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09 setembro, 2016

O efeito do amor...


“Alma explicava a Lenny que aos setenta e oito anos renunciara ao papel de matriarca dos Belasco, cansada de fazer a vontade às pessoas e de agir de acordo com as normas, como sempre fizera desde pequena. Estava há três anos na Lark House e cada vez gostava mais de lá estar.

- Podias ter escolhido melhor do que isto, Alma.
- Não preciso de mais. A única coisa que me faz falta é uma lareira no inverno. Gosto de olhar para o fogo, parece a ondulação do mar.
- Conheço uma viúva que passou os últimos seis anos em cruzeiros. Assim que o barco atraca na sua última escala a família dá-lhe um bilhete para outra volta ao mundo.
- Como é que o meu filho e a minha nora não se lembraram dessa ideia? – riu-se ela.
- Tem a vantagem de que, se alguém morrer no alto-mar o capitão deita o cadáver pela borda fora e a família não tem despesas com o enterro – acrescentou Lenny.
- Aqui estou bem Lenny. Estou a descobrir quem sou despojada dos meus atavios e amarras; é um processo bastante lento, mas muito útil. Toda a gente deveria fazer isto no fim da vida (…). Estou a preparar-me para morrer.
- Ainda te falta muito para isso, Alma. Estás fantástica.
- Obrigada. Deve ser o efeito do amor.”

Tirei daqui: “O amante japonês”, de Isabel Allende, Porto Editora, 2015
Foto da net.

02 setembro, 2016

"O amante japonês" - Isabel Allende

Depende de nós que o amor seja eterno…
Sinopse:
Em 1939, quando a Polónia capitula sob o jugo dos nazis, os pais da jovem Alma Belasco enviam-na para casa dos tios, uma opulenta mansão em São Francisco. Aí, Alma conhece Ichimei Fukuda, o filho do jardineiro japonês da casa. Entre os dois brota um romance ingénuo, mas os jovens amantes são forçados a separar-se quando, na sequência do ataque a Pear Harbor, Ichimei e a família – como milhares de outros nipo-americanos – são declarados inimigos e enviados para campos de internamento. Alma e Ichimei voltarão a encontrar-se ao longo dos anos, mas o seu amor permanece condenado aos olhos do mundo.
Apenas nos encontramos para amar... uma relação clandestina tem de ser cuidada, é delicada e preciosa.
Minhas senhoras e meus senhores, Isabel Allende regressou “em grande” com o relato convincente e viciante do amor secreto e duradouro de Alma Belasco e Ichimei Fukuda.
O amante japonês” - que tem tudo para empolgar e prender da primeira à última página: uma escrita simples e cristalina, grandes e credíveis personagens, paixões, amores, amizades, encontros clandestinos, flores, cartas, desenhos, segredos, descobertas, velhice, solidão, etc., etc. - é para ser lido e não contado, mas não resisto a desvendar um excerto da conversa de Alma com o amigo Lenny, no excêntrico lar de idosos onde ambos vivem. Lar onde todas as semanas um mensageiro deixa uma caixa com três gardénias. Para Alma.
"- Porque casaste com Nathaniel?
- Porque ele quis proteger-me e nesse momento eu precisava da sua proteção. Lembra-te que ele era uma alma nobre. Nat ajudou-me a aceitar o facto de que existem razões mais poderosas do que a minha vontade, razões mesmo mais poderosas do que o amor.
- Gostava de conhecer Ichimei, Alma. Avisa-me quando ele vier visitar-te.
- O nosso amor ainda é secreto…
- Porquê? A tua família não ia compreender?
- Não é por causa dos Belascos, mas por causa da família de Ichimei. Por respeito à mulher dele, aos filhos e aos netos."
Que grande protagonista é Alma …aos oito anos apaixonara-se por Ichimei com a intensidade dos amores da infância e de Nathaniel com o amor sereno da velhice. No coração dela ambos ocupavam funções diferentes e igualmente indispensáveis, tinha a certeza de que sem Ichimei e sem Nathaniel não conseguiria sobreviver.
E mais não digo.
Gostei do final deste romance. Gostei, a sério!
Saiba porquê, lendo-o… na hora mais escura da noite, a hora misteriosa do tempo impreciso, quando o véu entre este mundo e o dos espíritos costuma desvanecer-se.
Este reencontro com Isabel Allende não me desiludiu.

O amante japonês, de Isabel Allende
Tradução de Ângela Barroqueiro
Porto Editora, 2015
335 págs.

24 outubro, 2014

"Inês da minha alma" - Isabel Allende

O meu nome é INÊS SUÁREZ, habitante da leal cidade de Santiago de Nova Extremadura, no Reino do Chile, neste ano de Nosso Senhor de 1580. Não tenho certeza da data exacta do meu nascimento, mas a minha mãe assegura que nasci depois da grande fome e do tremendo surto de peste que assolou a Espanha logo após a morte de Filipe, o Belo.
Começa assim a história - misto de realidade e ficção - de Inês Suárez, a costureira espanhola que rumou ao Novo Mundo em busca do amor, aventura e liberdade, participou na conquista e fundação do Reino do Chile e se tornou rica e influente.
Inês nasce na Estremadura espanhola, em 1507. Aos dezanove anos conhece Juan de Málaga, que virá a ser o seu primeiro marido. Ele é bonito, alegre, tem porte de guerreiro. Mas também é vaidoso, preguiçoso e gastador. Inês trabalha e ele gasta. Logo ela percebe que aquele casamento foi um erro e, por isso, quando Juan parte à aventura para o Novo Mundo, no outro lado do Atlântico, a paixão que ambos partilhavam já há muito se transformara num desgosto.
Quando Inês deixa de receber notícias do marido, decide ir procurá-lo e segui-lo na sua aventura, custasse o que custasse, não por amor, porque já não o sentia, nem por lealdade, que ele não merecia, mas porque sonhava ser livre.
Sem dizer nada a ninguém, trata dos preparativos da viagem e quando obtém a licença real ruma ao Novo Mundo. Com ela leva Asunción, a sobrinha de quinze anos. É a primeira vez que o navio do Mestre Manuel Martín transporta mulheres e ele aconselha prudência a Inês.
Em Agosto de 1537, o navio chega a Cartagena das Índias. Para as duas mulheres começam as aventuras: Asunción casa no dia seguinte, com um passageiro da embarcação; Inês mata o marinheiro que entra no seu quarto sem ser convidado. O Mestre Martín desfaz-se do corpo e aconselha-a a sair de Cartagena, quanto antes. Inês parte sozinha para a cidade do Panamá e dali embarca para o Peru.
No Peru, Inês sabe da morte do marido. Decide não regressar a Espanha.
Diz ela: Juan de Málaga estava morto e eu estava livre. Posso afirmar com toda a certeza que foi nesse dia que a minha vida começou.
E começou mesmo, quando encontrou Pedro, o grande amor da sua vida. Com Pedro de Valdivia vivi um amor digno de uma lenda, e com ele conquistei um reino… a minha vida só vale a pena ser contada porque participei na conquista do Chile, junto de Pedro de Valdivia.
Pedro era mestre de campo, herói de muitas guerras, homem ambicioso, rico e poderoso. Quando conhece Inês já tinha decidido abandonar o Peru, onde havia tesouros incalculáveis, mas não chegavam para tantos pedinchões, e partir à conquista de outro território para deixar fama e memória de si. Sendo amantes inseparáveis, Pedro desafia Inês a acompanhá-lo:
Vamos para o Chile, Inês da minha alma…

Bem, decidi não desvendar mais sobre a vida desta singular senhora.Tendo ela vivido setenta e três anos - bem vividos - você não pode imaginar o quanto ficou por revelar.
Acredite que vale a pena ler (ou reler, como foi o meu caso) tudo o que ela contou à filha Isabel.
A propósito, Isabel nasceu do casamento de Inês com Rodrigo de Quiroga.
Confuso? Não, empolgante!

Inês da minha vida, de Isabel Allende
Tradução de Ana Mendes Lopes
Ed. Difel, 2006
342 págs.

26 outubro, 2012

"Contos de Eva Luna" - Isabel Allende


Há histórias de toda a espécie. Algumas nascem ao ser contadas, a sua substância é a linguagem e antes que alguém as ponha em palavras são apenas uma emoção, um capricho da mente, uma imagem ou uma reminiscência intangível…
Assim começa “Vida interminável”, a bela e triste história de Ana e Roberto, um casal de anciãos que conservaram intacta a fortaleza do corpo, as faculdades da mente e a qualidade do amor, até ao momento em que decidem morrer juntos, deitados lado a lado, de mãos dadas.
Este é um dos vinte e três contos mágicos, narrados por quem conhece bem a alma humana, por quem faz magia com as palavras  – Isabel Allende.
São vinte e três histórias de amor, paixão, violência, solidão, dor e morte, que unidas através de um fino fio condutor se tornam num só romance.
São vários e fascinantes os personagens destas histórias, alguns já conhecidos de anteriores romances (Rolf Carlé, o fotógrafo, recordam-se dele no romance “Eva Luna”?), outros agora inventados e que também ficarão na nossa memória . Destaco:
Belisa Crepusculario do belíssimo conto “ Duas palavras”, que por cinco centavos entregava versos de memória, por sete melhorava a qualidade dos sonos, por nove escrevia cartas de namorados, por doze inventava insultos para inimigos irreconciliáveis… A quem lhe comprasse cinquenta centavos, dava de presente uma palavra secreta para afugentar a melancolia.
Elena Mejías do conto “Menina perversa”, a gaiata enfezada, silenciosa e tímida que se apaixona pelo amante da mãe.
Maria do conto “Maria, a tonta”, a prostituta velha com alma de donzela, que acreditava no amor.
Nicolas Vidal do conto “A mulher do juiz”, que soube desde sempre que perderia a vida por uma mulher.
A professora Inês do conto “O hóspede da professora”, a matrona mais respeitada de Agua Santa, que esperou muitos anos para fazer justiça com uma catana de abrir cocos.
Li pela primeira vez estes contos em 1990. Recordo, porque anotei, o deslumbramento que senti.
Hoje, reli e voltei a deslumbrar-me.
- Conta-me um conto – digo-te.
- Como queres que ele seja?
- Conta-me um conto que nunca contasses a ninguém.
Maravilha!
Contos de Eva Luna, de Isabel Allende
Ed. Difel, 1990
Tradução de Carlos Martins Pereira
249 págs.

14 fevereiro, 2012

Celebrar o AMOR com "Afrodite" de Isabel Allende


 No Dia dos Namorados deliciem-se com este livro mágico de Isabel Allende, porque "a sexualidade é uma componente da boa saúde, inspira a criação e faz parte do caminho da alma...".

"Dá-me mil beijos, a seguir cem, depois outros mil, a seguir mais cem, a seguir mil, depois cem; por fim, quando tivermos somado muitos milhares, baralharemos a conta para não a sabermos e para que nenhum invejoso nos possa lançar mau olhado quando souber que nos demos tantos beijos.

» Não consigo separar o erotismo da comida e não vejo razão para o fazer, pelo contrário, pretendo continuar desfrutando os dois enquanto as forças e o bom humor mo permitirem.

» Aqui referimo-nos só à arte sensual da comida e aos seus efeitos na execução amorosa, e oferecemos receitas com produtos que podem ser ingeridos pela via oral sem perigo de morte – pelo menos imediata – e que além disso são saborosos.

» Limitamo-nos a afrodisíacos simples, como as ostras recebidas da boca do amante, segundo uma receita infalível de Casanova, que desta forma seduziu algumas noviças malandras, ou a suave massa de mel e amêndoas moídas que os eleitos de Cleópatra lambiam nas suas partes íntimas, perdendo assim o juízo, e também receitas modernas com menos calorias e colesterol. Não demos mezinhas sobrenaturais, porque este livro é um livro prático e sabemos como é difícil conseguir patas de koala, olhos de salamandra e urina de virgem, três espécies em via de extinção."

Mas há mais...muito mais!

Dedico estas divagações eróticas aos amantes brincalhões e – porque não? – também aos homens assustados e às mulheres melancólicas. – Isabel Allende

Afrodite – Histórias, Receitas e outros Afrodisíacos, de Isabel Allende
Difel, 1997
Tradução de Cristina Rodriguez e Artur Guerra
323 págs.

05 fevereiro, 2012

"O meu país inventado" - Isabel Allende

Realmente, o bom nestas coisas da blogosfera é a partilha de informações, opiniões e até de críticas.
No blogue tonsdeazul li uma opinião sobre o livro de Isabel Allende - Inês da Minha Alma - que, como diz a autora do blogue e eu confirmo, é uma verdadeira lição de história.
Lembrei-me, então, de um livro da mesma autora que li depois de uma viagem ao Chile e que me maravilhou e ensinou imenso sobre aquele país fantástico.
Recordo que Isabel Allende nasceu em Lima, no Peru, em 1942, mas tem a nacionalidade chilena.
Como considero a sinopse do livro muito bem feita vou reproduzi-la:
O amor pelo Chile e uma grande nostalgia são a origem deste livro. A presença contínua do passado, o sentimento de ver-se ausente da pátria, a melancolia por essa perda, a consciência de ter sido peregrina e forasteira: em O Meu País Inventado, Isabel Allende recolhe toda a emoção que isto implica, e transmite-a com inteligência e humor. Analisado pelo olhar e pelas recordações da autora, o Chile torna-se um país real e simultaneamente fantástico, uma terra estóica e hospitaleira, de homens machistas e mulheres fortes, apegadas à terra.
Organizado sobre o eixo da nostalgia, O Meu País Inventado é uma obra divertida, rápida e inocente. Nela está presente uma caracterização do povo chileno, geográfica e sociológica. Mas a autora não nos mostra apenas o seu país, o livro apresenta-se também como uma oportunidade para conhecer o mundo interior de Isabel Allende e as suas origens.
Uma amálgama entre o ensaio e a biografia, na qual, como diz a autora "dança com a memória" tratando-se de "recuperar o que é e o que foi o Chile, a minha infância, a minha família e a minha literatura".
Prometo não voltar tão cedo à autora....
Conseguirei?

O meu país inventado, Isabel Allende
Difel, 2003
Tradução de Armando Pereira da Silva
215 págs.

31 janeiro, 2012

Vale a pena ler... Isabel Allende

- Isabel, por que escreves?

- Creio que a escrita é uma tentativa para entender a confusão da vida, para tornar o mundo mais tolerável e, se possível, mudá-lo. Por que escrevo? Porque estou cheia de histórias que me pedem para ser contadas, porque as palavras me sufocam, porque gosto e necessito, porque, se não escrevo, seca-se-me a alma e morro.

(Pergunta feita por Celia Correas Zapata, autora de numerosos estudos sobre autores espanhóis e latino-americanos contemporâneos).

27 janeiro, 2012

"Retrato a sépia" - Isabel Allende

A obra da prestigiada escritora chilena Isabel Allende merece figurar no meu rol de releituras deste novo ano.
Assim sendo, “saltei” por cima dos romances mais conhecidos da autora e escolhi “Retrato a sépia”, que não sendo o livro de que mais gostei, considero-o um magnífico romance histórico (Chile, finais do século XIX), uma saga familiar (de que eu tanto gosto) e um verdadeiro hino à mulher.
Cada qual escolhe o tom para contar a sua própria história. Vivo entre matizes difusos, esbatidos misteriosos, incertezas; o tom para contar a minha vida ajusta-se mais ao de um retrato a sépia…
Quem o diz é Aurora do Valle, fascinada pela fotografia desde os treze anos e que, aos trinta, decide “bordar uma tapeçaria da sua vida”, passo a passo, palavra a palavra, foto a foto, para manter vivo um passado rico de lembranças e segredos, especialmente os das mulheres da sua família. Sempre as mulheres…
Lembra-te que a roupa suja se lava em casa, avisaram-na, escreve com honestidade e não te preocupes com sentimentos alheios, porque digas o que disseres, de qualquer forma vão odiar-te.
Isabel Allende consegue, como ninguém, manter-nos presos às suas histórias de amor, traições e mistérios. As suas personagens são inesquecíveis. Neste romance encontramo-nos com algumas de Filha da Fortuna e de A casa dos Espíritos. Tem graça descobri-las e recordar outras histórias.
Se o que pretende é o efeito de um quadro, pinte, Aurora. Se o que pretende é a verdade, aprenda a usar a sua máquina.
Gostei de voltar a este romance.
"Conheci" mulheres maravilhosas e aprendi a ver a verdade nas minhas fotografias.

Retrato a sépia, de Isabel Allende
Difel, 2001
Tradução de Maria Helena Pitta
329 págs.

27 abril, 2011

Li e sublinhei... Isabel Allende


• “As fotografias enganam o tempo, suspendendo-o num pedaço de papel onde não cabe a alma”.

• “O amor salva-nos da solidão, a pior condenação da velhice”.