mar


"Ser impaciente é desistir de educar."
(Augusto Cury)

Hoje reedito «conchas de humor» apanhadas à beira-mar numa manhã do verão de 2012, e que logo guardei para não esquecer, no livro poisado na toalha estendida no areal.
Sentada, ou chapinhando à beira-mar, pasmei incomodada com a linguagem rasca e  a impaciência dos adultos, mas sorri fascinada com a inocência das crianças curiosas, barulhentas, traquinas. 
Por momentos, e como por magia, voltei ao meu tempo de criança feliz, travessa e igualmente curiosa, correndo numa praia de areia branca, longe, muito longe daqui, no meu país do coração.
Leia e se lhe apetecer sorria. 
Sorrisos apagam tristezas.


- Tens um chapéu muito grande.
- É da minha avó.
- Ela esqueceu-se do boné em casa e anda com o meu chapéu.
- Dá para desenrascar. Não lhe fica mal.
- Bem também não lhe fica. Os meus cornos são maiores que os dela.

- Vem para trás, Ricardo.
- Mas mãe, a água está ali à frente.
- Porra pá! Já disse para vires para trás.

- A água está porreira, mãe.
- Não se diz porreira.
- Então, como é que se diz?
....
- Como é que se diz?
- Merda, vai para a água.

- Não me molhes.
- Vem p'rá água mãe. Está fria mas boa.
- Quando eu quiser, eu vou.
- Porquê mãe?
- Carago do miúdo. Não me chateies.

- Pai, gostas do meu castelo?
- Hum!
- Pai, achas que está bem feito?
- Hum!
- Não queres fazer um castelo comigo?
- Hum!
...
- Então, João, desmanchaste essa merda?!

- Tiago, não pises as toalhas.
...
- Tiago, já te avisei duas vezes, não pises as toalhas.
....
- Tiago, porra! Se voltas a pisar a merda das toalhas vamos embora.

- Gostas do meu fato de banho?
- Gosto! Tem muitas florinhas.
- Foi a minha mãe que o comprou.
- A tua mãe deve gostar de jardins.
- Vai à merda.

- Estás a encher-me cheia de areia.
- Não é assim que se diz, mãe.
- Que merda é essa. Agora queres ensinar-me a falar?

- Aquelas meninas, mais pequeninas do que tu, não têm medo da água. Tu és um maricas.
- E tu és o quê? Também não vais à agua.
- Merda de garoto.


Por último, apanhei (sem querer) esta «concha» de dois adultos  falando à beira-mar:

- Amo-te muito.
- Sim.
- E tu, amas-me muito ou pouco?
- Sim.
- Sim, é muito ou pouco?
- Vamos à água c..... Estás a precisar de um banho gelado.

(fotos Pinterest)

18 setembro, 2020

"Uma Biblioteca da Literatura Universal" - Hermann Hesse

A leitura sem amor, o saber reverência e a cultura sem coração estão entre os piores pecados que se podem cometer contra o espírito.
Onze pequenos ensaios, sobre a importância dos livros e da leitura, estão reunidos neste livro de Hermann Hesse (1877-1962), escritor culto e leitor sôfrego, galardoado com o Prémio Nobel de Literatura em 1946.
São eles:
1. Uma Biblioteca da Literatura Universal (1929)
“Para uma relação viva do leitor com a literatura universal é, sobretudo, importante que ele se conheça a si próprio e, consequentemente, que conheça as obras que agem sobre ele de um modo particular, evitando seguir um qualquer esquema ou programa cultural. A via que ele tem de percorrer é aquela do amor, não aquela do dever. O facto de nos obrigarmos a ler uma obra-prima só porque é celebérrima e nos envergonhamos de ainda não a conhecermos seria um grave erro. (…)
Sem qualquer ideal erudito, sem qualquer pretensão de completar seja o que for mas seguindo na substância a minha pessoalíssima experiência de homem e leitor, tentarei descrever nestas páginas uma pequena biblioteca ideal da literatura universal.(…)"
2. Da relação com os livros (1907)
“Um elenco de livros cuja leitura seja absolutamente necessária e sem os quais não há saúde nem cultura não existe. Em vez disso, há para cada homem um notável número de livros nos quais precisamente ele, o indivíduo, pode encontrar satisfação e prazer. Descobrir gradualmente estes livros (…) constitui uma tarefa específica e pessoal para cada indivíduo. (…)
3. De ler e de possuir livros (1908)
“Não existem cem ou mil «livros mais belos», há, para cada indivíduo, uma escolha particular baseada naquilo que lhe é afim e compreensível, caro e precioso. Por isso, é impossível constituir uma boa biblioteca sob encomenda; cada um de nós deve seguir as suas próprias exigências e preferências, e criar, pouco a pouco, uma colecção de livros, da mesma forma que se criam as amizades.(…)"
4. Do escritor (1909)
5. O jovem poeta – uma carta para muitos (1910)
6. Sobre a leitura (1911)
“ A maior parte dos homens não sabe ler e a maioria não sabe bem porque é que lê. (…)
Não devemos ler para nos esquecermos de nós próprios e da nossa vida quotidiana, mas sim, ao invés, para que nos seja possível retomar nas mãos, com maior consciência, firmeza e maturidade, a nossa existência. (…)"
7. Serão com o autor (1912)
8. De ler livros (1920
9. Em que é que o poeta crê (1929)
10. Magia do livro (1930)
“Sem a palavra, sem a escrita e sem os livros não há história, não existe a ideia de humanidade.(…)"
11. A minha leitura preferida (1945)
“Colocaram-me infinitas vezes a pergunta: «O que é que prefere ler?»
É uma pergunta à qual, para um amigo da literatura universal, é difícil responder. Eu terei lido cerca de dez mil livros, vários deles várias vezes, alguns deles muitas vezes e, por princípio, sou contrário a excluir qualquer literatura, escola ou autor do raio da minha simpatia ou mesmo, tão-só, do meu alcance. Mas a pergunta justifica-se e, numa certa medida, pode encontrar resposta. (…)"
A literatura mundial corre um perigo, proveniente das novas edições mal e apressadamente alinhavadas, que é pouco menor do que o da guerra e das suas consequências.

Livro com pouco mais de uma centena de páginas, actualíssimo e fundamental para quem pretender: iniciar ou aprofundar o seu conhecimento na arte subtil da leitura; organizar uma biblioteca própria; sugestões de leituras; conselhos sobre o uso dos livros.
Recomendadíssimo!

Uma Biblioteca da Literatura Universal, de Hermann Hesse
Tradução de Virgilio Tenreiro Viseu
Ed. Cavalo de Ferro, 2018
109 págs.
Livraria Lello - Porto (foto net)

15 setembro, 2020

2 + 6 = 8 batidos saudáveis e deliciosos!


Eu sou fã de sumos (naturais)  e batidos. 
Faço-os combinando um líquido com frutas, legumes, frutos secos, cereais, sementes, especiarias, etc. Evito adoçá-los.
Ao contrário do sumo, que demora um tempo infinito a preparar, dá trabalho e exige uma centrifugadora - um pequeno electrodoméstico difícil de limpar após cada utilização -  o batido feito num liquidificador é simples e rápido de preparar: primeiro entram no copo os ingredientes líquidos, a seguir são os sólidos cortados em pedaços, por fim liga-se a máquina e processam-se os ingredientes durante alguns segundos.  
O batido é espesso e geralmente inclui  leite, bebida de leite (p.e. arroz, aveia, coco, soja, baunilha), iogurte, gelado. Eis duas sugestões, experimentadas e fotografadas:

Bebida de aveia, banana, cacau e gengibre
- 1/ banana madura, cortada aos pedaços
- 1 copo de bebida de aveia, sem açúcar
- 1 colher (chá) de cacau em pó
- pitada de gengibre em pó
Processe ligeiramente e beba de imediato!

Iogurte, mirtilos, canela, semente de chia
- 1 iogurte de mirtilo
- 1/ 2 copo leite meio-gordo
- 3 colheres (sopa) mirtilos congelados
- 1 colher (chá) linhaça moída
- 1 colher (chá) sementes de chia
Processe ligeiramente e beba de imediato!


Como acho que apenas duas sugestões sabe a pouco, aqui ficam mais seis, saborosas, coloridas, frescas  e nutritivos:
- manga, iogurte de coco, bebida de coco, flocos de aveia
- mistura de frutos vermelhos congelados, bebida de leite, linhaça em pó
- morangos, leite à escolha, amêndoas peladas, canela
- pêssegos, ananás, iogurte, amendoins
- iogurte grego, farelo de aveia, alperces secos, leite
- banana, manteiga de amendoim, bebida de leite, sementes de chia
(Se a fruta estiver congelada dispensa o gelo.)

Experimente estes batidos, crie os seus com outros ingredientes, compartilhe receitas.
Eu agradeço!

11 setembro, 2020

"O herói discreto" - Mario Vargas Llosa


Na vida é sempre assim. As coisas boas têm sempre o seu ladinho mau, e as más, o seu ladinho bom.
Foi a clareza da sinopse na contracapa deste livro que me motivou a comprá-lo. Vejam:
“Felícito Yanaque é um homem de cinquenta anos, respeitado pela comunidade e proprietário de uma empresa de transportes que fundou e fez prosperar na cidade de Piura, no noroeste do Peru.
Sem instrução, oriundo de uma família pobre e gestor cuidadoso dos seus bens, Felícito conquistou a pulso, de uma forma tranquila, discreta e constante, atributos que se poderiam também aplicar à sua personalidade. Casado, com filhos já adultos, Felícito Yanaqué mantém uma amante de longa data, exuberante beleza da cidade. E também outra relação – não de natureza sexual – com Adelaida, uma vidente cujos conselhos Felícito segue quase sempre, quer se trate de negócios ou de matéria puramente pessoal ou, mesmo, íntima.
Tudo corre bem na cidade, tudo normal. Só que Felícito Yanaqué começa a receber cartas anónimas de extorsão; e, quando a ameaça de represálias passa à concretização, Yanaqué decide resistir a tudo isto sem apoio, estoica e discretamente. Como um herói.”
Em casa, já com um lápis na mão, abri o livro e li o cativante primeiro parágrafo «FELÍCITO YANAQUÉ, DONO DA EMPRESA DE TRANSPORTES Narihualá, saiu de casa naquela manhã, como todos os dias de segunda a sábado, às sete e meia em ponto, depois de fazer meia hora de chi kung, tomar um duche frio e preparar o – almoço habitual: café com leite de cabra e torradas com manteiga e umas gotinhas de mel (…) tudo igual a todos os dias, desde tempos imemoriais.»,
... e logo o segundo «Com uma excepção. Naquela manhã alguém tinha afixado na velha porta de madeira cravejada da sua casa, à altura da aldrava de bronze, um sobrescrito azul em que se lia claramente em letras minúsculas o nome do proprietário: SENHOR FELÍCITO YANAQUÉ. …)»
... e cheguei à primeira das três cartas anónimas recebidas pelo «herói discreto»: 
«Senhor Yanaqué,
É um orgulho para Piura e para os Piuranos que corra tudo bem à sua Empresa de Transportes Narihualá. Mas também é um risco, pois a empresa de sucesso está exposta a sofrer depradação e vandalismo por parte dos ressentidos, invejosos e outras gentes de maus costumes que aqui abundam como o senhor deve muito bem saber. Mas não se preocupe. A nossa organização encarregar-se-á de proteger os Transportes Narihualá, bem como a si e a sua digna família de qualquer percalço, desgosto ou ameaça dos facínoras. A nossa remuneração, por este trabalho será de quinhentos dólares por mês (uma insignificância para o seu património, como vê). Contactá-lo-emos oportunamente a propósito das modalidades de pagamento.
Não precisamos de lhe chamar a atenção para a importância de que o senhor seja o mais reservado possível sobre esta questão. Tudo isto deve ficar entre nós.
Fique com Deus.»
... e continuei até à última página desta história «policial de suspense» onde não falta chantagem, ameaças de morte, desavenças familiares, amores clandestinos, bruxas, medo, amizade, coragem, intrigas, crítica social, resistência a injustiças, etc., etc..
Nunca te deixes pisar por ninguém, filho. Este conselho é a única herança que vais ter.
Felícito seguiu o conselho do pai e nunca se deixou pisar. Como irá reagir à ameaça do «chantagista da aranhita»
Investigue!

O herói discreto, de Mario Vargas Llosa
Tradução de Cristina Rodrigues e de Artur Guerra
Quetzal Editores, 2013
386 págs.


08 setembro, 2020

Leve a primavera para a varanda, dizem. E eu não vou desistir!

Mais um ano, mais uma primavera, mais um verão, mais um sonho não concretizado: ver a minha varanda cheia de flores.
Depois de anos de desânimo, desisti de vasos e vasinhos na varanda virada ao mar e ao sol, a tarde toda.  Deixei apenas duas floreiras, que quase vazias de terra me lembravam que deveria continuar a sonhar.
Pois não é que este ano, este ano epidémico, terrível, negro e triste, de repente uma flor singela e bela apareceu e encheu de cor a minha varanda? Bem cedo, numa manhã de Agosto, fixei nela o olhar e a minha alegria foi tanta que não resisti a fotografá-la.
Dias depois, voltei a sorrir e a fotografar uma segunda flor. 


E não passaram muitos dias para a terceira aparecer. E eu não sorri. Não sorri porque ao lado dela, a primeira, a flor que mais alegria me deu, estava a morrer. E ao fim da tarde lá estava ela, mortinha.


E dias depois, lá estavam as três, mortinhas. 
E eu, triste, desconsolada, desalentada, sem uma única flor na varanda até ao fim do verão, respeitei o momento, não as fotografei, e apanhei as pétalas caídas no chão da varanda.
Na verdade, o que acontece com as flores acontece connosco, seres humanos: nascemos, colorimos a existência de alguém, e morremos.
Na segunda floreira nada cresceu. Não é bem assim, não desabrocharam flores mas algo cresceu e continua a crescer: uma coisita que eu enterrei na terra exactamente no dia em que a primeira flor surgiu na outra floreira. Talvez eu procurasse companhia para a florzinha.


Consegue adivinhar o que foi que eu plantei? Olhe bem para as folhas. É fácil.
Gosto de vê-la crescer, mas cresce tanto e tão rapidamente que começo a querer  que pare.
Na verdade, eu não sei o que quero. É isso! Podes continuar a crescer, coisita doce!
Quanto à primavera na minha varanda...enquanto sonho eu vivo!
P'ró ano é que é!

04 setembro, 2020

O que ando a ler devagar? "O Corpo - um guia para ocupantes", de Bill Bryson


"O CORPO - Um Guia para Ocupantes", de Bill Bryson (conhecido pelos seus cativantes livros de viagens, autor de “Breve História de Quase Tudo” (2005), é um surpreendente/deleitoso passeio pelo corpo humano, um «guia turístico» cheio de histórias, estudos, números e factos, investigação e conversas com especialistas, apresentadas numa linguagem acessível, cativante e divertida, por um autor que fez toda a pesquisa - para que nós não tenhamos de o fazer.
Para ler devagar, capítulo a capítulo, tema a tema: pele e cabelo, micróbios, cérebro, cabeça, coração e sangue, aparelho digestivo, sistema imunitário, sono, gloriosa comida, doenças (quando as coisas correm mal), o esqueleto, o fim, e tantos outros.
Deixo dois  excertos deliciosos:
“(…)A pele consiste numa camada interior, chamada derme, e numa epiderme exterior. A superfície mais extensa da epiderme, chamada estrato córneo, é composta unicamente de células mortas. Dá que pensar, que tudo o que nos torna belos está morto. Onde o corpo entra em contacto com o ar, somos todos cadáveres (…) Ninguém sabe ao certo quantos furos há na nossa pele, mas é certo que somos muito perfurados. (…) “ (O Exterior: pele e cabelo)

“(…) O grande paradoxo do cérebro é que tudo o que sabemos sobre o mundo nos é fornecido por um órgão que nunca viu ele próprio esse mundo. O cérebro existe no silêncio e na escuridão (…) Nunca sentiu a luz quente do sol nem uma brisa suave. Para o cérebro, o mundo é apenas uma sucessão de impulsos eléctricos, como os sons do código Morse. E, a partir desta informação básica e neutra, ele cria para si – cria, literalmente – um universo vibrante, tridimensional, sedutor e sensual. Você é o seu cérebro. Tudo o resto não passa de canalizações e andaimes. (…)" (O cérebro)

… o cérebro é um órgão curiosamente sossegado. O coração bombeia o sangue, os pulmões insuflam-se e esvaziam-se, os intestinos ondulam e gorgolejam discretamente, mas o cérebro está simplesmente ali, como um pudim, sem qualquer demonstração visível.
Explore e divirta-se!

(foto net)

01 setembro, 2020

Amor de mãe, amor de avó: um amor sem limites!

"A verdadeira felicidade está na própria casa, entre as alegrias da família."
(Liev Tolstói)


Continuo de coração cheio de gratidão (obrigada, Patrícia) e felicidade depois do reencontro com três amores meus: a Madalena, a Carolina, o Miguel.
Foram dias intensos de partilha de riso, mimos, carinho, amor, de muita emoção e festa. Celebrámos dois aniversários: o 4º da Madalena, no dia 25, e o 45º do Miguel, no dia 26. Celebrámos a Família e a Vida. Foi uma animação!
Não estávamos juntos desde o Natal de 2019.
Um vírus malvado, que desconhece o real sentido da palavra «amor» e capaz de coisas inimagináveis como impedir a convivência entre avós e netos, não permitiu um olhar, um toque, um beijo, um abraço. Foram meses de  um amar e sofrer à distância, um quase morrer de saudades.
O Covid 19 continua a infectar e a matar, em Portugal e no resto do mundo. Cientes dos perigos, resta-nos aguardar em segurança e tranquilidade a chegada de uma vacina capaz  de exterminar o «bicho».
Uma coisa é certa, não há distância, nem silêncio, nem saudade, nem «bicho» capaz de desassossegar o amor de mães e filhos, avós e netos. Um amor imenso.  Um amor sem limites!

(Em 1977, na festinha do 2º aniversário do Miguel.)

Nota: Regressei a casa  com o coração cheio de preciosas lembranças, e... com a barriga cheia de doces. E agora? Exercício, pão e água!

Beijos e abraços!!