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13 novembro, 2015

"Como água para chocolate" - Laura Esquivel

O aborrecido de chorar quando picamos cebola não é o simples facto de chorar, mas sim às vezes começarmos, ou melhor, ficarmos picados, e já não conseguirmos parar. Não sei se já vos aconteceu, mas a mim, para dizer a verdade, já. Vezes sem conta. A mamã dizia que era por eu ser tão sensível à cebola como Tita, a minha tia-avó. (...)
Tita chegou a este mundo prematuramente, em cima da mesa a cozinha, entre os cheiros de uma sopa de aletria que estava a ser cozinhada, do tomilho, do louro, dos coentros, do leite fervido, dos alhos e, é claro, da cebola. (...)
Este inusitado nascimento foi determinante para o facto de Tita sentir um imenso amor pela cozinha.
Lida ou vista no cinema, serão poucos os que não terão já saboreado a história de amor de Tita e Pedro, “cozinhada” numa quinta do México revolucionário do início do século XX.
Amor proibido pela tradição familiar que dita o destino de Tita: por ser a mais nova das três filhas da Mamã Elena (mulher de forte personalidade), cabe-lhe a ela cuidar da mãe até ao dia da sua morte.
Enquanto Tita se interroga: Quem teria iniciado esta tradição familiar? Se não podia casar nem ter filhos, quem é que ia então cuidar dela quando chegasse à senilidade?, Pedro pede a sua mão  à Mamã Elena e esta, em alternativa, propõe-lhe a mão de Rosaura, dois anos mais velha do que Tita. 
Pedro vê nesse casamento a única saída para estar perto da mulher que realmente ama e aceita casar com Rosaura, e Tita, resignada, refugia-se na grande cozinha da quinta, para continuar a aprender com Nacha, a velha e sábia cozinheira índia, tudo sobre sabores, aromas e amores. 
Após a morte de Nacha, Tita ocupa o seu lugar na cozinha e esmera-se para cozinhar cada dia melhor para o seu amado - assim como um poeta joga com as palavras, assim ela jogava à sua maneira com os ingredientes e com as quantidades obtendo resultados fenomenais.
A história  de Tita e Pedro “cozinha-se” em doze capítulos. Cada capítulo, de Janeiro a Dezembro, abre com uma receita, os respectivos ingredientes e o modo de fazer.
As receitas são realizáveis?
Talvez, mas confesso que não experimentei. Bastou-me saborear a magia do amor “explosivo” (verdade, verdadinha) dos dois amantes.

Foi bom reler este “saboroso e ternurento” romance.
Se ainda não o leu, leia. Leia e deguste com prazer. Tem ZERO calorias.
Hum! Hum!

Como Leite para chocolate, de Laura Esquivel
Tradução de Cristina Rodriguez
Ed. ASA, 1993
229 págs.

23 outubro, 2015

"O livro das emoções", de Laura Esquivel

Se as emoções se radiografassem, talvez nos bastasse enternecer-nos com o esforço de defesa e insegurança dos verdadeiramente sinceros e pudéssemos, ao mesmo tempo, cuidar dos mentirosos, ou estivéssemos capacitados para nos compadecermos dos enganados e lutássemos contra aos injustos. Talvez vivêssemos um pouco mais como somos verdadeiramente.
Neste pequeno livro de Laura Esquivel, há uma espécie de diálogo entre emoção e pensamento, que o converte num manifesto a favor de uma nova forma de olhar para o ser humano.
Será que a alegria nos cura? Que a tristeza nos põe doentes?
Por que razão, na nossa época, reinam a depressão e o stress?
A memória é um armazém pessoal de emoções?
Há pessoas, livros, filmes que nos agarram o coração, e outros que nos provocam repulsa. Porquê?
O que nos leva a tirar uma fotografia da caixa de recordações? Ou a ler a primeira carta de amor que recebemos? Ou a ir buscar ao baú das recordações a rosa murcha que nos deram naquele baile inesquecível?

Este livrinho ajudá-lo-á  a encontrar respostas para estas e muitas outras perguntas pertinentes.
E a perceber - que a vida não é mais que um conjunto de recordações, imagens, risos, lágrimas, através dos quais adquirimos consciência daquilo que somos.
E a conseguir - dizer às pessoas que nos rodeiam aquilo que significam para nós, dar um abraço a um amigo perdido, partilhar uma tarde de riso com os nossos filhos, contemplar uma chuva de estrelas, dar um beijo de amor ao nosso companheiro, amar, amar, amar.
Leia, leia!

O livro das emoções, de Laura Esquivel
Tradução de Carlos Sousa de Almeida
Ed. ASA, 2003
90 págs.

28 março, 2011

"Tão veloz como o desejo" - Laura Esquivel

É da autora de “Como água para chocolate”esta belíssima história de amor, passada no México dos ano 20.

Sinopse: “Júbilo trabalha como telegrafista, ocupação que lhe permite ajudar as pessoas a revelarem o que lhes vai na alma, reescrevendo as mensagens que enviam. A felicidade plena chega quando conhece Lucha, por quem se apaixona perdidamente. Enfeitiçados um pelo outro, casam e vivem uma vida de sonho. Muitos anos passados, no seu leito de morte, sofre com a tragédia que um dia o afastou da mulher, o seu grande e único amor. Que acontecimento trágico poderá ter-se interposto entre os dois amantes, provocando um dano tão irreparável? “

Numa viagem por entre a numerologia Maia e Asteca, as novas tecnologias (dos telégrafos aos computadores) e as paixões humanas, este livrinho é o carinhoso tributo que Laura Esquivel presta ao pai que, como o personagem, trabalhou como telegrafista.

Cito algumas frases:
Demonstramos o nosso amor através de acções. E uma pessoa só se sente amada quando a outra lhe manifesta o seu amor com beijos, abraços, carícias e demonstrações de generosidade. Uma pessoa que ama procurará sempre o bem-estar físico e emocional da pessoa amada. “Depois do amor não há coisa mais importante que a confiança…. A confiança para pôr a alma a nu, para expor o corpo …. sem o menor pudor. Amor e confiança caminham de mãos dadas”.

Tão veloz como o desejo, de Laura Esquivel
Edições ASA, 2001
Tradução de Helena Pitta
128 págs.