21 junho, 2019

"ABAT-JOUR" - poema de Paul Géraldy

Você pergunta porque eu fico sem falar...
Porque este é o grande instante em que
existe o beijo e existe o olhar,
porque é noite... e esta noite eu gosto de você!
Chegue-se bem a mim. Eu preciso de beijos.
Ah! se você soubesse o que há, esta noite, em mim
de orgulhos, ambições, ternuras e desejos!...
Mas, não, você não sabe, e é bem melhor assim!
Abaixe um pouco mais o abat-jour! Está bem.
É na sombra que o coração fala e repousa:
tanto mais os olhos se vêem,
quanto menos se vêem as cousas...
Hoje eu amo demais para falar de amor.
Venha aqui, bem perto! Eu queria
ser hoje, seja como for,
aquele que se acaricia...
Abaixe ainda mais o abat-jour. 
Vamos ficar sem dizer nada.
Eu quero sentir bem o gosto
das suas mãos sobre o meu rosto!...
Mas quem está aí? Ah, é a criada
que traz o café... Não podia
deixar aí mesmo? Não importa!
Pode ir-se embora!... E feche a porta!...
Mas o que é mesmo que eu dizia?
Quer... agora o café? Se você preferir...
Já sei: você gosta bem quente.
Espere um pouco! Eu mesmo é que quero servir.
Está tão forte!... Assim? Mais açúcar? Somente?
Não quer então que prove por
você?... Aqui está, minha adorada...
Mas que escuro! Não se enxerga nada...
Levante um pouco esse abat-jour.

Poema de PAUL GÉRALDY, dramaturgo e poeta francês (1885-1983)
Tradução de Guilherme de Almeida, advogado, jornalista, poeta e tradutor brasileiro (1890-1969)


Comecei por escolher imagens de amantes enlaçados, beijos, carícias e desejos... e acabei por publicar abat-jours. 
"Chegue-se bem a mim" e eu digo-lhe porquê!

(Fotos da net.)

Vou ali e já volto!!!


22 comentários:

  1. Um bonito poema. Gosto desses abat-jours.
    Boa viagem e divirta-se.
    Abraço e bom fim-de-semana

    R: Pergunta se o presente continua. Para quem tiver paciência, ainda por mais umas semanas.

    ResponderEliminar
  2. Cheguei-me bem ao POEMA, que adorei.

    A escolha dos abat-jours foi a escolha correcta. Os abat-jours são a 'personagem' principal do poema.

    Vai aí e volta depressa 🌫🌫🌫

    ResponderEliminar
  3. Maravilhoso este poema que é de amor, mas com o amor se interroga "Hoje eu amo demais para falar de amor".
    Um grande beijo, minha Amiga Teresa.

    ResponderEliminar
  4. Lindo e romântico poema! Gostei muito! Boa folguinha! beijos, chica

    ResponderEliminar
  5. Os abat-jours são lindos. Uma obra de arte! ; ))
    O poema não conhecia.
    Se vai passear, que tenha uma boa viagem.

    ResponderEliminar
  6. Achei o poema lindo, um retrato muito verdadeiro da vida, das pessoas, da intimidade. Mas esses abat-jours estão sensacionais, obras primas! Acho que a tua ideia foi melhor, imagens das quais falas estão em todos os lugares, essas que postastes, nunca as tinha visto.
    Beijo, querida amiga, te enviei emails...por onde andas?

    ResponderEliminar
  7. As imagens foram muito bem escolhidas.
    Não conhecia o poema, do qual gostei muito. Obrigado pela partilha.
    Teresa, um bom fim de semana.
    Beijo.

    ResponderEliminar
  8. Bom passeio, Teresa!
    Abraços daqui destas terras brasileiras.

    ResponderEliminar
  9. Desejo-lhe uma boa estadia em ali. E bom fim de semana :)

    ResponderEliminar
  10. Boa noite de paz, querida amiga Teresa!
    Lindo post! Revela seu super bom gosto.
    Gostei dos efeitos sinestesicos de cada estrofe em separado... Lindo demais o abaixar do abajour!
    Tenha dias abencoados!
    Bjm carinhoso e fraterno de paz e bem

    ResponderEliminar
  11. Um poema divertido... :)
    Se ali estão as férias, que sejam boas!

    ResponderEliminar
  12. Que o tempo esteja bom nesse " ali " para onde vais, pois por cá chove como num dia de inverno. Não demores muito, tá? Pensei em encontrar-te no tal " ali ", mas achei melhor não perturbar ...fica para a próxima...
    Beijos e um abraço do tamanho do mundo
    Emilia

    ResponderEliminar
  13. Eu direi vou ali e já volto a partir de quarta-feira.
    Boas férias.
    Beijo

    ResponderEliminar
  14. Que belíssimo poema de Paul Gérard... Que boa opção!...
    Abrc.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá, Daniel!
      Seja bem-vindo ao "rol de leituras".
      Já passei pelo seu blogue de poesia. Voltarei com mais calma.
      Beijo, boa semana.

      Eliminar
  15. Caros amigos leitores,
    estamos de volta com um novo "conto" escrito a várias mãos. Desta vez inspirado em "A Quadrilha" de Carlos Drumond de Andrade.

    Convidamos-vos a ler o primeiro capítulo
    https://contospartilhados.blogspot.com/2019/06/variacoes-em-quadrilha-capitulo-1.html

    Votos de excelente semana
    Saudações literárias!

    ResponderEliminar

  16. Ah... agora entendo o silêncio ali do outro lado! :))

    Eu adorei o poema, diverti-me imenso a lê-lo, principalmente da segunda vez que o li. Mas olha que não sei se adorei ainda mais os abat-jours. É que são lin-dí-ssi-mos!

    Beijinhos e bom descanso/viagem/férias...
    (^^)

    ResponderEliminar
  17. Que poema maravilhoso, abaixei e subi o abat-jour e sorvi o delicioso café preto e bem quente com pouco açúcar e adormeci sob o abat-jour. Lindo demais Teresa na sua belíssima partilha.
    Beijo amiga e bom fim de semana.
    Vá na paz e volte bem.

    ResponderEliminar
  18. Bom dia, é lindo "É na sombra que o coração fala e repousa" confesso que não conheço o poeta Paul Gérard, não me admiro por não o conhecer, não sou muito ligado a poesia nem a poetas.
    Feliz continuação,
    AG

    ResponderEliminar
  19. Querida Teresa

    Interessantíssimo este poema de Paul Géraldy, com esse jogo de palavras em que o abat-jour desempenha um papel de sedução.

    E o mais giro é que amanhã começo um pequeno ciclo dedicado a Guilherme de Almeida, conhecido como o "Principe dos Poetas", pelo quinquagésimo aniversário da sua morte. E venho encontrá-lo aqui, hoje!

    Beijos

    Olinda

    ResponderEliminar