Do coração dos homens não sei nada, nada de nada.
Esta é a história mais triste jamais contada… porque é verdadeira e porque a soube pelo próprio Edward Ashburnham (o bom soldado) e só pude escrevê-la depois de todos os outros terem morrido.
Alertada pelo autor para a tristeza desta história de adultério, intrigas, traições e paixões, iniciei a leitura deste clássico da literatura inglesa com alguma apreensão e desconfiança. Teria em mãos um melodrama folhetinesco? Puro engano.
Encontrei um relato trágico e cómico da moral da época e da complexa relação entre dois casais ricos e cultos, um inglês (Edward Ashburnham e Leonora) e um americano (John Dowell e Florence), que convivem durante nove anos em termas europeias onde buscam remédio para os corações fracos de Edward e de Florence
Éramos todos “pessoas de bem”, diz o marido enganado e narrador Dowell, dirigindo-se a um único ouvinte silencioso sentado à sua frente (o leitor?) num estilo aparentemente desordenado mas misterioso.
E que hipóteses tinha eu contra esses três jogadores inveterados, todos coligados para esconderem de mim as suas jogadas? Que remota hipótese? Eram três contra um … e fizeram-se feliz. E poderiam ter feito melhor? Ou que poderiam ter feito que tivesse sido pior? Não sei…
Este romance inspirou a obra de muitos escritores de língua inglesa, nomeadamente Graham Green, e é considerado um dos melhores romances ingleses do século XX.
Gostei?
Sim, mas a leitura nem sempre foi fácil e interessante. Por vezes enrolei-me na trama intrincada e quase desisti.
“Dói” ler os clássicos…
O bom soldado, de Ford Madox Ford.
Teorema, 2004
Tradução de Telma Costa
265 págs.

