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19 dezembro, 2014

"A pomba e a rosa" - conto de Ramiro Calle


A pomba e a rosa
“O Sol começava a despontar. Os primeiros raios rasgaram a escuridão da noite e, com a claridade do novo dia, uma pomba, volitando, entrou inadvertidamente num templo. Todas as paredes do santuário estavam cobertas com espelhos. No centro do santuário, em oferenda ao Absoluto, o sacerdote colocara uma belíssima rosa, que se reflectia nos espelhos provocando inúmeras imagens de si mesma. A pomba, tomando os reflexos da rosa pela rosa verdadeira, começou a lançar-se contra um e outro espelho, chocando violentamente contra eles, incansavelmente, até que o seu pequeno e frágil corpo sucumbiu. Morta, a pomba tombou sobre a rosa.

Em qualquer ser humano encontra-se o real e o adquirido; o essencial e o aparente. A busca do bem-estar exterior deve ser associada e complementada com a busca do bem-estar interior. Se uma pessoa puser toda a sua energia ao serviço da aparência, da imagem e da personalidade, consumirá a sua vida cativa dos reflexos, e de costas viradas para a sua natureza real, ou essência. É preciso aprender a distinguir entre o acessório e o substancial mediante o discernimento correcto, e ir recuperando esse “eu verdadeiro”, diferente do “eu social”. A rosa do conhecimento desponta dentro de nós mesmos.

Os Melhores Contos Espirituais do Oriente” – Ramiro Calle, ed. A esfera dos Livros.

Foto tirada da net.

16 dezembro, 2014

"O matrimónio" - conto de Ramiro Calle

O matrimónio
“Embora estivessem casados há apenas uns meses, não eram capazes de parar de discutir quase permanentemente e muito crispadamente. Por essa razão, decidiram visitar um homem que tinha fama de conselheiro. Puseram-no a par dos temas das discussões porque cada um pensava ter razão sobre o outro. O conselheiro disse:
- O par perfeito é aquele em que os dois se transformam num só.
E então, muito aflitos, ambos perguntaram em uníssono:
- Mas em qual dos dois?

O ego procura incansavelmente a maneira de se afirmar e de se reafirmar, de consolidar a sua estrutura e aumentar a sua burocracia, de exercer como um tirano e não ceder nas suas exigências. Um ego exacerbado rouba-nos a paz e a felicidade. Todos ficamos aflitos com a ideia de sentir o nosso ego ameaçado e não nos apercebemos de que o ego não é a nossa essência. A ego-realização, que nos acorrenta, é muito diferente da auto-realização, que nos liberta.”

Os Melhores Contos Espirituais do Oriente, de  Ramiro Calle, Ed. A esfera dos Livros.

Foto tirada da net.

24 janeiro, 2011

"Os melhores contos espirituais do oriente" - Ramiro Calle

Na sequência de várias viagens à Índia e Ásia, Ramiro Calle compilou cerca de mil contos. Destes, seleccionou e traduziu duzentos e cinquenta. Depois, acrescentou a cada conto um breve comentário e divulgou tudo num livro encantador.

O fio condutor dos contos é o despertar da consciência, para nos tornarmos melhores seres humanos.
Aqui fica um, escolhido entre tantos que me marcaram, apenas por ser pequenino:

O riso
“Um monge vivera os últimos anos da sua velhice na mais absoluta paz. Encontrava-se no seu leito, agonizante, e os seus colegas do mosteiro choravam à sua volta. De repente, o monge lançou três sonoras gargalhadas.
- Irmão – sussurravam os monges -, como se pode rir se nós estamos a chorar?
- A primeira gargalhada foi pelo vosso medo da morte; a segunda, porque não estão preparados para enfrentá-la; e a terceira porque eu passo da fadiga ao descanso e vocês, em vez de se alegrarem, andam por aí a choramingar.
Dito isto, fechou os olhos aprazivelmente e expirou.

A morte faz parte da vida. Uma e outra correspondem-se e complementam-se. Não é fácil relacionarmo-nos com a morte e, menos ainda, afrontá-la com equanimidade. Mas a morte pode encarar-se como conselheira e pode ajudar-nos a superar a nossa petulância, os apegos tolos e as mesquinhices."

Este é um livro para colocar num lugar bem visível da nossa estante.
Porquê? Para nos socorrer quando necessitarmos de "alimento" para a mente e para o coração.

Os Melhores Contos Espirituais do Oriente, de Ramiro Calle
A esfera dos livros, 2006
Tradução de Margarida Cardoso de Meneses
430 págs