19 fevereiro, 2019

À terça - imagens e palavras: "ditaduras"

“Não há ditaduras boas, da mesma forma que não há doenças boas. Há democracias avançadas e vigorosas e há democracias em crise, democracias frágeis, democracias necessitadas de um novo começo. O que não há com toda a certeza é democracias que possam ser substituídas com proveito por uma qualquer ditadura. Nenhuma democracia é tão má que consiga ser pior do que a melhor ditadura."


José Eduardo Agualusa, escritor angolano (1960), in “O paraíso e outros infernos”, Ed. Quetzal, 2018
(Foto da net.)

15 fevereiro, 2019

"Eu adoro todas as coisas" - versos de Fernando Pessoa


Eu adoro todas as coisas
E o meu coração é um albergue aberto toda a noite.
Tenho pela vida um interesse ávido
Que busca compreendê-la sentindo-a muito.
Amo tudo, animo tudo, empresto humanidade a tudo,
Aos homens, às pedras, às almas e às máquinas,
Para aumentar com isso a minha personalidade.

Pertenço a tudo para pertencer cada vez mais a mim próprio
E a minha ambição era trazer o universo ao colo
Como uma criança a quem a ama beija.
Eu amo todas as coisas, umas mais do que outras,
Não nenhuma mais do que outra, mas sempre mais as que vou vendo
Do que as que vi ou verei.

Nada para mim é tão belo como o movimento e as sensações.
A vida é uma grande feira e tudo são barracas e saltimbancos.
Penso nisto, enterneço-me mas não sossego nunca.
Versos de Álvaro de Campos, heterónimo de Fernando Pessoa (1883-1935)

Sabia que (8):
1917 – O Governo português intervém na Guerra enviando um corpo expedicionário para a frente francesa. Pessoa confia aos seus escritos pessoais as suas reflexões e as suas angústias acerca do conflito mundial.
1919 – Escreve os Poemas Inconjuntos de Alberto Caeiro, com a data fictícia de 1913-1914, por coerência diacrónica com a biografia do heterónimo, morto em 1915.
Falece em Pretória (5 Outubro) seu padrasto o Cônsul João Miguel Rosa. 
Pessoa dedica-se à ensaística política.
1920 – Publica na revista inglesa «The Athenaeum” o poema Meantime, e em «Ressureição» o soneto Abdicação.
Em Março conhece Ophélia Queiroz com a qual estabelece uma relação sentimental.
Sua mãe e seus irmãos regressam a Portugal. Vai viver com eles.
Participa frequentemente, com o nome de A.A. Crosse, nos concursos charadísticos do «Times».
Em Outubro atravessa uma grande depressão psíquica e pensa internar-se numa casa de saúde.
Em Novembro interrompe a relação com Ophélia.
1921 – Funda a Editora «Olisipo» onde publica os seus English Poemas I e II e A invenção do Dia Claro de Almada Negreiros.”
("Fernando Pessoa, uma fotobiografia", de Maria José de Lancastre).

Não sabia? Eu também não!
O que importa é que agora sabemos.
Prometo partilhar mais informações sobre a vida do poeta do desassossego.
(Foto da net)

14 fevereiro, 2019

"Dá-me mil beijos..." - a matemática do AMOR!


"Dá-me mil beijos, a seguir cem, depois outros mil, a seguir mais cem, a seguir mil, depois cem; por fim, quando tivermos somado muitos milhares, baralharemos a conta para não a sabermos e para que nenhum invejoso nos possa lançar mau olhado quando souber que nos demos tantos beijos."

Beijem e namorem muito! Hoje, amanhã... todos os dias!

Isabel Allende, in "Afrodite – Histórias, Receitas e outros Afrodisíacos".
Fotos da net.

12 fevereiro, 2019

Á terça - imagens e palavras: "dor verdadeira"


“A morte de uma criança é a única
 dor verdadeiraÉ com esta dor, única, que se comparam todas as outras.”


Sándor Márai, escritor húngaro (1900-89), in “A mulher certa”, ed. Dom Quixote, 2009
(Foto da net.)

08 fevereiro, 2019

"O paraíso e outros infernos" - José Eduardo Agualusa

Vivendo em grandes cidades, estamos cercados de náufragos, cada qual na sua ilha deserta. Dessas ilhas eles avistam o mundo; o mundo é que não os vê. Não conheço pior solidão.
(Náufragos na cidade)

Se foge de obras longas e encontra prazer na leitura de pequenos textos, “O paraíso e outros infernos” é o livro certo para si pois reúne 180 textos “reescritos a partir de crónicas publicadas no jornal brasileiro O Globo e no jornal electrónico angolano Rede Angola” e diversas entradas do diário do autor.
São muitas as crónicas e variados os temas abordados: política, religião, critica social, amor, literatura, poesia, cinema, lusofonia, detalhes da vida do autor, etc.. Como a prosa deste escritor angolano é simples, irreverente e viciante, os pequenos textos “devoram-se” num ápice. Mas atenção, alguns são para ler, reler e reflectir.
Gostei muito, muito, muito de ler este livro.
Leia também, para saber porque gostei eu muito, muito, muito de o ler.
Se não o ler nunca saberá, por exemplo, o que escreveu JEA sobre Angola, Brasil, Moçambique, Portugal. Ou sobre Jorge Luis Borges. Ou sobre Jorge, o Pensador. Ou sobre o cabelo da filha. Eu, sei tudo!
Deixo-lhe excertos de algumas crónicas, para despertar a sua curiosidade:
Gosto de pensar que sendo África o continente-mãe, o berço da Humanidade, persista no coração de cada africano um desejo de abraçar a Terra toda. Mais do que isso, a capacidade de perceber em cada homem a Humanidade inteira, exilada pelo Mundo. Ou isso, ou eu sofro de um perigoso excesso de romantismo. É bem provável.
(Maravilhosa apropriação cultural)
Acredito nas propriedades mágicas da poesia. Leio Adélia Prado como se rezasse (…)
Enquanto leio, sei que em algum lugar, lá, onde todos os sonhos se formam, terá começado a erguer-se um novo dia. E nesse dia novo, cuja luz mal enxergamos, o Brasil começou já a reconciliar-se com o Brasil, e está voltando a conquistar o mundo através da sua alegria e das suas canções.
Amén.
(Em caso de emergência solte a poesia)
Quando a paixão nos toma, somos maiores do que nós. Somos, de alguma maneira acertada e misteriosa, a Humanidade inteira.
(Aquele preciso instante de glória)
A minha avó preveniu-me muitas vezes: «Nunca te cases, menino, mas se, por infelicidade, isso acontecer, então nunca te separes. Só há um erro pior do que o casamento – o divórcio.”
(Drama particular, comédia pública)

Recomendo, claro!
(Leia, com um lápis afiado na mão.)

“O paraíso e outros infernos”, de José Eduardo Agualusa
Ed. Quetzal, 2018
335 págs.

05 fevereiro, 2019

À terça - imagens e palavras: "família"


“Há imensas coisas na história de uma família que são pura fantasia: qualquer família. As histórias vão passando de geração em geração
 e a verdade vai-se perdendo”.


Cormac McCarthy, escritor americano (1933-), in “Este país não é para velhos”, Ed. Relógio d’Água, 2007

Leia mais sobre este violento mas magnífico romance aqui.
(Foto da net.)

01 fevereiro, 2019

"Green Book - Um guia para a vida " - filme



Green Book – um guia para a vida” (EUA, 2018, 130 min.), comédia dramática sobre direitos civis, realizada por Peter Farrelly e protagonizada por Vigo Mortensen e Mahershala Ali, é um retrato sociológico/denúncia da América profunda retrógrada e racista dos anos 60.
Inspirado em factos reais, o filme conta a enternecedora e envolvente história de Don Shirley (Mahershala Ali), conceituado pianista de música clássica, elitista, poliglota, «um príncipe» solitário, que em Dezembro de 1962 decide fazer uma torunée de oito semanas pelo sul racista dos Estados Unidos.  Consciente dos problemas que irá enfrentar, o pianista decide contratar um motorista branco capaz de resolver “todos” os problemas. Escolhe Tony (Lip) Vallelonga (Vigo Mortensen – engordou 20kg para o papel), um italiano grosseiro, preconceituoso, bom chefe de família, segurança desempregado que... odeia negros.
Será uma longa, solitária e atribulada viagem. E inspiradora para dois homens de «mundos diferentes» que absurdas contradições de um país aproxima e une para sempre. Será uma viagem de aprendizagem: o homem negro ensina boas maneiras ao homem branco, o homem branco ensina o homem negro a ser negro.
O título do filme - “Green Book” – foi retirado do «The Negro Motorist Green Book», um guia de viagens destinado a negros, com indicação de hotéis, restaurantes e outros locais que podiam frequentar naquele território americano de maioria branca e rica.
Com cinco nomeações aos Óscares 2019 - Melhor Filme, Melhor Actor (Vigo Mortensen), Melhor Actor Secundário (Mahershala Ali), Melhor Montagem, Melhor Argumento Original) “Green Book” foi entretanto distinguido com vários prémios, nomeadamente o de Melhor Filme do Sindicato dos produtores (PGA), e três Globos na 76ª Edição dos Globos de Ouro: Melhor Argumento Original, Melhor Filme na categoria Musical ou Comédia, Melhor Actor Secundário na mesma categoria (Mahershala Ali)
Este é sim, um belo filme. Veja e fique atento à extraordinária interpretação de Mahershala Ali.
Eu dou nota 5.



30 janeiro, 2019

SAUDADE ETERNA - feliz 90º aniversário, minha mãe!


AUSÊNCIA
Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua

Por mais que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.


"Amamos as nossas mães quase sem o saber e só nos damos conta da profundidade das raízes desse amor no  momento da derradeira separação."


Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen, poetisa portuguesa  (1918-2004)
Frase de Guy de Maupassant, escritor francês (1850-93)
Flores, do jardim da minha mãe (1919-2017)
Coração, da net.

29 janeiro, 2019

À terça - imagens e palavras: "mel"






“Achaste mel? Come só o que te for suficiente…”


David Grossman, escritor israelita (1954-), in “Até ao fim da terra”, Ed. Dom Quixote, 2012

Leia mais sobre este admirável romance aqui.
(Foto da net.)

25 janeiro, 2019

Viajando e aprendendo: Seychelles e África do Sul

"A viagem é melhor que o fim."
Miguel de Cervantes, escritor espanhol (1547-1616)

Em 1995 celebrámos o Natal nas Seychelles e a Passagem de Ano na África do Sul.
O Carlos estava no norte de Moçambique em serviço, eu fui ter com ele a Maputo e dali voámos para Mahé, via Johannesburg. 
Mahé é a maior (28 km comprimeto/8 km largura) e mais habitada das 115 ilhas do arquipélago das Seychelles – independente do Reino Unido desde 1976 - um paraíso localizado no Oceano Índico Ocidental, visitado por turistas de todo o mundo.
Com  baías cristalinas, praias de areia branca, águas azul-turquesa, hotéis luxuosos ou modestos, vegetação verde e luxuriante (chuvisca todos os dias) e uma temperatura amena e constante, é o destino exótico ideal para quem gosta de banhos de mar em praias quase desertas, fazer mergulho, admirar a natureza, comer peixe fresquíssimo, conviver e descansar.
Ali não se vivem noites ruidosas. Ali a natureza impõe silêncio.
Ficámos alojados num pequeno hotel familiar localizado sobre a areia de uma  praia encantadora. E foi quase em família que celebrámos o Natal.
Na primeira ida à praia, a nossa máquina fotográfica resolveu “experimentar”a água salgada e de imediato deixou de funcionar.
Eu entrei literalmente em pânico. Como iria fazer o registo fotográfico da viagem?
No jipe que alugámos (a melhor forma de nos movimentarmos na ilha e acedermos às praias, centro histórico e outros pontos turísticos) fomos à procura de uma nova máquina.
Em Victoria, a capital com cerca de 23 mil habitantes, comprámos a única que havia à venda: uma descartável da Kodak. Com ela fiz o mini registo fotográfico da estada nas Seychelles. Tudo o que não consegui registar em fotografias - lugares, cheiros, cores - tive de guardar na memória . Como, por exemplo, a visita ao peculiar Victoria Market ou a ida de barco à paradisíaca Ilha Moyenne.
E chegou o dia do adeus e lá voámos nós para Johannesburg, a maior cidade da África do Sul, e seguimos depois de automóvel para Sun City.
Sun City é um luxuoso, extravagante e impressionante complexo de entretenimento, situado a cerca de 200 quilómetros de Johannesburg.
Ali encontrámos hotéis, um casino gigantesco com centenas e centenas de máquinas (pode entrar-se em fato de banho), lagos, uma praia artificial com ondas que atingem 1,9 metros de altura, campos de golfe, cinemas, espectáculos de luz e som com esculturas de animais selvagens em tamanho real, restaurantes, bares, etc., etc., etc.
É, acreditem, maravilhoso!
Depois do animado final de ano, voltámos a Johannesburg e de lá voámos para o Kruger National Park.
O Kruger Park, criado em 1898 pelo presidente Paul Kruger, é um dos dez parques naturais mais importantes do mundo.
Tem cerca de 350 km de comprimento e 60 de largura e hospeda mais de quinhentas espécies de aves, 112 de répteis e 150 de mamíferos, bem representados por uma população de leões, leopardos, búfalos, elefantes e rinocerontes.
Por curiosidade diga-se que cerca de 20km2 do parque fazem fronteira com Moçambique.
Dentro do parque há mais de vinte acampamentos, equipados com restaurantes, piscinas e bungalows.
Nós ficámos 4 dias no acampamento de Skukuza, alojados num confortável bungalow cuja porta não tinha sequer fechadura. Quando me dei conta engoli uma, duas, três vezes em seco...  mas tudo correu bem!
Pela manhã, bem cedinho, saíamos do acampamento com o guia, um sul-africano simpático e competente, e mais três turistas – uma alemã e duas italianas - à procura de animais do parque. Andávamos naquela busca todo o dia (parávamos apenas para almoçar e sempre em acampamentos diferentes) e íamos anotando num folheto próprio os animais que avistávamos. 
Ao jantar,  no restaurante do acampamento ou ao ar livre (em jantares de grupo à volta da fogueira) trocávamos opiniões sobre o que víamos durante o dia.
O animal mais difícil de localizar foi o leão. Foi no último dia que encontrámos uma família de leões. Bem longe da estrada, escondidos pela vegetação, o retrato da família foi difícil de captar. Recordo o regozijo do guia, a avisar os seus colegas-guias da localização dos animais.
Vimos elefantes. Enormes, marcavam o seu território com assustadores urros.
Vimos leões, zebras, girafas, búfalos, veados, etc., etc., etc.
Macacos, vimos muitos. Atrevidos, aproximavam-se da viatura à espera de comida.
Foi um Dezembro inesquecível!

Muito tempo já passou e tudo nestes dois destinos turísticos está certamente bem diferente.
As fotos não têm grande qualidade. Só no regresso do Kruger Park comprámos uma nova máquina fotográfica num enorme Shopping Center, próximo do aeroporto.
Lamentavelmente, não conheci Johannesburg, a maior cidade da África do Sul. Uma sensação de insegurança obrigou-nos percorrer de taxi o centro da cidade, e a degradação e sujeira que por lá vi inibiu-me de o fotografar.
À Africa do Sul espero voltar. Às Seychelles, hum!, já estive em lugares paradisíacos que me seduziram muito mais.
O fim desta viagem foi tristinho. De Johannesburg o Carlos voou para Maputo. Eu voei, várias horas depois dele, directamente para Lisboa. Confesso,  no avião derramei uma lagrimita.
(Semanas depois, recebi em casa esta foto 
enviada por uma das turistas italianas do grupo de Skukuza. Amei!)

(Mais fotos aqui e aqui.)

22 janeiro, 2019

À terça - imagens e palavras: "gelo"

“Despedimo-nos das pessoas com uma graçola pateta, rimo-nos no patamar da escada, no elevador o gelo instala-se de imediato. 
Devia um dia estudar-se este silêncio noturno, típico das viagens de carro nos regressos a casa, após se ter exibido a felicidade à frente do público, um misto de arregimentação e de mentira autoinfligida.”


Yasmina Reza, escritora francesa (1959-), in “Felizes os felizes”, Ed. Quetzal, 2014

Leia mais sobre este encantador romance aqui
(Foto da net.)

18 janeiro, 2019

"Cinco Esquinas" - Mario Vargas Llosa

Suponho que o senhor saiba isso de sobra: somos um país de mexeriqueiros. Queremos conhecer os segredos das pessoas e, de preferência, os da cama. Por outras palavras, e perdão pela grosseria, quem se enrola com quem e de que maneiras o fazem. Meter o nariz na intimidade das pessoas conhecidas. Dos poderosos, dos famosos, dos importantes. Políticos, empresários, desportistas, cantores, etc. E, se há alguém que sabe fazer isso, digo-lhe com toda a modéstia do mundo, sou eu.
Publicado em 2016, “Cinco Esquinas” é um misto de romance, sátira e crítica social. Um retrato do Peru nos anos do governo corrupto do presidente Alberto Fujimori; do terror da polícia política; dos atentados e sequestros do Sendero Luminoso e do Movimento Revolucionário; do compadrio e sensacionalismo jornalístico.
(Afirmam alguns críticos que é o ajuste de contas de Mário Vargas Llosa, derrotado por Fujimori na corrida eleitoral à Presidência do Peru, em 1990.)
Para compor o retrato crítico do país MVL divide a acção por dois cenários e cria um leque de personagens burlescas, desprezíveis, trágicas: o mundo (im)perfeito de dois casais da burguesia peruana, Marisa e Enrique, Chabela e Luciano, (Marisa e Chabela vivem uma tórrida e secreta (?) história de amor); o Destapes, pasquim calunioso dirigido pelo odiado  Rolando Garro, assim descrito por Enrique (a sua última vítima de chantagem): andar tarzanesco, esbracejando e rebolando-se...sorrisinho ratoneiro... cabelos lambidos... vozinha estridente, olhos pequeninos e movediços, corpinho raquítico...
A estas personagens juntam-se muitas outras mas duas há que merecem destaque, Retaquita (inesquecível) a jornalista do pasquim, que professava por Rolando uma devoção canina e “Doutor”, o secreto chefe dos serviços secretos e, segundo rumores, mecenas do pasquim.
Leia agora a sinopse:
“À conversa, sem os maridos, e desatentas à hora do recolher obrigatório, Chabela e Marisa terão de pernoitar juntas. O que aconteceu na cama passará a ser um saboroso segredo. Chabela é mulher de um advogado de renome; Marisa, de uma das figuras cimeiras da exploração de minas. O mundo perfeito em que vivem – não fora a constante ameaça dos guerrilheiros e sequestros – será fortemente abalado por um escândalo. Após uma tentativa de chantagem por parte de Rolando Garro, director do pasquim Destapes, a participação do engenheiro Enrique Cárdenas numa orgia será tornada pública em todos os seus detalhes mais sórdidos. Segue-se um assassino brutal. Mas a relação de tudo isto com o poder político, nomeadamente com o homem que na sombra governa de forma corrupta o país, o Doutor, braço direito do Presidente, será revelada: curiosamente pela coragem e fibra da redatora principal do referido tabloide; conhecida por Retaquita.”

Se pensa que ficou a saber tudo sobre este romance/comédia burlesca/crítica social, não ficou, não!
Compre, leia, deixe-se surpreender pelo original “happy end”, e ria, ria, pois é pura diversão!
Há verdades que doem, que preferíamos que fossem mentiras...
Li de um fôlego só!

Cinco Esquinas”, de Mario Vargas Llosa
Tradução de Cristina Rodrigues e de Artur Guerra
Quetzal Editores, 2016
316 págs.

15 janeiro, 2019

À terça - imagens e palavras: "queda"



“A vida é uma longa queda… o importante 
é saber cair.”


Frase de Joël Dicker, escritor suíço (1985-), in “A verdade sobre o caso Harry Quebert”, Ed. Alfaguara, 2013

Leia  mais sobre este labiríntico romance aqui.
(Foto da net.)

11 janeiro, 2019

"O que penso eu do mundo?" - versos de Fernando Pessoa



O que penso eu do mundo?
Sei lá o que penso do mundo!
Se eu adoecesse pensaria nisso.
Que ideia tenho eu das coisas?
Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?
Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma
E sobre a criação do Mundo?
Não sei. Para mim pensar nisso é fechar os olhos
E não pensar. É correr as cortinas
Da minha janela (mas ela não tem cortinas).
O mistério das coisas? Sei lá o que é mistério!
O único mistério é haver quem pense no mistério.
Quem está ao sol e fecha os olhos
Começa a não saber o que é o sol
E a pensar muitas coisas cheias de calor.
Mas abre os olhos e vê o sol,
E já não pode pensar em nada,
Porque a luz do sol vale mais que os pensamentos
De todos os filósofos e de todos os poetas.
A luz do sol não sabe o que faz
E por isso não erra e é comum e boa.

Versos de Alberto Caeiro, heterónimo de Fernando Pessoa (1883-1935)

Sabia que (7):
1914 - Colecciona e traduz para um editor inglês 300 provérbios portugueses.(...)
Oito de Março: «dia triunfal» da sua vida; surge Alberto Caeiro e escreve os poemas do Guardador de Rebanhos. (...)
É também deste período o aparecimento de Álvaro de Campos.
É de Junho a primeira poesia de Ricardo Reis.
No Outono deste ano começam as reuniões do grupo de que sairá «Orpheu».(...)
Em Novembro Fernando Pessoa atravessa uma profunda crise depressiva e escreve «quebrados e desconexos pedaços» do Livro do Desassossego. (...)
1915 - Primeira versão de Antinous.
Sai em Março o primeiro número de «Orpheu», acolhido com irritação e troça pela crítica e pelo público, que traz entre outras coisas O Marinheiro de Pessoa, Opiário e Ode Triunfal de Campos.
Colabora esporadicamente no quotidiano «O Jornal» de Boavida Portugal, na rubrica Crónicas da Vida que Passa. A colaboração é interrompida depois de um artigo de tom paradoxal que é mal recebido pela redacção.
Traduz para a Livraria Clássica o Compêndio de Teosofia de C. W. Leadbeater."
("Fernando Pessoa, uma fotobiografia", de Maria José de Lancastre).

Não sabia? Eu também não!
O que importa é que agora sabemos.
Prometo partilhar mais informações sobre a vida do poeta do desassossego.
(Foto da net)

08 janeiro, 2019

À terça - imagens e palavras: "dinheiro"


“Se pensam que é difícil falar sobre dinheiro quando se está totalmente apaixonado, experimentem falar sobre ele mais tarde, quando estiverem desiludidos, zangados e o amor tiver morrido”.


Frase de Elizabeth Gilbert, escritora norte-americana (1969-) in “Comprometida", Ed. Bertrand, 2010
(Foto da net.)