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24 fevereiro, 2015

"Ernestina ou as 7 fases do amor" - Stendhal

Uma ocasião, ouvi uma senhora com muito chiste e com alguma experiência afirmar que, contrariamente ao que se diz, o amor não é de geração rápida e espontânea.
- Parece-me, dizia ela, poder detectar sete fases distintas no nascimento do amor.
E, para provar o que defendia, contou o episódio que se segue.

Pois, pois, mas eu não lhe vou contar o que se segue...
Sugiro que leia esta encantadora novela (tese?) sobre os afectos e as paixões, publicada em 1822, como suplemento a “Sobre o amor”.
Acredite que o tempo não lhe alterou o "sabor" doce e apimentado.
Como é doce ser amado!
Saboreie!

Ernestina ou as 7 fases do amor, de Stendhal
Tradução de António M. Gonçalves
Colares Editora
63 págs.

26 novembro, 2013

Frases soltas... "Vermelho e Negro" de Stendhal

“O romance é um espelho que se passeia por uma longa estrada além. Ora reflecte aos olhos do leitor o azul dos céus, ora o lodo dos lamaçais da estrada. O homem que leva o espelho será indubitavelmente acusado de imoral! O espelho mostra a lama, e acusais o espelho! Acusai antes a estrada onde fica o lamaçal, e ainda mais o inspector das estradas que deixa acumular-se a água e formar-se o lamaçal.”

25 outubro, 2013

"Vermelho e Negro" - Stendhal

… as paixões são acidentes na vida…
Eis um dramático, denso e poderoso romance psicológico, cuja acção decorre no período pós Revolução Francesa.
Stendhal escreve sobre os dramas, alegrias e paixões do jovem plebeu Julien Sorel e, pelo meio, critica violentamente a igreja e a sociedade parisiense da época.
Julien tem dezanove anos, é filho de um carpinteiro de Verrières, sonha com a glória do exército de Napoleão e ambiciona riqueza e estatuto social. É arrogante, ambicioso, sedutor, traiçoeiro, sarcástico, interesseiro, mas também, cavalheiro, inteligente, sagaz, trabalhador, e com uma destas memórias espantosas que tantas vezes acompanham a estupidez.
(Enquanto leitores, ou se gosta ou se odeia. Eu consegui gostar, graças à magnífica construção da personagem e à escrita envolvente e viciante, mesmo que nem sempre fácil.)
A história está dividida em duas partes::
- na primeira parte, Julien estuda teologia com o padre Chélan (o bom velhinho que vê nele um jovem inteligente, com uma alma generosa), memoriza a Bíblia (para impressionar a alta sociedade, que despreza), e deixa a casa do pai para se tornar perceptor dos dois filhos do rico e poderoso Sr. Rênal, perfeito de Verrières. Julien odeia as crianças, mas, sendo ele um perfeito fingidor, encanta a mãe delas, uma mulher ainda jovem, bela, bondosa, muito tímida, carente de afecto e atenção, que nunca lera romances de amor. Apaixonam-se: ela perdidamente, ele…
Uma carta anónima põe fim à relação adúltera. Para evitar o escândalo, Julien é obrigado a partir para um seminário em Besançon.
Ali, é perseguido, odiado e invejado pelos outros seminaristas. Vale-lhe o apoio do padre Pinard que o aconselha… recorre a Deus, que, para te castigar da tua presunção, te deu essa necessidade de ser odiado; que a tua conduta seja pura: é o único recurso que te resta e, para o salvar daquela perseguição o recomenda, como secretário, ao Marquês de La Mole. Julien é contratado e parte para a grande cidade: Paris. Antes, porém, encontra-se secretamente com a amante e amiga, a Sra. De Rênal.
- na segunda parte, Julien vive no palácio de La Mole e não esquece as palavras do padre Pinard: para pessoas da nossa condição, o único caminho para a fortuna são as boas relações com a fidalguia.
Julien, trabalha na magnífica biblioteca do palácio. Sendo ele um leitor compulsivo, é lá que encontra algum conforto… nos donos da casa havia tanto orgulho como tédio. Estavam habituados a ultrajar os outros para se divertirem… e é lá que um dia se cruza com a menina De La Mole, a altiva e orgulhosa Mathilde. Ele, interesseiro, inicia a conquista, ela rejeita-o… mas, despois, deixa-se seduzir.
O casamento com Mathilde é impedido por uma carta da Sra. De Rênal.
Perdido de raiva, Julien dispara dois tiros contra a amiga. Será ele a morrer na guilhotina, poucos meses depois, não sem antes descobrir o amor verdadeiro e sentir prazer nas lágrimas.
Julien tem vinte e três anos.
Não faltei eu a nada do que me devo a mim próprio? Desempenhei bem o meu papel? E que papel! O de um homem acostumado a ser brilhante com as mulheres.
Gostei de bisbilhotar a vida intricada de Julien Sorel.
Que grande romance!
 
Vermelho e Negro, de Stendhal (Henry Marie Beyle, 1783-1842)
Editorial Inquérito
Tradução de José Marinho
494 págs.