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20 dezembro, 2019

FESTAS FELIZES com alegria, paz e harmonia!
















"Onde foi parar a alegria do mundo?”
(Rosa Montero, in "Instruções para salvar o mundo")


O PAPA FRANCISCO ESCOLHE O TÓPICO DA ALEGRIA PARA TRAÇO MAIOR DO SEU PONTIFICADO

"É uma arte difícil, a alegria. Por uma lado, sabemo-la próxima e acessível, como se os nossos dedos pudessem, a cada momento, e sem esforço, alcançá-la. Mas sabemos também como nos escapa, como é precária, dolorosa e inexplicável a alegria. Como nos obriga a procuras extenuantes e a desertos cujo fim não de divisa. Não admira, por isso, que muitos desistam da alegria e se metam a caminhar, vida fora, excluindo-a do seu alforge. A alegria, porém, é uma condição necessária da existência. Sempre que ela nos falta temos de interpretar isso como uma iniludível sintoma, a que é preciso atender. Temos de nos interrogar sobre o porquê do nosso viver burocrático e tristonho, o porquê do nosso passo precocemente anoitecido, do nosso errar entre o peso e a cinza de onde a alegria se ausenta.
Não raro o problema é fazer depender a alegria de motivações acidentais, que nada têm que ver com a sua essência julgamos extrair a alegria do sucesso, da abundância, da força, da afirmação, de eficácia, do poder, mas o tempo encarrega-se de demonstrar o nosso equívoco. Os mestres espirituais ensinam, por exemplo, que a alegria não depende do imediato ou conjuntural: a alegria liga-se às razões profundas do viver. De facto, ela não deve ser reduzida a uma espécie de estado de graça que nos toca em certas estações ou a uma maravilhosa isenção face à turbulência e aos contrastes do mundo. Pelo contrário. Se pensarmos bem, a maior parte do tempo, a nossa vida é a experiência de inacabamento e incompletude, é esboço e é projecto, é movimento transformante."

(Excerto da crónica "A perfeita alegria", de José Tolentino Mendonça, publicada na revista "E", do jornal  Expresso de 23 Fevereiro 2019.)



"Paz e harmonia: eis a verdadeira riqueza de uma família."
(Benjamin Franklin)




Há um ditado que diz: “cada vez que um homem ri aumenta alguns dias à sua vida".
Seja grato pela vida! Ria muito!



QUERIDOS AMIGOS, TENHAM UM NATAL ABENÇOADO 
E UM NOVO ANO ILUMINADO!
Que todos os vossos sonhos se tornem realidade.

Brindemos à Vida, uma sequência de instantes!
Brindemos à Amizade, ao Amor, à Alegria!


Volto dia 10 de Janeiro do novo ano. Até lá, sejam felizes!

(Fotos da net.)

19 dezembro, 2019

INTERAÇÃO FRATERNA DE NATAL


A convite da amiga Roselia participo pela primeira vez na Interação Fraterna de Natal, projecto encantador lançado no seu Blog Espiritual Idade https://www.idade-espiritual.com.br/ e que este ano tem por tema: Minha Noite de Natal.
Lisonjeada, agradecida e «assustada», compartilho a minha participação.
(Gesso pintado a acrílico - Teresa Dias)

Sempre gostei de celebrar o Natal em minha casa e com toda a família: pais, irmã, cunhado, três sobrinhas, marido, dois filhos. Éramos poucos, mas celebrávamos com muito amor e alegria a Festa da Família. Durava dois dias. Dois dias de alguma confusão e muita animação por toda a casa, com maior incidência na cozinha, onde mãe e irmã (duas cozinheiras de mão-cheia) preparavam os doces e salgados e o resto da família só complicava. 
Tudo mudou no ano em que uma cadeira esteve vazia durante toda a celebração: a  do meu pai.
Primeiro foi a minha irmã a não comparecer todos os anos (as filhas cresceram...). Depois os meus filhos, que foram viver para longe: ele para o norte do país, ela para outro país. E depois, uma segunda cadeira vazia : a da minha mãe.
Abalada, no ano passado decidi celebrar o Natal a dois, num hotel sobre o mar (para me animar), a poucos quilómetros de casa. Gostei da experiência? Não! Não gostei, nem recomendo! A passagem de ano já fiz em vários lugares e gosto cada vez mais, mas o Natal... não repetirei! Tendo tudo à disposição, não tinha nada! Foi amargo o meu Natal de 2018.
Este ano vou passar o Natal a casa do meu filho, junto das minhas netas, nora e família. Alegria irá haver muita, tenho a certeza. E amor.  E harmonia. E luz. E beijos e abraços. E doces e salgados. E prendinhas. E cantigas. E birras, claro, da mais pequenina.
O Pai Natal foi convidado. Vai ser uma festa!
(Fugi ao tema? Me desculpe, amiga!)

(Foto da net.)

"O Natal que eu sonhei tinha canduras suaves,
Ingenuidades cristãs, legendários amores.
Poisavam-lhe, cantando, umas divinas aves,
Caíam-lhe do céu umas divinas flores.
O Natal que eu sonhei, relumbrante de luzes,
De almas imemoriais pela casa a passar,
Encobrindo no manto as minhas negras cruzes,
Para que a Paz e o Amor viessem ao meu lar!...
Mágica evocação dum mundo branco e loiro,
Infância toda envolta em nevoeiros dispersos,
Onde o sol de Dezembro entorna um raio d'oiro,
E em cuja Árvore de luz poisam meus versos!..."
(Excerto do poema «NATAL» de Júlio Brandão (1869-1947)

(Foto da net.)

13 dezembro, 2019

Árvores e Poemas de NATAL..."up-to-date"!


NATAL UP-TO-DATE
Em vez da consoada há um baile de máscaras
Na filial do Banco erigiu-se um Presépio
Todos os pastores são jovens tecnocratas
que usarão dominó já na próxima década

Chega o rei do petróleo a fingir de Rei Mago
Chega o rei do barulho e conserva-se mudo
enquanto se não sabe ao certo o resultado
dos que vêm sondar a reacção do público

Nas palhas do curral ocultam microfones
O lajedo em redor é de pedras da lua
Rainhas de beleza hão-de-vir de helicóptero
e é provável até que se apresentem nuas

Eis que surge no céu a estrela prometida
Mas é para apontar mais um supermercado
onde se vende pão já transformado em cinza
para que o ritual seja muito mais rápido

Assim a noite passa E passa tão depressa
que a meia-noite em vós nem se demora um pouco
Só Jesus no entanto é que não comparece
Só Jesus afinal não quer nada convosco
(David Mourão-Ferreira, 1927-1996)


O ESPÍRITO DO NATAL
Ano após ano em Dezembro a
árvore artificial
deixa o encerro da cave para ser
a luz no frio. É um pinheiro da China. Quem
se deitar a fazer contas ao ágio
dessoutro negócio
(vinte e quatro mil escudos: já
lá vão nove invernos) a
coisa 
está mais ou menos por
dois contos e tal
o natal. Mau grado à sua copa (inerte
e inodora) falte
o olor a caruma dos natais da minha infância
nela escudo a floresta que ficou por abater
todo um mundo de plástico que
me sobreviverá.
(João Luis Barreto Guimarães, 1967-)


ORATÓRIA DO NATAL CÓSMICO
Natividade. Um deus rompe e sai 
sai da terra no romper da haste
seu presépio é uma flor de urânio
a vaca, tractor branco
o burro, um guindaste

carpinteiro de astronaves seu pai

reis magos em nuvem supersónica

harpas electrónicas

e o anjo que ao sol despia
o resplendor, as asas e o véu
às gentes descrentes anuncia:

- quando ele volta, livre, do cosmos
deuses morrem à míngua de céu
(Luís Veiga Leitão, 1915-1987)


Retirei os poemas do livro "NATAL... NATAIS", a Antologia de Vasco Graça Moura que reúne oito séculos de poesia  em língua portuguesa relativa ao Natal. 
Inclui 202 textos de 130 poetas. "Inicia-se com Afonso X, o Sábio, cujas Cantigas de Santa Maria foram escritas em galego-português no século XIII, e termina com Rui Lage e Pedro Sena-Lino, poetas que começaram a publicar em livro em 2002 e 2005."
Nesta época do ano gosto de folhear este livro. Encontro sempre pérolas poéticas encantadoras!
Como esta de José Saramago  (1922-2010), o nosso romancista distinguido com o Prémio Nobel da Literatura em 1998.

NATAL

Nem aqui, nem agora. Vã promessa
Doutro calor e nova descoberta
Se desfaz sob a hora que anoitece.
Brilham lumes no céu? Sempre brilharam.
Dessa velha ilusão desenganemos:

É dia de Natal. Nada acontece.



BOA SEMANA!

(Árvores de Natal, fotos da net.)

06 dezembro, 2019

NATAL: que não falte amor nem doçura!


A ideia para esta publicação surgiu no exacto momento em que li a palavra «teimosinha» num comentário deixado pela querida e docinha Emilia aqui no "rol". 
A «teimosinha» sou eu, euzinha, e achei tamanha graça à doce palavrinha que logo decidi partilhar umas tantas palavras igualmente docinhas, que sublinhei no romance "O inverno do nosso descontentamento", de John Steinbeck.  É um rol infindo de nomes ternurentos que Ethan (protagonista de uma história encantadora) chama a Mary, a sua mulher amada.
Eu diverti-me. Divirta-se também. Memorize alguns. Use-os. Há ocasiões em que uma simples palavrinha muda tudo para melhor!

ablativo absoluto
amor
amorzinho
botão de rosa
caracolinho
carícias


coelhinho
deliciosa mulherzinha
doçura
dorminhoca
encanto
esposa sem mácula


esquilo voador
filha de príncipe
flor dos campos
joaninha
madona
miss ratinha


mulherzinha querida
navio de luxo
pãozinho com mel
passarinho
patinho
pequenina


pequenina desavergonhada
pézinho de flor
pintainha
pintainho em flor
pomba
pombinha
pulgão


querida
queridinha
raminho de feto
rapariguinha em flor
ratinha
torrãozinho de açúcar
vossa alteza


Depois da brincadeira, vem a parte séria!
Um homem deve guiar-se pelos seus princípios ou deixar-se arrastar?
Não dou a resposta, mas aconselho vivamente a leitura de "O inverno do nosso descontentamento", um clássico da literatura mundial, extraordinária história de vida de Ethan Allen Hawley na América do pós guerra, "onde a hipocrisia e o dinheiro minavam o que no homem existia de mais puro e autêntico" .
Em que patife um homem pode tornar-se! Verdade! E eu sei tudo sobre a gradual transformação de Ethan. Sobre as manobras, esquemas e golpes sujos. Sobre a amargura, a tristeza e a infelicidade que se seguiu ao sucesso financeiro e mundano. Eu sei tudo, mas não revelo!

"O inverno do nosso descontentamento" (The Winter of Our Discontent), publicado em 1961, é o último romance de John Steinbeck (1902-68).
O título foi buscá-lo ao primeiro parágrafo do drama histórico  "Ricardo III", do dramaturgo inglês William Shakespeare: "Eis o inverno do nosso descontentamento/ Tornado verão glorioso  por este sol de York."
Outros romances do escritor americano, distinguido com o Prémio Nobel da Literatura em 1962:
A Um Deus Desconhecido (1933)
Ratos e Homens (1937)
As Vinhas da Ira (1939)
A Leste do Paraíso (1952)
A Pérola (1962)
"O inverno do nosso descontentamento" e "A Pérola" estão no "rol". Os outros, vou reler...

BOA SEMANA!

(Fotos  da net: bolo-rei, azevias, aletria, rabanadas, broas, filhós de forma, sonhos.)

18 dezembro, 2018

BOAS FESTAS!


“Compras de Natal - São as cestinhas forradas de seda, as caixas transparentes, os estojos, os papéis de embrulho com desenhos inesperados, os barbantes, atilhos, fitas, o que na verdade oferecemos aos parentes e amigos. Pagamos por essa graça delicada da ilusão. E logo tudo se esvai, por entre sorrisos e alegrias. Durável - apenas o Meninozinho nas suas palhas, a olhar para este mundo.”

Cecília Meireles, jornalista, escritora e professora brasileira (1901-64)


Desejo a todos os amigos que o Rol de Leituras trouxe para a minha vida, Feliz Natal e um Novo Ano repleto de paz, saúde, amor, alegria e… boas leituras!
E deixo uma palavra de gratidão pelos abraços em palavras, pelas prendas de alegria, pelas mensagens carinhosas. Que triste seria a minha vida sem vós!

Um GRANDE abraço para todos e Boas Festas!
(Não esqueçam que o tempo é precioso. Vivam plenamente cada dia de 2019.)

Fotos da net.

20 dezembro, 2017

BOM NATAL e um MAGNÍFICO 2018!


"Chega de velhas desculpas e velhas atitudes!
Que o ano novo traga vida nova, como o rio que sai lavando e levando tudo por onde passa."
Clarice Lispector, escritora e jornalista nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira (1920-77)


BOM NATAL - que seja muito mais do que uma reunião de pessoas à volta de uma mesa cheia de gulodices, com troca de beijos, abraços, sorrisos e prendas… muito mais!
MAGNÍFICO 2018 - com saúde, amor, paz, felicidade e... leituras, muitas e boas leituras!

2017 foi para mim um ano complicado.
Valeu-me a companhia e a ternura da família.
Valeu-me o carinho dos amigos que o roldeleituras trouxe para a minha vida – fez toda a diferença.

GRANDE abraço, para todos.
Vivam intensamente, corram atrás dos vossos sonhos, sejam felizes.
Só temos uma vida, esta e mais nenhuma. Não esqueçam!

(Foto da net.)

24 dezembro, 2015

BOM NATAL para todos!


LADAINHA PARA QUALQUER  NATAL 

Não seja esta noite, agora e sempre,
Igual às outras noites.
Não seja esta noite, agora e sempre,
Igual às outras noites:
Tumba de carne viva em ódio amortalhada,
Anunciando sangue e pranto e morte.
Não seja esta noite, agora e sempre,
Igual às outras noites.
Que esta noite não seja para sempre
De fome pra lá de tantas portas
Como flor viçosa em campa rasa.
Que esta noite não seja para sempre
De amor vendido a horas mortas
E o pudor lembrando e a raiva queimando.

Não seja esta noite, agora e sempre,
Igual às outras noites.
Não seja esta noite, agora e sempre,
Igual às outras noites.
Chaga aberta, como rubra flor de pesadelo,
Escorrendo sangue e pranto e morte.
Não seja esta noite, agora e sempre,
Igual às outras noites.
E seja para sempre esta noite
Cheia de graça na terra dos homens.

Assim seja

Poema de Tomaz Kim (Lobito, Angola, 1915-67), in "Natal...Natais", antologia de Vasco Graça Moura, 2005
Foto tirada da net.

23 dezembro, 2014

FELIZ NATAL para todos!


NATAL
O chefe de família limpou a boca ao guardanapo e afirmou
assim como dois e dois são quatro e não são outra coisa
O Natal é o Natal e não é outra coisa antes pelo contrário
E para provar o que dizia comeu uma asa de peru
com recheio de castanhas
e limpou os dedos gordurosos ao bordado da toalha
À volta da mesa metade da família discutia a mensagem
e comia
e a outra metade mais intelectual comia a mensagem
e discutia
sim tal não tal
sim tal não tal
não tal
não tal
Natal

Poema de Yvette Centeno (Portugal 1941-)
Foto tirada da net.

22 dezembro, 2013

NATAL é sempre que "eu" quiser...

FELIZ NATAL PARA TODOS 

NATAL
Hoje é dia de Natal.
O jornal fala dos pobres
em letras grandes e pretas,
traz versos e historietas
e desenhos bonitinhos,
e traz retratos também
dos bodos, bodos e bodos,
em casa de gente bem.

Hoje é dia de Natal.

- Mas quando será de todos?

Poema de Sidónio Muralha (Lisboa, 1920)
Foto net.

12 dezembro, 2011

"Natal... Natais" - Vasco Graça Moura

Esta antologia reúne oito séculos de poesia em língua portuguesa sobre o Natal. Inicia-se com Afonso X, o Sábio, e termina com Pedro Sena-Lino, poeta que começou a publicar em 2005.
Inclui 202 textos de 130 poetas.
Num único livro encontramos poemas de Fernando Pessoa, Luís de Camões, António Gedeão, Almeida Garrett, António Nobre, José Régio, Gil Vicente e muitos outros poetas conhecidos.

Mas também encontramos poemas belíssimos de autores menos conhecidos, e até de alguns anónimos.
Seleccionei um poema de Alberto de Serpa (Porto, 1906-1972).

NATAL
Os joelhos em terra,
as mãos erguidas, presas.
E Deus o céu descerra
aos murmúrios que rezas.

Brilham mais as estrelas.
Mais neve o céu derrama.
E, se por fora gelas,
Por dentro és uma chama.

E beija a tua face
o luar que aparece,
como se Deus mandasse
um sim à tua prece.

É, simplesmente, maravilhoso!