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16 novembro, 2014

Vale a pena ler... José Pacheco Pereira


"Vale a pena ler livros novos?
Todas as vezes que lemos um livro deixamos de ler outro. É mesmo assim, positivo e negativo, para os poucos milhares de livros que podemos ler, mesmo sendo grandes leitores. Já uma vez fiz este cálculo e na melhor das hipóteses, numa vida de grande leitor, dificilmente se pode ultrapassar os 4000-5000 livros e já a contar por cima.
Vale a pena ler livros novos? Ou dito de outra maneira, se não temos tempo para ler o património fundamental da literatura dos últimos 2500 anos, vale a pena perder tempo a ler livros “novos”, a esmagadora maioria dos quais desaparece da memória literária a alta velocidade, porque, no fundo, nada tinham a acrescentar de novo ao património anterior?
Não está tudo já escrito e reescrito com qualidade já testada e com real ligação com o que de mais indispensável existe na nossa história cultural? Como podemos viver sem Ibsen, Molière, Bocaccio, Stendhal, Cervantes, Safo, Virgílio, mesmo quando já não temos tempo para os ler como merecem sem também já escolhermos entre Proust ou Claudel, ou Dickens e Conrad, ou Nabokov e Updike?
É um problema que tem sentido colocar, porque, sendo nós finitos, estamos limitados e temos de fazer escolhas. Se eu pudesse ler tudo, não havia problema. Tem de existir por isso argumentos a favor de o “novo” por testar e perder assim algo do antigo já testado."

Vale a pena ler excelentes crónicas, como esta publicada no jornal Público de 15 Novembro 2014

(foto tirada da net)

03 abril, 2012

Vale a pena ler... José Pacheco Pereira


Um leitor de jornais no Porto dos anos sessenta


Não sei se aprendemos muito com o passado e também duvido que ele tenha qualquer “lição” para nos dar, mas conhecê-lo torna o presente mais interessante, mais complexo e mais presunçoso nas ilusões de que se faz a “actualidade”. A nostalgia do passado é uma estupidez, porque, de um modo geral, o passado era pior do que o presente, mas a falta de memória transforma esta estupidez num modo de vida.

Excerto da crónica publicada no jornal Público de 31 Março 2012
Vale a pena ler na íntegra.

21 fevereiro, 2012

Vale a pena ler... José Pacheco Pereira

O fim das livrarias

A grande livraria clássica está a desaparecer.
....
Eram livrarias de pessoas, feitas de pessoas e para as pessoas, em que os livros não eram instrumentais, mas eram um “mundo” em que todos participavam. Esse mundo está a desaparecer para o comum dos portugueses e a deslocar-se para os consumidores “de culto” ou para os consumidores de “papel pintado” e capas todas iguais, ou para aqueles que dizem que lêem no iPad e não lêem coisa nenhuma.
Parte desta mudança é inevitável, e não é má em si porque para muita gente significa que vai continuar a ler: não faço parte dos nostálgicos do cheiro dos livros, nem das más livrarias, mesmo com cem anos. Mas das boas livrarias tenho pena que desapareçam e prescindo que me dêem lições de mercado e da “destruição criativa” schumpeteriana. Não é isso que está em causa, mas aquilo que, num balanço geral, feito por qualquer Deus que veja tudo, significa mais pobreza, menos qualidade, mais deserto afectivo como os “likes” do Facebook, mais tijolos da moda, e menos livros que sejam livros na mão de quem os vende e na mão de quem os compra.

Excerto da crónica publicada no jornal Público de 18 Fevereiro 2012
Vale a pena ler na íntegra.