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19 outubro, 2012

"A visita do brutamontes" - Jennifer Egan


Diz a sinopse:
Bennie Salazar, antigo punk rocker, está a envelhecer e é agora um executivo discográfico; Sasha é a sua assistente, uma jovem mulher impiedosa e cleptomaníaca. Bennie e Sasha nunca chegarão a descobrir o passado um do outro, mas o leitor vai conhecê-lo até ao mais íntimo detalhe, bem como a vida secreta de um variadíssimo leque de personagens, cujos caminhos se cruzam com os deles ao longo de muitos anos e muitos lugares: Nova Iorque, São Francisco, Nápoles e África. A Visita do Brutamontes é a saga de uma geração: reflete sobre a ação do tempo, a capacidade de sobreviver e as mudanças e transformações quando inexoravelmente postas em movimento, ainda que pelas mais efémeras conjunturas do nosso destino.
O tempo é um brutamontes, não é? Tu vais deixar que esse brutamontes faça de ti o que quiser?
Sempre gostei de ler sagas familiares, logo, pela leitura desta sinopse pensei que tinha encontrado mais um livro encantatório. Pensei mas não encontrei. Não significa que não apreciei – apenas que não me entusiasmei com a leitura.
Gostei do tema – o mundo surpreendente, trágico e hilariante do espectáculo (indústria discográfica), a fama, o drama do envelhecimento, a decadência física, a morte, as relações humanas numa América assolada pelo terrorismo e a braços com uma crise económica.
Como é que eu deixei de ser uma estrela do rock para passar a ser um cabrão dum gordo a quem ninguém liga nenhuma?
Já não gostei tanto das voltas e reviravoltas da estrutura narrativa, o número de personagens, os avanços e recuos temporais da trama, as mudanças bruscas de narrador, o exagero no recurso ao Power Point.
Reconheço a mestria e inteligência criativa da autora, que nunca perdeu o fio condutor deste intrincado romance.
Já eu, necessitei de criar um esquema para perceber a ligação dos personagens que aparecem e desaparecem numa dispersão de histórias, tempos e locais, entre os anos 1970 e 2020.
O elo dessa ligação é Bennie Salazar, músico e produtor de som, corrido da sua própria editora discográfica Orelha de Porco, que, no crepúsculo da vida, organiza concertos para músicos decrépitos, salpica o café com flocos de ouro para garantir a potência sexual e pulveriza os sovacos com pesticida. Um personagem estonteante. 
Mas é com Sasha, a sua assistente cleptomaníaca, que tudo começa e termina. Estranho?
Sasha não é a única personagem feminina, há mais, muitas mais: Collette, Stephanie, Alice, Jocelyn, Mindy, Cora, Nadine, Rhea, Kathy, Dolly, Kitty, Lulu…
Quero sair desta confusão. Mas não quero apagar-me. Quero arder até ao fim – quero que a minha morte seja uma atração, um espetáculo, um mistério.
 
A visita do brutamontes, de Jenniffer Egan (Prémio Pulitzer 2011)
Quetzal Editores, 2012
Tradução de Jorge Pereirinha Pires
369 págs.