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06 março, 2020

Espaço dos amigos (2): um Céu sem limites, um Rio... de poemas!

Chica e Jaime,  dois amigos que encontrei na  blogosfera.
A Chica é aquela amiga que todos os dias, bem cedo, nos manda palavras perfumadas, carinhosas e motivadoras, escolhidas como flores frescas. A amiga generosa, que recorda datas importantes, participa em todos os desafios, manda mimos quando percebe que algo nos preocupa. A amiga que fotografa céus, mares, raízes, plantas... (e até férias praianas...), e escreve frases e versos encantadores. A amiga que gosta de dar destaque ao que publicam os amigos (eu já  por lá vi céus e mares meus).  Muitas vezes me interrogo: como consegue a Chica publicar tanto e dar-se tanto, a tantas amigas e amigos?
(Diz-me só a mim, querida amiga, qual é o teu segredo. Já deves ter percebido que eu a «gerir» comentários sou um zero, um zerinho!)
O amigo Jaime é mais recatado, um avô babado (é tudo o que eu sei dele), um criador poético inspirado e inspirador. Semanalmente, brinda-nos com versos ricos em ritmo e emoção, que exigem a nossa atenção e instigam a nossa imaginação. Poetiza sobre vários temas, mas é o amor o seu «amor de perdição». (Hoje, aqui, eu confesso que por mais que investigue lendo e relendo verso a verso dum mesmo poema, ainda não descobri se naquele tanto amor o poeta a si se revela...)
Uma coisa não me sai da cabeça: porque não publica ele os seus poemas em livro?
(Se preferires, oh meu amigo diz agora, só para mim, aqui que ninguém nos ouve!)


                                                            ( Chica,  blogue "Céus da Chica", 12 Fevereiro 2020)

"Brilhos que nos chegam  aos pedacinhos..." (Chica)
"Nada melhor para os olhos e coração do que o lindo mar de perto ou longe admirar!" (Chica)
"Por mais tortos e enroscados que seja nossos "galhos", sempre poderemos com eles conviver!!!" (Chica)

                                                                   (Chica,  blogue "Mares da Chica", 26 Setembro 2019 )

VERSOS NA AREIA
A noite
é uma lua diurna sem chama.
O meu rio
é um mar de estrelas sem praia.
O silêncio
é um remanso sem rua de palavras.
A nova que se renova,
mas não mostra a outra face.
No chão,
vejo-a nua na distância
do seu véu de luz usual.
A noite ofega
e a lua nega-se cheia, sem ânsia.
O mar, com tanto isco,
mareia sem moliços no papel.
As estrelas, já orvalhadas,
dançam na rua feia sem nada.
Corro o risco, mas arrisco,
risco estes versos na areia
(Jaime, 19 Julho 2018)
                                                                         (Chica,  blogue "Fincando raízes...", 12 Agosto 2019)

UMA PLANTA, FRÁGIL QUE SEJA
Uma planta, frágil que seja,
move-se,
agita-se,
retorce-se e pode até perder folhas e ramos,
mas aproveita acção do vento
para afundar as raízes no solo
e ganhar mais equilíbrio,
enfrentando-o sempre mais forte.

Cambaleias e dobras-te
no vendaval dos lençóis escuros da insónia,
com o sabor adormecido na boca em desejo,
e maldizes os cardos que o teu corpo
teima em abrir na solidão do teu peito.
Magoas-te desgrenhada no sonho
à procura do equilíbrio,
mas cresces.

Enquanto isso acontece,
nada mais devo fazer que fabricar prateleiras
para que organizes
a tua lucidez e os teus gestos.
(Jaime, 14 Junho 2018)

Se não os conhece (duvido!), espreite os blogues:

Agora, peço que atentem no magnífico poema meu (!) feito com títulos de nove poemas do Jaime, publicados em 2015 e 2016.

Os poemas podem ser
O eco do silêncio
A seiva que nos percorre
O oposto do sol-posto
Madrugadas de pétalas marinhas
Um beijo sonante
Dança de pássaros
Cravos vermelhos
(Um) Rio sem margens

Hum, talvez lhe falte um bom título! 
(Não te zangues, poeta!)

Obrigada, amigos!

24 janeiro, 2020

Espaço dos amigos (1): poemas da Graça, olhares da Gracinha!

Graça e Gracinha são duas amigas da blogosfera que eu admiro muito.
A Graça, pela sensibilidade poética e beleza dos versos que falam de amor, solidão, mar, pássaros, casas, lugares da infância, das «coisas da vida», como ela diz.
A Gracinha, pelo perspicaz olhar fotográfico, garra de viajante incansável, generosa partilha de momentos seus. Com ela já «olhei» lugares belíssimos de Portugal, e elaborei roteiros para próximos passeios meus.

(Gracinha, 11 Dezembro 2019 )

Foram embora os pássaros.
Foram embora,
procurando um tempo
onde a luz deflagre em suas asas.
O seu inevitável regresso 
há-de acompanhar
a rotação dos ventos.
E quando, nos seus ombros, 
nenhum excesso de solidão
me mutilar os braços,
eles hão-de chegar, de novo,
como um incêndio.
Os pássaros.
(In "Uma extensa mancha de sonhos", 2008)

(Gracinha,  24 Novembro 2019 )

Gosto de objectos geométricos desenhados
a compasso por mãos intransigentes.
A multiplicidade dos traços povoa
e despovoa a beleza dos lugares
que nos pendem como se fôssemos árvores.
Preciso e exacto será o momento
 em que regressaremos ao silêncio
com passos de cinza.
Calados nos hão-de vigiar os deuses e os homens.
(In "O silêncio: Lugar habitado", 2008)

(Gracinha,  31 Outubro 2018)

Desenrola-se em nossos olhos
a vertigem transparente
que agride o declínio do dia
quando a lua se encosta nos vidros
e temos o nevoeiro da espera colado nos sonhos.
Há muito que sabemos como é intocável a luz
do orvalho na raiz da mágoa.
Palavras em estilhaços flutuam sobre os móveis
como fantasmas ou como as fadas
da mais antiga infância.
Respiramos devagar o sopro errante do vento.
(In "A incidência da luz", 2011)

A escolha dos poemas e olhares para esta publicação não foi tarefa fácil: todos os poemas da Graça merecem destaque; as centenas de fotos da Gracinha também.
Para quem ainda não as conhece, deixo aqui os seus cativantes blogues:
Graça - http://ortografiadoolhar.blogspot.com/
Gracinha - https://crocheteandomomentos.blogspot.com/

"O fotógrafo tem a mesma missão do poeta: eternizar o momento que passa."
Mário Quintana, poeta brasileiro (1906-1004).

Obrigada, amigas!