21 março, 2017

Dia mundial da poesia


“Todos os dias deveríamos ler um bom poema, ouvir uma linda canção, contemplar um belo quadro e dizer algumas palavras bonitas.”
Goethe, escritor alemão (1749-1832)

 
Hoje eu li RENOVA-TEde Cecília Meireles, jornalista, escritora e professora brasileira (1901-64) e amei.

Renova-te.
Renasce em ti mesmo.
Multiplica os teus olhos, para verem mais.
Multiplica os teus braços para semeares tudo.
Destrói os olhos que tiverem visto.
Cria outros, para as visões novas.
Destrói os braços que tiverem semeado,
Para se esquecerem de colher.
Sê sempre o mesmo.
Sempre outro. Mas sempre alto.
Sempre longe.
E dentro de tudo.

(Foto da net)

20 março, 2017

Dia internacional da felicidade??!!


A felicidade é disparatada como uma rosa na boca de um jacaré. Em seu esforço para não ser um jacaré, extasia-se o homem na felicidade de o não ser completamente dizendo isso num sorriso monstruoso que é uma rosa na boca de um jacaré .Ah! como o assassino é legível na ária da felicidade que lhe floresce na boca! Todos os assassinos trazem uma flor na boca; um sorriso de metódicas navalhas. Todos os felizes são assassinos, ou vítimas, é a mesma coisa. Recusar a felicidade é vomitar a memória, deslembrança do sítio onde o ouro se transtorna em chumbo.
Só conheço uma espécie de miseráveis: os felizes. Porque a felicidade é o tributo que pagam à miséria da existência.
Somos no que nos excede e só a infelicidade verdadeira nos excede. A alegria também um pouco porque é a resplandecente e frenética ironia da felicidade não existir.
Um novo dia! dizem os felizes, perfurando as paredes da esperança para espreitarem suas nádegas operárias do vício solitário do triunfo nos quartos de curta permanência que a felicidade aluga. Um novo dia! diz gota a gota a baba com que os felizes tecem seu sequestro de esperançosas toupeiras.
Como se não houvesse sempre e apenas um só dia, uma onda ininterrupta, eternamente solta trespassando-nos na vida que os campos sáfaros da existência alaga. Um volátil e fixo sustenido de platina de um intocado violino que os felizes fingem dividir em agulhas com que malcriadamente palitam os olhos nos sítios mais concorridos.”

Quadro de Agostinho Santos, pintor, escritor e jornalista português (n.1960), tirado da net.
Texto de Natália Correia, intelectual, poeta e activista social açoriana (1923-93), tirado daqui:


10 março, 2017

É de pequenino...

Quem é esta criancinha seriamente empenhada em aprender os números e as letras?
Chama-se Madalena, tem seis meses (feitos no passado dia 25), e é minha neta .
A mana Carolina (prestes a fazer 6 anos), está decidida a ensinar-lhe os números e as letras e ela, divertida, “alinha” na brincadeira.

A avó, convicta de que desde cedo se deve incutir nas crianças hábitos de leitura, sorri enternecida e deixa um conselho à mana mais velha:
“Carolina,vai com calma. A Madalena é muito pequenina. Brinca com ela, mostra-lhe os números e as letras e lê-lhe historinhas. Assim. aprendem as duas: ela a gostar ainda mais de ti e tu a leres cada vez melhor. Concordas?"
Amo, de paixão, as minhas pequeninas.


“E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos?
Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar.”
José Saramago, escritor português (1922-2010)
Prémio Nobel de Literatura, 1998

“É preciso fazer compreender à criança que a leitura é o mais movimentado, o mais variado, o mais engraçado dos mundos.”
Alceu Amoroso Lima, crítico literário, professor, pensador, escritor e líder católico brasileiro (1893- 1983)

“Meus filhos terão computadores, sim, mas antes terão livros. Sem livros, sem leitura, os nossos filhos serão incapazes de escrever - inclusive a sua própria história.”
Bill Gates, magnata, filantropo e autor norte-americano (1955-)

08 março, 2017

Dia internacional da mulher

O tempo passou e muita coisa mudou...

"A organização do trabalho no lar
(…)
O almoço do teu marido deverá ser servido à hora exactamente indicada por ele, para que não tenha que esperar e depois comer rapidamente.
Não te esqueças nunca de pôr flores na mesa. Recebe-o alegre, engraçada, bem disposta, porque a tua alegria e boa disposição serão o sol que ele levará na alma e lhe iluminará alguma penumbra que surja na sua vida profissional.
Vamos lá dar uma directriz à distribuição do teu trabalho pelos dias de semana, para que chegues ao domingo com um rosto fresco e o teu marido não entristeça ou aborreça ao olhar para ti:

2ª feira – Lavagem de roupa. No espaço de tempo em que ela está na lixívia, fazer um justo e bem merecido repouso. Após esse pequeno descanso, escoas a água do tanque, sem tirar a roupa e abres a torneira. Deixas ficar assim a roupa em água limpa. Para te poupares, não a passar por água limpa, segunda vez, não a torces nem a estendes, no próprio dia. Deixas isso para o dia seguinte, de manhã. Por hoje basta!

3ª feira – Após o almoço e a cozinha já devidamente arranjada – e como o jantar tem pouco para fazer, visto que, de manhã já preparaste a sopa para todo o dia e o prato do jantar será um pargo assado com batatinhas – deitas-te, no divan da salinha, até às 4 e meia.
A essa hora levantas-te repousada e fresca e entregas-te a pequenas ocupações indispensáveis: - limpar e vincar um fato do teu marido; lavar, com benzina, as tuas luvas brancas; renovar as flores das jarras; responder à carta da tua mãe; ordenar os livros da tua pequenas estante, etc., etc.
(Esqueci-me de te recomendar o seguinte: sempre que faças o teu habitual repouso da tarde, faze, no rosto e nas mãos, uma massagem com um bom creme de alimento e fica com ele, enquanto dormes).

4ª feira – Este será o dia destinado à roupa: ver se precisa de alguns pontos e engomá-la. Como é só de vocês dois, deves poder engomá-la toda num só dia. Se, porém, te sentires fatigada, não insistas, e acaba-a no dia seguinte. A tua beleza e a tua saúde são mais importantes.

5ª feira – Destina a tua tarde ao lustro dos alumínios e de alguma prata ou metais que tenhas para limpar. Levanta a pequena carpete da salinha e a da casa de jantar e deixa-as penduradas na varanda da casinha. À noite batê-las-ás. (Para todos estes trabalhos – principalmente a limpeza dos alumínios e metais – não te esqueças de calçar as luvas de borracha).

6ª feira – Hoje é o dia da limpeza maior à casa, mas como já tens os alumínios os metais e os tapetes limpos, ser-te-á fácil. Varres, limpas o pó, dás um pouco de cera, pões flores frescas nas jarras – e está pronto. Não guardes nunca a limpeza para o sábado, porque o teu marido faz a semana-inglesa e, nas tardes de sábado fica em casa. Já vês que desagradável seria, andares com a casa no alvoroço das limpezas…

Sábado – A cama de lavado, as toalhas da casa de banho e todos os panos de cozinha, incluindo esfregão da louça e as pegas dos tachos. Domingo já não terás este trabalho. Despacha tudo cedo, para consagrares a tarde a teu marido.

Domingo – Tens toda a casa em ordem, portanto, depois do almoço, podem dar um passeio ou ir ao cinema. Simplifica o jantar mas… vê lá: apresenta sempre uma travessa bem farta. O teu marido precisa de ser bem alimentado.

E pronto. Distribui assim o teu trabalho, controlando as tuas forças e nunca te excedendo. O teu sorriso, a tua saúde, a tua boa disposição iluminarão sempre as quatro paredes brancas da tua casinha e a vossa vida decorrerá tranquila e feliz."

(Tirei de um livro que foi da minha mãe e agora é meu: "O livro das noivas", da Colecção Laura Santos, Editorial Lavores, 1957.  Surpreendente!
Foto da net.)

Ufa! Fiquei cansada de tanto limpar.
Cansada mas sorridente e bem disposta. 
Agora vou fazer a "Sopa feliz" e o "Bolo de namorados". O meu marido precisa de ser bem alimentado...
Grande abraço para todas as mulheres.

07 março, 2017

24º - Excertos do "Livro do desassossego", de Fernando Pessoa


257-(13-6-1930)
“Vivo sempre no presente. O futuro, não o conheço. O passado, já não o tenho. Pesa-me um como a possibilidade de tudo, o outro como a realidade do nada. Não tenho esperanças nem saudades.”

260-(Junho-Julho de 1930)
“Somos quem somos, e a vida é pronta e triste. O som das ondas à noite é um som da noite; e quantos o ouviram na própria alma, como a esperança constante que se desfaz no escuro com um som surdo de espuma funda! Que lágrimas choraram os que obtiveram, que lágrimas perderam os que conseguiram! E tudo isto, no passeio à beira-mar, se me tornou o segredo da noite e da confidência do abismo. “

Leia (tudo) e… deslumbre-se!