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20 fevereiro, 2018

À terça - imagens e palavras: "olhos"


“A vida é o que se vê nos olhos das pessoas.”

Virginia Woolf, escritora inglesa (1882-1941), in “Contos – Um romance que não foi escrito”, Ed. Relógio d’Água, 2004
(Veja mais no blogue Pétalas de Sabedoria)
Foto da net.

20 setembro, 2013

Dois autores, dois estilos, o mesmo verbo: "derramar"


 Contos, de Virginia Woof (1882-1941)
… refulgiam róseas e de novo refulgiam alaranjadas quando o sol, derramando-se pelas macieiras, incidia nelas. (No pomar)
… quando Miss Milan lhe pusera o espelho na mão e Mabel se olhara com o vestido novo, finalmente pronto, uma felicidade extraordinária se derramara no seu coração. (O vestido novo)
… o ramo de uma árvore à sua frente embebia-se e penetrava a sua admiração pelas pessoas daquela casa; derramava-se em gotas de outro; ou permanecia erecto como uma sentinela. (Resumo)
… Sasha já não se sentia capaz de derramar por cima do mundo inteiro a sua nuvem de ouro. (Resumo)
… o espelho começou a derramar sobre ela uma luz que parecia fixá-la, que parecia um ácido corroendo o acessório e superficial para deixar apenas a verdade. (A senhora no espelho: uma reflexão)
 
A travessia, de Cormac McCarthy (1933-)
… onde o regato se derramava para sul.
… em cujo seio o mundo audível se derramava.
… olhou para ele à luz que se derramava da porta aberta.
… a luz do meio-dia se derramava sobre os campos.
… o cabelo escuro dela derramava-se sobre o ombro do irmão…
… examinou aqueles mundos derramados nas suas pálidas ignições sobre a noite sem nome…
…cabelo claro que ele já não cortava há muito tempo derramado em volta dele…
 
O que eu me diverti a procurar, sublinhar, contar e guardar estas frases.
Enfim, o calor de Agosto faz destas coisas…
 
(“Derramar”, do inglês spill, shed, pour in)

13 setembro, 2013

Contos de... Virginia Woolf

Foi talvez por meados de Janeiro deste ano que vi pela primeira vez, ao olhar para cima, a marca na parede. Quando queremos fixar uma data precisamos de nos lembrar do que vimos.
Começa assim “A marca na parede”, o primeiro dos contos desta compilação da Relógio d’Água (2004), que só agora descobri, comprei, devorei e… adorei.
Por momentos “emperrei “ no primeiro conto e desanimei, mas logo “mergulhei” no segundo, rejubilei e não mais parei.
. A marca na parede
. Objectos sólidos
… qualquer objecto de mistura tão profundamente com a matéria do pensamento que perde a sua forma real e se reconstitui de modo ligeiramente diferente numa forma ideia que assombra a mente quando menos se espera.
. Um romance que não foi escrito
A vida é o que se vê nos olhos das pessoas.
. A casa assombrada
. Segunda ou terça-feira
. No pomar
. O vestido novo
. Uma melodia simples
. Resumo
. Momentos de ser: “Os alfinetes da Slater’s não seguram”
Enfiava a tarde no colar dos dias memoráveis, que não era demasiado comprido para que pudesse recordar este ou outro dia; esta vista, aquela cidade; para lhes tocar, para os sentir, saboreando, num suspiro, a qualidade que o tornava único.
. A senhora no espelho: uma reflexão
. O fascínio do pequeno lago
O encanto do lago residia no facto de lá terem sido depositados pensamentos por pessoas que haviam partido e sem os seus corpos os seus pensamentos vagueavam por ali livres, cordiais e comunicativos, no fundo comum.
. Três quadros
. Ode parcialmente escrita em prosa ao ver o nome Cutbush sobre um talho de Pentonville
. A duquesa e o joalheiro
. A caçada
. Lappin e Lapinoca
Eram amigos e, ao mesmo tempo, inimigos; ele era o senhor, a senhora era ela: enganavam-se um ao outro, precisavam um do outro, temiam-se reciprocamente, e ambos o sentiam e sabiam todas as vezes que as suas mãos se tocavam assim naquela saleta escura, com a luz branca lá fora, a árvore com seis folhas, o ruído distante da rua e os cofres-fortes atrás.
. O holofote
. O legado
. O símbolo
. A estância balnear
. A velha Mrs.Grey
. A história de Septimus Warren Smith
Gostei mais de uns que de outros, claro, mas Objectos sólidos, Três quadros, A duquesa e o joalheiro (que escrita fabulosa!), Lapin e Lapinova e O legado conseguiram empolgar-me.
Virginia Woolf, uma das mais conceituadas escritoras inglesas do séc. XX - autora do extraordinário romance “Mrs. Dalloway” (1925), divulgado mundialmente pelo filme “As horas”, de Stephen Daldry e baseado na obra homónima de Michael Cunningham -, não ficou conhecida como contista, porém, escreveu algumas das mais delicadas e sublimes pequenas histórias da literatura inglesa.
Nestes vinte e três contos é notável a mestria narrativa, a escrita arrebatadora, a construção psicológica perfeita das personagens e o retrato da vida da época que, de tão rigoroso, permite compreender melhor a vida, o sofrimento e a morte (uma entrada no lago, sem regresso) da escritora.
Coloque este livro na sua lista de prendas do próximo Natal, “mergulhe”, também, nestas belíssimas histórias e descubra o que era a marca na parede… a tal, do primeiro conto.
 
Contos, de Virgina Woolf
Relógio d´Água, 2004
Tradução de Miguel Serras Pereira, Manuela Porto, Clara Rowland e Margarida Vale de Gato
251 págs.