Obrigada querida Graça, por este livrinho cativante feito de pequenos poemas que contam histórias: umas encantadas, outras desencantadas, sempre inspiradas na vida real.
Histórias imensamente bem escritas, que eu li e logo reli, como querendo guardar em mim verso a verso para sempre.
Parabéns poeta!
(Mas afinal podem contar-se histórias em verso? Acredite que pode!)
Histórias imensamente bem escritas, que eu li e logo reli, como querendo guardar em mim verso a verso para sempre.
Parabéns poeta!
(Mas afinal podem contar-se histórias em verso? Acredite que pode!)
VIOLETAS DE CHEIRO
Colheu-as para ela, a mulher:
a planície de espanto
onde alongava o corpo.
Ela, de boca colada na cal,
procurava a fenda por onde abalaria
antes que ele a visse envelhecer.
Envelheceram juntos,
falando cada vez menos
até perderem a voz.
Estas violetas de cheiro (viola odorata) são para ti, querida amiga.
Se ainda não conhece a Graça Pires, ela está aqui, toda, neste poema:
PERFILDe passagem,
como a véspera imprecisa
do poema,
principia em mim
a planície agreste
da solidão dos outros.
E a não ser
o silêncio poente
dos meus olhos,
tudo o resto me diz
que sou um pássaro
a voar, inconsequentemente,
no sentido das palavras.
(in "Poemas", 1990)
(fotos da net)


















