Diz a sinopse:
Será?
“Suite Francesa” é um retrato assombroso da França ocupada, do êxodo de 1940, e da vida quotidiana numa aldeia tomada pelo exército alemão, “desordem trágica que reuniu famílias francesas de todos os quadrantes, das mais abastadas às mais modestas”.
O manuscrito inacabado deste livro foi deixado pela autora às filhas, quando foi presa numa aldeia aonde se refugiara com a família e levada para o campo de concentração nazi de Auschwitz, de onde não voltaria.
A sua publicação só se efectuaria 60 anos depois.
Numa primeira parte retrata a fuga de Paris, “respirava-se a angústia, no ar, no silêncio”…. a preocupação com a cidade “amanhã estará em ruínas”…. mas ao mesmo tempo a indiferença “que importa….não passa de um monte de pedras… o essencial é salvar a vida”e a fuga para o campo. Era difícil suportar a “desordem … os assomos de ódio, o espectáculo repelente da guerra”, então “partiam na direcção das portas de Paris, ultrapassavam-nas, penetravam nos subúrbios, seguiam pelo campo”.
A segunda parte retrata a vida numa aldeia ocupada pelos alemães, onde os refugiados “sentiam uma vergonha desesperada e assustada à ideia de verem pela primeira vez os seus vencedores”. “As jovens olhavam-nos….as mães dos prisioneiros ou de soldados mortos na guerra apelavam à maldição divina sobre eles”. A autora revela, sem medos, uma imagem de França longe dos mitos da Resistência heróica, através de um olhar lúcido, irónico e cruel da alma humana.
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Suite Francesa, de Irène Némirovsky
Dom Quixote, 2005
Tradução de Carlos Correia Monteiro de Oliveira
579 págs.