A tristeza do tempo... a dor dos séculos,
Que vão, como gemidos,
Caindo e arrastando homens e coisas...
Não se sabe a que abismo!
O vós! - se ides em busca da Verdade!
Olhai bem..., que essa mão, que assim vos leva,
Bem pode ser que seja toda treva,
Quando se aclama toda claridade!
Suspende a minha vida dos teus olhos,
Senão deixo-a cair!
Eu quero imenso horizonte Para poder delirar!
Aquelas nuvens que vemos,Esses poemas aéreos,
São sonhos que nós temos,
Nossos íntimos mistérios!
São espelhos flutuantes
Das nossas dores constantes
Aquelas nuvens que vemos...
Antero de Quental, de seu nome completo Antero Tarquínio de Quental, nasceu em Ponta Delgada, na Ilha de São Miguel - Açores, em Abril de 1842.
Foi poeta, filósofo, político e dedicou-se à reflexão dos grandes problemas filosóficos e sociais do seu tempo. Líder intelectual do Realismo em Portugal, contribuiu para a implantação das ideias renovadoras da Geração de 70, um movimento académico de Coimbra que revolucionou várias dimensões da cultura portuguesa, da política à literatura.
Suicidou-se com dois tiros em Setembro de 1891, num banco junto ao Convento de Nossa Senhora da Esperança, na cidade onde nasceu.
Mais sobre a vida e obra,
aqui.
Versos retirados dos livros: "Primaveras Românticas" e "Odes Modernas".)
Viagem aos Açores (São Miguel, Terceira, Pico, Faial), em Setembro 2019.