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21 junho, 2013

"O Baile" - Irène Némirovsky

Ninguém a amava, nem uma única pessoa… Mas será que não viam, cegos, estúpidos, que ela era mil vezes mais inteligente, mais valiosa, mais profunda do que todos eles, do que esses que ousavam educá-la, instruí-la… Novos ricos grosseiros, incultos…
Irène Némirovsky, prematuramente morta em Auschwitz em 1942, inspirou-se na relação difícil que tinha com a mãe, para escrever esta pequena novela, em 1928. É um dos seus primeiros livros.
Chamou Antoinette à protagonista, colocou-a numa família que enriqueceu de repente - e ela nunca conseguiu compreender muito bem como isso acontecera, deu-lhe uma boa dose de inteligência, ternura e crueldade e brindou-nos com um romance sobre a adolescência e os seus tormentos.
Diz a sinopse:
Antoinette tem catorze anos e deseja participar, mesmo que apenas por instantes, no baile que os seus pais, os Kampf, organizaram para ostentar a sua recém-adquirida riqueza. Mas a mãe decide não permitir a presença da filha, cujo corpo e maneiras a envergonham.
Desesperada, Antoinette vai vingar-se de um modo tão radical como inesperado.
Mais tarde diria a um homem: «Oh, eu era uma criança terrível, sabe? Imagine que uma vez…
O que é que ela fez?
Não posso (não devo) desvendar, mas posso dizer que… adorei!
(Calma Teresa, que exagero.)
Será?
Leia, para saber.
 
O Baile, de Irène Némirovsky
Ed. Relógio d’Água, 2012
Tradução de Fernanda Frazão
55 págs.

05 dezembro, 2010

"O Senhor das Almas" - Irène Némirovsky

O Senhor das Almas” foi publicado originalmente pouco antes da II Guerra Mundial.
A acção decorre entre as duas guerras e narra a história de Dario Asfar, russo fugido à Revolução bolchevique, refugiado em França, que adquire a nacionalidade francesa e consegue um diploma de médico.
Aos 35 anos, em Nice, vive com “a barriga vazia, os bolsos vazios, as solas rotas”. Nenhum francês o procura, só trata russos famintos.
A mulher, frágil, dá à luz uma criança e ele procura forma de garantir a subsistência da família. Aceita, então, praticar um aborto clandestino.
Antigamente “não passava de um vadio miserável, que podia mendigar, roubar… agora tinha de manter as aparências, de manter uma situação desafogada, ao preço de não importava que sacrifício, de não importava que mentira”.A seguir mergulha numa espiral de expedientes que irá alterar o seu destino.
Torna-se um charlatão, pervertendo a teoria psicanalítica em voga. Trata, exclusivamente, as doenças estranhas do sistema nervoso, que “dão lugar a mil interpretações, a mil terapêuticas”.
“É um charlatão…está em voga, agrada, não se sabe de onde vem….”,
vive deslumbrado com a ascensão social, maneja milhões, apropria-se da alma dos seus doentes.
Retrato cruel da época - da vida mundana e da ambição desmedida do ser humano.

O Senhor das Almas, de Irène Némirovsky
Dom Quixote, 2008
Tradução de Miguel Serras Pereira
231 págs.

04 dezembro, 2010

"Suite Francesa" - Irène Némirovsky

“Suite Francesa” é um retrato assombroso da França ocupada, do êxodo de 1940, e da vida quotidiana numa aldeia tomada pelo exército alemão, “desordem trágica que reuniu famílias francesas de todos os quadrantes, das mais abastadas às mais modestas”.
O manuscrito inacabado deste livro foi deixado pela autora às filhas, quando foi presa numa aldeia aonde se refugiara com a família e levada para o campo de concentração nazi de Auschwitz, de onde não voltaria.
A sua publicação só se efectuaria 60 anos depois.
Numa primeira parte retrata a fuga de Paris, “respirava-se a angústia, no ar, no silêncio”…. a preocupação com a cidade “amanhã estará em ruínas”…. mas ao mesmo tempo a indiferença “que importa….não passa de um monte de pedras… o essencial é salvar a vida”e a fuga para o campo. Era difícil suportar a “desordem … os assomos de ódio, o espectáculo repelente da guerra”, então “partiam na direcção das portas de Paris, ultrapassavam-nas, penetravam nos subúrbios, seguiam pelo campo”.
A segunda parte retrata a vida numa aldeia ocupada pelos alemães, onde os refugiados “sentiam uma vergonha desesperada e assustada à ideia de verem pela primeira vez os seus vencedores”. “As jovens olhavam-nos….as mães dos prisioneiros ou de soldados mortos na guerra apelavam à maldição divina sobre eles”. A autora revela, sem medos, uma imagem de França longe dos mitos da Resistência heróica, através de um olhar lúcido, irónico e cruel da alma humana.
Mais sobre a autora aqui.

Suite Francesa, de Irène Némirovsky
Dom Quixote, 2005
Tradução de Carlos Correia Monteiro de Oliveira
579 págs.