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13 outubro, 2015

"Primaveras românticas" - Antero de Quental


Versos

As flores que nossa alma descuidada
Colhe na mocidade com mão casta,
São belas, sim: basta aspirá-las, basta
Uma vez, fica a gente enfeitiçada.

Nascem num prado ou riba sossegada,
Sob um céu puro e luz serena e vasta;
Têm fragância subtil, mas nunca exausta,
Falam d’Amor e Bem à alma enlevada…

Mas as flores nascidas sobre o asfalto
Dessas ruas, no pó e entre o bulício,
Sem ar, sem luz, sem um sorriso do alto,

Que têm elas, que assim nos endoidecem?
Têm o que mais as almas apetecem…
Têm o aroma irritante e acre do Vício!

25 outubro, 2011

Poema de... Antero de Quental

À  GUITARRA
Três cordas tem a guitarra,
Uma d’ouro, outra de prata…
Á terceira, que é de ferro,
Todos lhe chamam ingrata.

Ninguém faça ramalhetes
Com flores que hão-de murchar…
Ninguém tenha cordas d’ouro,
Se as não quer ver estalar!

Aprendam todos comigo
O que pode acontecer
A quem canta os seus amores
Num cabelo de mulher…

Das três cordas da guitarra
Só a terceira dá ais…
Bastou-me um amor na vida,
Um só amor e nada mais!

Quadras de Antero de Quental, Portugal (1842-1891)
Pintura (Velho guitarrista cego 1903) de Pablo Picasso, Espanha (1881-1973)