Ao respirar, vivemos; ao falar, comungamos do sublime. Nas nossas conversas uns com os outros – quando ouvimos e respondemos – criamos as nossas ligações: amizades, inimizades e amores.
Ao longo de 395 páginas, repartidas por quatro capítulos, “C” de Carbon: o elemento básico da vida - dá a conhecer, de forma engenhosa, a fantástica vida de Serge Carrefax (1898-1922), uma vida curta, marcada pelos mistérios da comunicação, num período em que o mundo passa por grandes mudanças e tragédias.
1º Coifa – descreve a infância de Serge em Versoie, na província inglesa, num ambiente familiar único: o pai é um homem fascinado pelas experiências com as comunicações sem fio, que ao mesmo tempo dirige uma escola para surdos-mudos; a mãe é responsável pela produção de seda; Sophie - a irmã com quem ele tem uma relação que o marcará para toda a vida - domina a química, a botânica e a criptografia.
Após a morte estranha da irmã, Serge deixa a casa da família e busca numa estância termal remédio para os seus problemas de saúde.
2º Chuto – o eclodir da I Guerra Mundial leva Serge a ingressar na Academia da Força Aérea. Vai pilotar um avião que ao sobrevoar o lado alemão emite sinais codificados que guiarão as bombas inglesas para os alvos inimigos. Descobre a cocaína e começa a andar permanentemente dopado.
3º Colisão – a guerra acaba e Serge viaja compulsivamente entre Versoie e Londres, como se ”ao andar bastante de um lado para o outro o mundo se arrumasse à sua volta”. Em Londres estuda arquitectura, trabalha no Ministério das Comunicações e “perde-se” em sessões de espiritismo e nos prazeres do sexo e das drogas.
4º Chamada – Serge parte para a derradeira aventura no Egipto. Sempre ligado às comunicações é convidado para colaborar na montagem da rede de comunicações sem fios do Império Britânico. Morre em 1922, o ano da fundação da BBC.
A música também transmite sinais (...) Quando Serge fecha os olhos, os sinais transformam-se em imagens: palavras e formas desenhadas a luz contra um vazio negro, apagadas, escritas de novo, mundos que se criam e desfazem...
A música também transmite sinais (...) Quando Serge fecha os olhos, os sinais transformam-se em imagens: palavras e formas desenhadas a luz contra um vazio negro, apagadas, escritas de novo, mundos que se criam e desfazem...
E mais não desvendo!
Achei a escrita de Tom McCarthy inspirada e inteligente, mas demasiado descritiva e repetitiva. Exigência narrativa? Talvez!
Uma coisa é certa, este é um romance original, brilhante e colorido. Apercebi-me, logo na primeira página, que o autor usava e abusava das cores: pássaros negros, mala castanha, aparelho… preto, papel amarelo, frutos brancos entre folhagem verde e vermelha... Então, fui lendo e anotando as cores por capítulo. O resultado é este:
Certamente deixei escapar algumas, mas estas bastam para eu dizer que cor é coisa que não falta neste romance.
Confira, lendo ou descodificando, como queira!
(Para mim, leitura é também diversão!)
C, de Tom McCarthy
Editorial Presença, 2011
Tradução de Maria João da Rocha Afonso
395 págs.
Achei a escrita de Tom McCarthy inspirada e inteligente, mas demasiado descritiva e repetitiva. Exigência narrativa? Talvez!
Uma coisa é certa, este é um romance original, brilhante e colorido. Apercebi-me, logo na primeira página, que o autor usava e abusava das cores: pássaros negros, mala castanha, aparelho… preto, papel amarelo, frutos brancos entre folhagem verde e vermelha... Então, fui lendo e anotando as cores por capítulo. O resultado é este:
Cor
|
1º Capítulo
|
2º Capítulo
|
3º Capítulo
|
4º Capítulo
|
Total
|
negro
|
22
|
14
|
2
|
22
|
60
|
preto
|
7
|
3
|
3
|
3
|
16
|
amarelo
|
5
|
10
|
2
|
1
|
18
|
laranja
|
4
|
5
|
1
|
10
| |
cinzento
|
7
|
2
|
1
|
1
|
11
|
branco
|
18
|
16
|
4
|
10
|
48
|
encarnado
|
1
|
1
|
2
| ||
verde
|
8
|
7
|
3
|
3
|
21
|
azul
|
14
|
7
|
4
|
4
|
29
|
vermelho
|
17
|
15
|
5
|
3
|
40
|
dourado
|
3
|
1
|
1
|
5
| |
roxo
|
2
|
1
|
3
| ||
prateado
|
2
|
1
|
3
| ||
castanho
|
9
|
10
|
1
|
20
| |
carmesim
|
3
|
2
|
5
| ||
lilás
|
1
|
1
| |||
violeta
|
1
|
1
| |||
púrpura
|
1
|
1
| |||
rosa
|
1
|
1
|
Certamente deixei escapar algumas, mas estas bastam para eu dizer que cor é coisa que não falta neste romance.
Confira, lendo ou descodificando, como queira!
(Para mim, leitura é também diversão!)
C, de Tom McCarthy
Editorial Presença, 2011
Tradução de Maria João da Rocha Afonso
395 págs.













