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05 abril, 2019

Viajando e aprendendo: Estados Unidos da América e Canadá (1)


"Viajar é mudar o cenário da solidão."
Mário Quintana, poeta brasileiro (1906-94)

Em 1999 viajámos para os Estados Unidos da América (Nova Iorque, Washington, Williamsport) e Canadá (Niagara Falls, Welland, Toronto, Ottawa, Quebec, Montreal), integrados num grupo de 41 pessoas. À partida de Lisboa não conhecíamos ninguém. No regresso já todos éramos amigos de longa data. Foi um grupo especial. Nem o "grupo especial" da China o bateu!
Após pouco mais de 8 horas de voo, aterrámos no Aeroporto Internacional J.F. Kennedy , Nova Iorque, e juntou-se ao grupo uma guia (fluente em espanhol) e um motorista, ambos canadianos. De 41 o grupo passou a 43 e juntos percorremos várias centenas de quilómetros, num autocarro canadiano, claro!
Seguimos para o hotel, no centro de Manhattan. Depois da distribuição de quartos a guia deu-nos 15 minutos e logo saímos para uma curta caminhada surpresa.
Em grupo, caminhámos pela 5ª Avenida, chegámos ao mítico Empire State Building, subimos ao topo dos 102 andares e na plataforma de observação, com um raio de visão de 360º, observámos um impressionante pôr-do-sol sobre Nova Iorque. Aquela vista insuperável, que me molhou os olhos e quase me tirou o fôlego, ficou gravada na minha memória. (Fotos só tenho uma, no átrio do edifício. A máquina fotográfica levei-a comigo, mas o rolo ficou no hotel...).
No dia seguinte, por ser perto do hotel iniciámos a visita à cidade pela St. Patrick’s Cathedral (templo católico estilo neogótico), dali caminhámos até Rockefeller Centre (importante complexo de negócios, localizado no centro de Manhattan), continuámos caminhando até ao edifício da ONU (apenas vimos por fora), e ao Grand Central Terminal (impressionante terminal ferroviário, com um hall «Vanderbilt Hall» com mais de 1.100 metros quadrados e tecto decorado com belíssimas pinturas astronómicas), passámos pela Wall Street (rua do Distrito Financeiro da cidade onde se localiza a Bolsa de Valores, a mais importante do mundo), passeámos no Central Park (o simbólico parque urbano de Nova Iorque de mais de 340 hectares, com lagos artificiais, cascatas, monumentos, memoriais, restaurantes, etc., etc.).
Ao fim da tarde a guia deu-nos a escolher: visita às Torres Gémeas ou viagem de ferry até à Staten Island (um dos cinco distritos da cidade), com aproximação à Estátua da Liberdade. Nós ficámos no grupo que optou pela viagem de ferry nas águas do rio Hudson para dali admirarmos a Estátua da Liberdade e os arranha-céus de Manhattan banhados por um belíssimo pôr-do-sol.
À noite caminhámos por Chinatown (bairro no Lower East Side com a maior comunidade de chineses, fora do oriente), Times Square (um dos principais pontos turísticos de Manhattan) e Broadway (avenida famosa pelos seus 43 teatros).
(Não, eu não subi às Torres Gémeas... estive lá perto... preferi a magnífica panorâmica de  Manhattan vista do rio, uma experiência fantástica!)
Na manhã do dia seguinte caminhámos sem destino pelas ruas de Manhattan e tentámos o impossível: caminhar nos passeios olhando o topo dos arranha-céus; contar os táxis amarelos que passavam por nós (centenas, colados uns aos outros); descobrir porque caminhava apressada toda a gente; admirar mulheres elegantemente vestidas e com ténis (os sapatos vão na carteira ou estão na gaveta da secretária, dizia a guia).
Visitar Nova Iorque, a cidade mais densamente povoada dos Estados Unidos da América, a cidade com a maior diversidade linguística do mundo, a cidade que nunca dorme, foi uma experiência inolvidável!
E chegou o dia da partida  para Washington.

Washington D.C. (Washington em homenagem ao Presidente George Washington , D.C. abreviatura de District of Columbia), é a capital e o distrito federal dos Estados Unidos da América.
Situada no leste do país, na margem norte do Rio Potomac e em terras doadas pelos estados de Maryland e Virginia, Washington D.C., com uma população de pouco mais de 700 mil habitantes, é a sede do governo dos Estados Unidos. É  lá que estão sediadas diversas instituições nacionais e internacionais como o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial e a Organização dos Estados Americanos.
Tínhamos dois dias para visitar uma cidade repleta de monumentos históricos, edifícios governamentais, universidades, museus. Começámos pela White House (Casa Branca), a residência oficial e gabinete executivo do Presidente dos Estados Unidos, um imponente edifício de arenito esbranquiçado, no estilo georgiano; Capitol Hill, local onde se concentra o poder político dos Estados Unidos: Capitol (Capitólio) onde funciona o senado e a câmara dos deputados, a Library of Congress (Biblioteca do Congresso), a maior biblioteca do mundo; a sede da Suprema Corte, principal órgão judicial dos Estados Unidos; Lincoln Memorial, onde numa das três câmaras se encontra a imponente estátua de Abraham Lincoln, 16º Presidente dos Estados Unidos, que aboliu a escravidão no país; Washington Monument, um obelisco com 169 metros de altura localizado no centro do Constitution Gardens, memorial a George Washington, primeiro presidente dos Estados Unidos.

Visitámos ainda o Vietnam Veterans Memorial, tributo aos soldados que combateram na Guerra do Vietnam, construído em 1982 e constituído por três partes distintas: Three Soldiers Statue (representado por três soldados : um branco, um negro, um hispânico), Vietnam Womens’s Memorial (tributo às mulheres falecidas na guerra), Vietnam Veteran’s Memorial Wall (muro-memorial aos veteranos da guerra); 
Korean War Veterans Memorial
Arlington National Cemetery, o cemitério militar dos Estados Unidos); 
Washington CathedralThe George Washington University (fundada em 1821).
E adeus Washington, chegou a hora de arrancar para Niagara Falls (Cataratas do Niágara).  Mas, antes de lá chegarmos, almoçámos numa aldeia Amish (encantadora) e dormimos em Williamsport, pequena cidade localizada no estado de Pensilvânia.
Eu com um guarda florestal, no Vietnam Veterans Memorial.

Continua...
Mais fotos (muitas) aqui.

25 janeiro, 2019

Viajando e aprendendo: Seychelles e África do Sul

"A viagem é melhor que o fim."
Miguel de Cervantes, escritor espanhol (1547-1616)

Em 1995 celebrámos o Natal nas Seychelles e a Passagem de Ano na África do Sul.
O Carlos estava no norte de Moçambique em serviço, eu fui ter com ele a Maputo e dali voámos para Mahé, via Johannesburg. 
Mahé é a maior (28 km comprimeto/8 km largura) e mais habitada das 115 ilhas do arquipélago das Seychelles – independente do Reino Unido desde 1976 - um paraíso localizado no Oceano Índico Ocidental, visitado por turistas de todo o mundo.
Com  baías cristalinas, praias de areia branca, águas azul-turquesa, hotéis luxuosos ou modestos, vegetação verde e luxuriante (chuvisca todos os dias) e uma temperatura amena e constante, é o destino exótico ideal para quem gosta de banhos de mar em praias quase desertas, fazer mergulho, admirar a natureza, comer peixe fresquíssimo, conviver e descansar.
Ali não se vivem noites ruidosas. Ali a natureza impõe silêncio.
Ficámos alojados num pequeno hotel familiar localizado sobre a areia de uma  praia encantadora. E foi quase em família que celebrámos o Natal.
Na primeira ida à praia, a nossa máquina fotográfica resolveu “experimentar”a água salgada e de imediato deixou de funcionar.
Eu entrei literalmente em pânico. Como iria fazer o registo fotográfico da viagem?
No jipe que alugámos (a melhor forma de nos movimentarmos na ilha e acedermos às praias, centro histórico e outros pontos turísticos) fomos à procura de uma nova máquina.
Em Victoria, a capital com cerca de 23 mil habitantes, comprámos a única que havia à venda: uma descartável da Kodak. Com ela fiz o mini registo fotográfico da estada nas Seychelles. Tudo o que não consegui registar em fotografias - lugares, cheiros, cores - tive de guardar na memória . Como, por exemplo, a visita ao peculiar Victoria Market ou a ida de barco à paradisíaca Ilha Moyenne.
E chegou o dia do adeus e lá voámos nós para Johannesburg, a maior cidade da África do Sul, e seguimos depois de automóvel para Sun City.
Sun City é um luxuoso, extravagante e impressionante complexo de entretenimento, situado a cerca de 200 quilómetros de Johannesburg.
Ali encontrámos hotéis, um casino gigantesco com centenas e centenas de máquinas (pode entrar-se em fato de banho), lagos, uma praia artificial com ondas que atingem 1,9 metros de altura, campos de golfe, cinemas, espectáculos de luz e som com esculturas de animais selvagens em tamanho real, restaurantes, bares, etc., etc., etc.
É, acreditem, maravilhoso!
Depois do animado final de ano, voltámos a Johannesburg e de lá voámos para o Kruger National Park.
O Kruger Park, criado em 1898 pelo presidente Paul Kruger, é um dos dez parques naturais mais importantes do mundo.
Tem cerca de 350 km de comprimento e 60 de largura e hospeda mais de quinhentas espécies de aves, 112 de répteis e 150 de mamíferos, bem representados por uma população de leões, leopardos, búfalos, elefantes e rinocerontes.
Por curiosidade diga-se que cerca de 20km2 do parque fazem fronteira com Moçambique.
Dentro do parque há mais de vinte acampamentos, equipados com restaurantes, piscinas e bungalows.
Nós ficámos 4 dias no acampamento de Skukuza, alojados num confortável bungalow cuja porta não tinha sequer fechadura. Quando me dei conta engoli uma, duas, três vezes em seco...  mas tudo correu bem!
Pela manhã, bem cedinho, saíamos do acampamento com o guia, um sul-africano simpático e competente, e mais três turistas – uma alemã e duas italianas - à procura de animais do parque. Andávamos naquela busca todo o dia (parávamos apenas para almoçar e sempre em acampamentos diferentes) e íamos anotando num folheto próprio os animais que avistávamos. 
Ao jantar,  no restaurante do acampamento ou ao ar livre (em jantares de grupo à volta da fogueira) trocávamos opiniões sobre o que víamos durante o dia.
O animal mais difícil de localizar foi o leão. Foi no último dia que encontrámos uma família de leões. Bem longe da estrada, escondidos pela vegetação, o retrato da família foi difícil de captar. Recordo o regozijo do guia, a avisar os seus colegas-guias da localização dos animais.
Vimos elefantes. Enormes, marcavam o seu território com assustadores urros.
Vimos leões, zebras, girafas, búfalos, veados, etc., etc., etc.
Macacos, vimos muitos. Atrevidos, aproximavam-se da viatura à espera de comida.
Foi um Dezembro inesquecível!

Muito tempo já passou e tudo nestes dois destinos turísticos está certamente bem diferente.
As fotos não têm grande qualidade. Só no regresso do Kruger Park comprámos uma nova máquina fotográfica num enorme Shopping Center, próximo do aeroporto.
Lamentavelmente, não conheci Johannesburg, a maior cidade da África do Sul. Uma sensação de insegurança obrigou-nos percorrer de taxi o centro da cidade, e a degradação e sujeira que por lá vi inibiu-me de o fotografar.
À Africa do Sul espero voltar. Às Seychelles, hum!, já estive em lugares paradisíacos que me seduziram muito mais.
O fim desta viagem foi tristinho. De Johannesburg o Carlos voou para Maputo. Eu voei, várias horas depois dele, directamente para Lisboa. Confesso,  no avião derramei uma lagrimita.
(Semanas depois, recebi em casa esta foto 
enviada por uma das turistas italianas do grupo de Skukuza. Amei!)

(Mais fotos aqui e aqui.)

19 outubro, 2018

Viajando e aprendendo: Chile, Argentina, Patagónia

“Os olhos têm de viajar.”
Diana Veeland, francesa, ícone da moda internacional (1903-89)

Em 2004 o destino de férias foi na América Latina: Chile (Santiago do Chile, Valparaíso e Vina del Mar); Argentina (Buenos Aires) e Patagónia (El Calafate - Glaciar Perito Moreno.)
Chile, com cerca de 757.000 km2 de superfície e 15 milhões de habitantes, ocupa uma longa e estreita faixa costeira encaixada entre a cordilheira dos Andes e o oceano Pacífico. Faz fronteira a norte com o Peru, a nordeste com a Bolívia, a leste com a Argentina e a Passagem de Drake, a ponta mais meridional do país. O oceano Pacífico forma toda a fronteira oeste do país, com um litoral que se estende por 6.435 quilómetros.
Do seu território faz ainda parte a Ilha de Páscoa e a Ilha Sala y Gómez, as ilhas do leste da Polinésia, que incorporou ao seu território em 1888, e a Ilha Robinson Crusoe, a mais de 600 quilómetros do continente, no Arquipélago Juan Fernández.
O clima é variado, seco  no deserto o Atacama, no norte do país, mediterrânico no centro, e alpino propenso a neve no sul, com geleiras, fiordes e lagos.
Santiago do Chile, a capital e maior cidade chilena, tem pouco mais de 5 milhões de habitantes. Foi fundada pelo conquistador espanhol Pedro de Valdivia, em 1541, num vale designado “vale central”.
Sempre debaixo de uma irritante chuva miudinha caminhámos pelo centro histórico, conhecemos o Palácio La Moneda (sede do governo), a Plaza das Armas, a imponente Catedral Metropolitana de Santiago, o Museu Histórico Nacional.
Fomos a Valparaíso, a cidade portuária conhecida pelas casas coloridas nas colinas íngremes e claro, andámos de funicular.
Numa das colinas visitámos a casa-museu de Pablo Neruda, donde se avista o Pacífico. Lamentavelmente, ou talvez não, era proibido fotografar o interior da peculiar casa.
A Argentina é o segundo maior país da América do Sul, constituída por uma federação de 23 províncias e uma cidade autónoma, Buenos Aires. É o oitavo maior país do mundo em área territorial, o maior entre as nações de língua espanhola e o quarto maior da América (depois de Canadá, Estados Unidos e Brasil).
A área continental da Argentina situa-se entre a Cordilheira dos Andes a oeste e o Oceano Atlântico, a leste. Faz fronteira com Paraguai e Bolívia ao norte, Brasil e Uruguai a nordeste e com o Chile a oeste e sul. A sua superfície total legal é de 3 745 247 km², dos quais 2 780 400 km² correspondem ao continente americano e 964 847 km² ao continente antárctico.
O seu território divide-se em três partes distintas: as planícies férteis das Pampas no norte do país, que são o centro da riqueza agrícola da Argentina, o planalto da Patagónia ao sul até à Terra do Fogo, e a escarpada cordilheira dos Andes ao longo da fronteira ocidental com o Chile, cujo ponto mais elevado é o monte Aconcágua, com 6 960 m de altura.
Buenos Aires é a capital e maior cidade da Argentina (200 km2), com cerca de 13 milhões de habitantes. 
Uma cidade lindíssima localizada na costa ocidental do estuário do Rio da Prata, grande, plana, que convida a longas caminhadas. Foi o que fizemos, tranquilamente, depois de visitarmos, com um guia local, as zonas mais turísticas: a Plaza de Mayo (lugar de manifestações populares) e seus arredores, a Avenidade de Mayo; a Plaza del Congresso; a Casa do Gobierno, também chamada Casa Rosada, sede da presidência do governo (um imponente edifício do século XIX), o Congresso Nacional, a Catedral Metropolitana (o templo católico mais importante da cidade).
Destaco a emocionante visita guiada, com a duração de uma hora, ao majestoso Teatro Colón, cuja acústica é considerada a melhor do mundo. Vimos TUDO, desde a grande e bela sala principal à cave, onde estão localizadas as oficinas dos cenários, adereços, vestuário,  sapataria, cabeleiras, etc., etc.
Nas ruas, aqui e ali, de dia e de noite, exímios bailarinos de tango encantam os transeuntes.
Saí de lá com uma vontade enorme de aprender aquela dança sensual. Nunca o fiz!
No centro da cidade há uma enorme oferta de restaurantes, churrascarias e tascas para todos os gostos e bolsos. Comemos o tradicional assado crioulo e comprovo: a carne argentina é fabulosa!
Festejámos o meu aniversário num sítio lindo, lindo,  onde jantámos e assistimos a um belíssimo espectáculo de Tango.
Asseguro: Buenos Aires é a capital do tango e da boa carne!
Sobre compras, por todo o lado se veem lojas com uma grande variedade de produtos de couro, prata, artesanato e muito mais, com TUDO a preços acessíveis. Uma tentação! Fazer compras em Buenos Aires foi (é, certamente!) bom demais.
Sobre diversão a oferta é grande: exposições, feiras (ao fim-de-semana), teatros, museus, espectáculos de tango, intensa vida nocturna.
Acontece que a viagem tinha de continuar. A Patagónia chamava-nos e lá voámos nós para El Calafate, na Patagónia.
A Patagónia é uma região situada no extremo sul do continente americano, conhecida como Região de Magalhães e que compreende o sul da Argentina e o sul do Chile.
A região mais meridional do continente é conhecida como Terra do Fogo (Tierra del Fuego). Nessa região está localizada a cidade mais austral do planeta, Ushuaia, conhecida como "a terra do fim do mundo".
El Calafate é uma pequena cidade localizada na província de Santa Cruz, Argentina, próximo da fronteira com o Chile, com aproximadamente 5.500 habitantes, um aeroporto moderno e hotéis de qualidade e enorme conforto.
O clima é frio, com média anual de sete graus, temperaturas máximas de treze graus e mínimas de dez abaixo de zero.
Ali, o frio é "frio", mas suportável. Convida aos afectos e afagos da alma.
El Calafate é a cidade mais próxima do Parque Nacional dos Glaciares, a cerca de 80 quilómetros, onde se localiza a maior geleira em extensão horizontal do mundo: Glaciar Perito Moreno, com 5 km de largura e 60 m de altura acima da superfície da água do lago.
Devido ao seu tamanho e acessibilidade, Perito Moreno é uma das principais atracções turísticas da Patagónia argentina. Um colosso!
Três dias depois de vários e agradáveis passeios (recusei caminhar sobre o glaciar e sobrevoá-lo de avioneta) e de uma emocionante visita a uma herdade onde vi pela primeira vez ovelhas a serem tosquiadas e comi o melhor dos melhores churrascos de carne,  voltámos a Buenos Aires, e ao mesmo hotel, desta vez lotado de turistas brasileiros que "tinham fugido" de um fim-de-semana prolongado no Brasil.
Numa das longas caminhadas pela cidade fomos dar ao mítico Estádio do Boca Juniors (La Bombonera).  Desilusão! O estádio nesse dia estava encerrado.
O Carlos ficou triste mas eu... diverti-me entrando e saindo das muitas lojas de lembrancinhas foleiras,  fotografando e deixando-me fotografar no extravagante Bairro La Boca.
Esta foi mais uma viagem fantástica e inesquecível.
Gostei muito de Buenos Aires, uma cidade incrivelmente cativante.
Apesar das marcas, ainda bem visíveis em 2004 , da crise económica e política de 2001, mostrava orgulhosa toda a sua beleza e alegria.
Recomendo!

Mais fotos aqui.
(As fotos, de pouca qualidade, são digitalizações de fotos em papel. Eram outros tempos...)

20 setembro, 2018

Em Ibiza pensando em Portugal


Eis-me de regresso às lides bloguistas, após uma semana de férias fora do país.
O destino escolhido, desta vez apenas por mim (a aniversariante teve direito a escolher…), foi Ibiza, uma ilha do arquipélago das Ilhas Baleares, no mar Mediterrâneo.
A viagem foi curtinha mas mexidinha. Em números, foram mais as tremelicadas do avião do que os noventa minutos de voo. Nem a escrita de Mário Vargas Llosa acalmou o meu nervoso miudinho.
Porquê Ibiza, se já lá estive em Agosto de 2003? Pela internacionalmente famosa vida nocturna, em festas e discotecas apinhadas até manhã adentro?
Nada disso! Apenas porque nunca esqueci aquele mar de águas paradas, quentes e cristalinas. Porque o desejo de lá voltar aumentava de ano para ano. Porque quanto mais o Carlos se decidia por outros destinos mais eu lembrava e falava, e falava, e falava de Ibiza.
Quinze anos depois voltei(ámos) a Ibiza. E desta vez, o bom de ter voltado foi… o NUNCA mais querer voltar.
O hotel foi outro, a localização na ilha outra, a praia outra, esta de areal sujo e água quase fria. Foram vários os dias  em que grandes nuvens escuras, que teimosamente apareciam de manhã, ou à tarde, encobriam o desejado sol. E uma vez por outra, caíam bátegas de chuva fria. 
Diziam os simpáticos funcionários para nos animar: «Setembro é altura de muitas “tormentas”, mas o sol vai brilhar».
No hotel a animação não podia ser pior. À noite, esganiçados cantores mais pimbas do que o maior pimba português “assassinavam” velhíssimas/belíssimas canções inglesas, num palco montado próximo da piscina. O barulho até dentro do quarto era insuportável.
Na verdade, foi uma tormenta esta semana em Ibiza. Valeu pelos muitos banhos na piscina, e por um (único) banho no mar de água quente e cristalina de uma prainha de areia branca em Formentera, uma pequena ilha acessível por ferry. Devido ao meu medo de andar de barco pusemos de parte a viagem de 40 minutos à ilha. Acabámos por fazê-la na véspera do nosso regresso a casa, convencidos por um jovem casal brasileiro que já lá tinha ido e se preparava para voltar. Ainda bem que nos cruzámos com eles. Ainda bem que eles se dirigiram a nós quando nos ouviram falar português. Estivemos apenas uma tarde em  Formentera mas o gostoso e demorado banho de mar  deu um sabor diferente à semana de férias.
Enquanto lia à beira da piscina, o pensamento voava teimosamente para as praias maravilhosas do meu Portugal.
As praias algarvias, algumas das mais belas do mundo, tantas que conheço e amo. As praias da costa alentejana, que lamentavelmente conheço mal. As praias da linha de Cascais, aqui a dois passos de casa. Das praias do norte fujo devido à água gelada mas conheço algumas lindíssimas. As encantadoras praias fluviais espalhadas de norte a sul do país, cada vez mais reconhecidas internacionalmente.
Então, o que me leva a procurar praias fora de Portugal quando tenho tantas e belas cá dentro?
O gosto da descoberta (há tanto para descobrir cá dentro); o prazer de um mergulho em águas cristalinas e quentes (entro facilmente em águas mornas/frias); as mordomias de um hotel (é grande a oferta hoteleira); o deleite das viagens (há roteiros fabulosos para fazer de automóvel).
Esta viagem - sobre a qual contarei em outra altura pormenores hilariantes - valeu por me  convencer  de que Portugal, o meu país, é LINDO! 
(Fotos tiradas minutos antes da saída do hotel para rumar ao aeroporto.)

07 setembro, 2018

Viajando e aprendendo: Cuba


“Aquele que retorna de uma viagem não é o mesmo que aquele que partiu.”
Provérbio chinês.

Em 1997 voámos para a República de Cuba, um arquipélago no mar do Caribe formado por várias ilhas e ilhotas. As maiores são a Ilha de Cuba (maior e mais populosa ilha das Caraíbas, descoberta em 1492 por Cristovão Colombo) e a Ilha da Juventude.
Cuba é uma nação comunista cheia de história, com uma superfície aproximada de 110 860 km2 e mais de 11 milhões de habitantes.
Aterrámos em Havana, a capital e maior cidade de Cuba. Ali permanecemos três dias e depois partimos à descoberta de Guama, Trinidad, Ancón, Cienfuegos e Varadero.
Cuba cativou-me pela extraordinária beleza, pelas praias de areia branca, águas tépidas e cristalinas, pela simpatia e contagiante alegria do seu povo (uma mistura de populações espanholas, africanas e indígenas), pela música que se ouve em todo o lado, pelo cheiro a café, rum e tabaco.
Do esplendor colonial de Havana (chegou a ser uma das mais ricas cidades do mundo) à grandeza decrépita do início do século XX, o centro de Havana Velha está repleto de fortalezas, catedrais, palácios, mansões e edifícios coloniais. Tudo muito degradado. A sensação que se tem é que Havana, melhor dizendo, Cuba, parou em 1959, ano do início do embargo americano ao país.
Visitámos a Catedral de La Habana (1777), a Plaza de Armas, a Praza de la Revolución, o Museo de la Revolución, o Palácio de los Capitanes Generales e o Museo de la Plata.
Claro que entrámos em La Bodeguita del Medio, o café-restaurante cubano preferido do escritor Ernest Hemingway. Entrar naquele espaço pequenino de paredes rabiscadas com mensagens deixadas por turistas de todo o mundo, emociona.
E passeámos no Malécon, a avenida marginal de Havana (em seis faixas circulavam coloridos carros americanos dos anos 50, impecavelmente mantidos por mecânicos milagreiros) ladeada de imponentes e charmosos edifícios oitocentistas em ruínas.
Nas ruas de Havana inúmeros garotos pediam canetas e caramelos. Não pediam dinheiro. Avisada, levei comigo dezenas de canetas e pacotes de caramelos. A alegria dos garotos deixava-me os olhos rasos d'água.
No trajecto Havana – Trinidad visitámos Guamas, uma aldeia típica muito bonita localizada na península de Zapata, e logo seguimos para o Hotel Ancón (o maior hotel onde já dormi), localizado na Playa Ancón, a sul de Trinidad.
Chegámos ao hotel às 23.00 horas e de imediato corremos para a praia iluminada apenas pela luz do interior do hotel e mergulhámos num mar de água calma e quentíssima! Nunca, jamais, esquecerei o meu primeiro banho de mar nocturno, na misteriosa Cuba.
No dia seguinte nada nem ninguém nos afastava da areia branca e fina, do azul-turquesa do mar, do verde das palmeiras, mas… havia que visitar Trinidad.
A cidade de Trinidad, localizada num colina a cerca de 20 minutos de Ancóm, foi fundada em 1514 por Diego  Velázquez e considerada Património da Humanidade pela UNESCO, em 1988. As ruelas empedradas e as casas cor pastel pouco mudaram desde o século XVIII, quando Trinidad enriqueceu com o comércio de escravos e de açúcar. Na Plaza Mayor, a praça principal da cidade, encontra-se uma catedral, o Museu Romântico, o Museu Histórico, o Antigo Convento de San Francisco de Assis, várias galerias de arte e  feiras de artesanato.
Visitámos uma Fábrica de Charutos e vimos homens e mulheres de rosto cansado e triste enrolar charutos sem parar. Nenhum nos dirigiu um breve olhar. Em fundo, uma voz masculina lia sem parar uma lenga-lenga com a produção de cada um deles no dia anterior. Terrível!
Nas ruas de Trinidad as crianças não pediam dinheiro, nem canetas nem caramelos, pediam sabonetes. 
Sobre isto não tinha sido avisada mas resolvi o problema com os sabonetinhos do hotel. Nas duas visitas a Trinidad distribui sabonetes, canetas e caramelos. Uma alegria!
Mulheres jovens pediam roupa. Roupa?!
E chegou o dia de deixar Ancón e rumar a Cienfuegos, cidade costeira da região central fundada em 1819 por colonos franceses, capital da província com o mesmo nome, e um dos maiores portos do país.
O traçado da cidade é perfeito, com ruas direitas à volta da Plaza de Armas (ou Parque Martí), ladeadas de belos edifícios coloniais e mansões do fim do século XIX em bom estado de conservação e muito, muito, verde.
Cienfuegos, com aproximadamente 150 mil habitantes, é bonita, limpa, um museu ao ar livre. Merece ser visitada caminhando, sem pressa. Sombras há muitas, para descansar e observar os passeantes.
Lamentavelmente, caminhámos pouco e o que vimos da cidade foi através do vidro do mini-bus que nos transportava.
E lá seguimos para Varadero, a principal estância balnear de Cuba.
Durante uma semana andámos integrados num grupo de catorze pessoas: 12 turistas portugueses, a guia (uma cubana que estudou no Malawi e aprendeu português em Moçambique) e o motorista (um advogado obrigado a mudar de profissão para poder sustentar a família).
Em Varadero o grupo despediu-se com emoção e tristeza da guia e do motorista e foi distribuído por vários hotéis.  No nosso, um 5 estrelas em regime tudo incluído, apenas ficámos nós dois. Enfim, apenas nós!
Em Varadero tudo era diferente: bons hotéis, serviço excelente, piscinas, praias de areia branca, águas serenas, límpidas e quentes. 
Para além dos muitos e demorados mergulhos no mar e na piscina, a calma convidava a leituras demoradas, sonecas repousantes, mimos prolongados, cocktails frescos, jantares delicados e um pezinho de dança na discoteca sempre apinhada de corpos bronzeados e ondulantes. Demasiado ondulantes, em alguns casos…
Quatro dias depois fizemos o trajecto Varadero – aeroporto de Havana, num táxi conduzido por um médico, sim um médico, humilde, simpático, conversador, pai de duas crianças em idade escolar que, dizia, «tinha de alimentar».
Com ele ficámos a conhecer um pouco mais da Cuba de Fidel, e a saber das dificuldades de vida do povo cubano, apesar de a educação e a saúde serem gratuitos.
(o que ouvimos, espantados, ficou para sempre dentro daquele táxi)
Da Cuba de 1997 trouxe a mala vazia (fui deixando roupa em todos os hotéis, dei todos os medicamentos que tinha comigo à guia, e poucas lembranças consegui encontrar para comprar) mas o coração cheio de admiração pelo seu povo humilde, simpático, culto (a taxa de alfabetização é de 99,8%), muito, muito alegre.
Foi uma viagem excelente e marcante. Quero, queremos, repeti-la para verificar o que por lá mudou.
Uma coisa já sabemos: Cuba não é Varadero. Estâncias turísticas com hotéis lotados e barulhentos há pelo mundo fora, já Cuba há só uma. E merece que a visitem.
Aconselho!
(Mais fotos aqui.)

20 julho, 2018

Viajando e aprendendo: Brasil (de Natal a Fortaleza)

“Viajar é nascer e morrer a todo o instante”.
Victor Hugo, escritor francês (1802-1885)

Em 2002 viajámos para o nordeste do  Brasil. 
Ali, esperava-nos "uma emocionante aventura": fazer Natal - Fortaleza de jipe, sobre o areal de 85 praias paradisíacas. Uma aventura plena de luz, cor, sabor, ritmo, cultura e deslumbrantes cenários naturais.
Natal é a capital do estado do Rio Grande do Norte.
A cidade, que cresceu nas margens do rio Potenji e do Forte dos Reis Magos, no extremo nordeste do Brasil, é a terceira capital de estado com melhor qualidade de vida e a mais próxima do continente europeu. Tem cerca de um milhão de habitantes.
Foi aqui que iniciámos a aventura pelas praias do Rio Grande do Norte e Ceará (e não só!), cerca de 800 quilómetros percorrido quase na totalidade sobre o areal de exóticas  e luxuriantes praias de areia branca e água límpida e quente.
O grupo era reduzido: eu, o Carlos e um casal de jovens do norte de Portugal, que não conhecíamos mas com quem gostámos de partilhar a aventura.
O jipe foi conduzido por dois guias simpáticos e competentes, que souberam mostrar-nos os locais  e indicar-nos os momentos de maior deslumbramento, como o magnífico pôr-do-sol que vi sentada numa duna, em Canoa Quebrada, e que nunca será esquecido.
Admirámos Genipabu e as suas lagoas situadas entre as dunas.
Passámos pelo Cabo de São Roque (ponto mais próximo do Continente Africano), Caraúbas (exuberante com os seus coqueirais), Maracajaú (com água cristalina), deserto de Alagamar, Dunas do Rosado.
Chegámos à Ponta do Mel, onde o sertão chega ao mar. As suas dunas móveis e falésias gigantes deixaram-nos extasiados.
Descobrimos a exótica e mística Canoa Quebrada, onde a animação é permanente e a beleza natural uma inesgotável fonte de inspiração. Gostei particularmente "desta canoa". 
Degustámos o melhor peixe e marisco, em esplanadas no areal.
Deixámo-nos embalar pelo ritmo do forró.
Dormimos em pousadas rústicas mas acolhedoras.
Em função das marés,controlámos o tempo das paragens para fotografar, mergulhar e almoçar . 
Subimos e descemos dunas de buggy (o que eu gritei…).
Brincámos em dunas de areia branca e fina.
Admirámos arquitectura colonial.
Percorremos, sózinhos, quilómetros e quilómetros no areal de praias desertas. Sem medos, e só por isso esta viagem é inesquecível!
Sempre que o litoral era demasiado acidentado desviámos para estradas de asfalto.
Num desses desvios parámos em Mossoró (principal cidade do interior nordestino, a 280 km de Natal) e dormimos, uma noite, no Thermas Hotel & Resort. O que nos divertimos nas 12 piscinas de águas termais, cada uma delas com temperatura  da água e tema de diversão diferente. Na piscina dos 51 graus nenhum de nós entrou. Claro!
Entre Canoa Quebrada e Fortaleza conhecemos 21 belas praias. Destaco Morro Branco, Diogo e das Fontes, onde nascentes de água fresca se lançam das falésias rosadas sobre o mar.
Por fim chegámos a Fortaleza.
Fortaleza, capital do estado brasileiro do Ceará, está localizada no litoral Atlântico.
Com uma superfície de 313,8 km2 é a capital com maior densidade geográfica do país - tem cerca de 2,5 milhões de habitantes.
Ali o medo não deixou que saíssemos do perímetro de segurança do hotel, localizado frente à praia.
A visita à cidade foi rápida e poucas vezes saímos do jipe.
Passeámos no movimentado calçadão, em frente ao hotel,  e comprámos artesanato numa feirinha de simpáticos vendedores.
De Fortaleza voámos Natal.
Restavam dois dias de aventura.
De Natal demos um saltinho a Pirangi, para admirar o maior cajueiro do mundo, com uma copa superior a um campo de futebol. Isto porque os galhos crescem para os lados e não para cima e ao tocarem no chão criam novas raízes. O cajueiro de Pirangi foi plantado por um pescador, em 1888.
Extra programa visitámos a famosa Praia da Pipa, localizada a cerca de 85 quilómetros de Natal. Foi um dia bem passado: mergulhos no mar, almoço de marisco no areal, compras na lojinha de artesanato de um português...  Saímos da Praia da Pipa desejando lá voltar.
Esta "emocionante aventura", extremamente bem organizada, deixou saudades. 
Recomendo!

(Mais fotos aqui.)

22 junho, 2018

Viajando e aprendendo: Índia (2)

Continuando...

No estado de Uttar Pradesh, um dos maiores e mais habitados estados da Índia, banhado pelos grandes rios Yamuna e Ganges, visitámos Agra, a cidade do Taj-Mahal, Khajuraho e Varanasi, a cidade mais antiga do mundo, o local sagrado do Hinduísmo.
Em Agra dormimos duas noites mas tivemos apenas um dia para visitar a cidade. Soube a pouco, mas foi o suficiente para  realizar um sonho: entrar, admirar, fotografar o Taj Mahal,  o majestoso mausoléu que o imperador Shah Jahan mandou construir em memória de Mumtaz Mahal, a sua esposa favorita falecida em 1631, no parto do 14º filho.
Estima-se que 20 000 operários franceses, persas, italianos e turcos trabalharam durante 17 anos na construção do Taj Mahal  - uma miragem, um poema de amor em mármore branco, incrustado com pedras semipreciosas, e uma cúpula "costurada" com fios do mais puro ouro - um dos mais famosos monumentos do mundo, classificado pela UNESCO como Património da Humanidade e desde 2007 uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo.
Saímos cedo do hotel para a visita ao Taj Mahal. Envolto em neblina, o famoso mausoléu era ainda mais espectacular. O sol apareceu depois e a emoção que senti quando entrei no magnífico túmulo e percorri os jardins que o ladeiam é inenarrável. 
Destaco a Câmara Tumular; o Biombo filigranado, esculpido num único bloco de mármore; os jardins exteriores; a Fonte de Lótus, com o reflexo do túmulo nas suas águas.
No período da tarde visitámos o Forte de Agra, construído pelo imperador Akkar entre 1565 e 1573. Localizado na margem ocidental do rio Yamuna, as suas imponentes muralhas de arenito vermelho rodeiam um enorme complexo de edifícios palacianos. Jahangiri Mahal, o grande palácio dentro do forte, remonta ao reinado de Akkar.
(Em cada uma das cidades do itinerário fomos acompanhados por simpáticos e competentes guias locais. Já o motorista, andou connosco de Deli a Varanasi.)
À noite, o motorista levou-nos a um teatro local onde assistimos a um belíssimo espectáculo de música e dança. Gostei!
Na manhã do dia seguinte viajámos de comboio de Agra para Jhansi, uma viagem de aproximadamente três horas.  Na estação de Jhansi esperava-nos o motorista "que nos abandonou" na estação de comboios de Agra (um exemplo da pobreza do país), e nos levou, por estrada, para Khajuraho
(Sobre a viagem de comboio, não encontro palavras para descrever o que senti numa carruagem de 1ª classe primitiva, apinhada de gente. Talvez a experiência tivesse piada se viajássemos inseridos num grupo, agora apenas nós dois, com bagagem, foi inacreditável!
Porque fomos nós de comboio? Estradas péssimas a esconder de turistas? Pois eu preferia ter viajado de "montanha russa", desviando de vacas e búfalos, do que de comboio. Sim, porque viajar de comboio na Índia é uma experiência do outro mundo...)
No caminho parámos em Orchha, cidade fundada em 1531 e eleita capital pelos reis de Bundela até 1738, quando foi abandonada. Localizada num ilha rochosa do rio Betwa, Orchha mostra-se agora num conjunto de palácios em ruínas. É lastimável o estado de abandono, degradação e sujidade visível em todo o lado, nomeadamente no Jahangiri Mahal, construído pelo rei Bir Singh Deo de Bundela, que passou ali apenas uma noite. É um palácio imponente, quadrado em arenito vermelho, com 132 divisões espalhadas por vários pisos, um pátio central e subterrâneos. É o único palácio visitável. Eu tentei entrar, mas não consegui passar do pátio. O intenso cheiro a um produto desinfectante (creolina?) incomodava e afugentava.
A viagem continuou para Khajuraho. 
Chegámos ao fim da tarde a mais um hotel de 5 estrelas rodeado de barracas e cães a remexer montes de lixo.  Do quarto, a vista para os cuidados jardins à volta da piscina faziam esquecer, por algumas horas, o que de menos belo tínhamos visto.  
No dia seguinte, acompanhados por mais um guia local visitámos os famosos Templos de Chandela, erguidos nos séculos IX e X pela dinastia Chandela, que na altura dominava a Índia. O magnífico conjunto de templos, famosos pelas suas escultura eróticas, é Património Mundial da Humanidade.
O mais admirável é o Templo de Kandariya Mahadev, que representa o apogeu da arte e arquitectura do norte da Índia.
A seguir ao almoço arrancámos com destino a Varanasi, a mais sagrada das cidades hindus, com um legado religioso e espiritual que remonta a cerca de 3 000 anos. 
Também conhecida por Kashi (Cidade da Luz) ou Benares, Varanasi situa-se na margem oeste do rio Ganges. Nos 90 ghats (escadas na margem do rio), numa extensão de cerca de 6 km), e nas águas sagradas assiste-se a um contínuo ciclo das práticas religiosas hindus. A cremação de cadáveres é feita aqui e ali nos degraus da escadaria e as cinzas são depois deitadas ao rio. 
(Tudo se deita ao rio. Tudo se faz no rio. Todos se banham no rio, animais incluídos.)
 
Chegámos a Varanasi ao fim da tarde e saímos logo para um passeio na companhia do guia local. De rickshaw percorremos as ruas estreitas e apinhadas de gente da cidade, atravessámos mercados e por fim chegámos às margens do rio Ganges para assistir, no rio, dentro de um pequeno barco, à cerimónia "Ganga Aarti" que decorre na escadaria e observar centenas de velas e flores a flutuar no rio, à medida que o sol se põe.
Na manhã do dia seguinte, ainda antes do pequeno almoço, saímos para um passeio de barco pelo rio para contemplar os palácios, a escadaria e os peregrinos a banharem-se nas águas escuras (e sujas...) do Ganges. Assistimos ao nascer do sol e sem quaisquer dúvidas, o passeio pelo Ganges valeu a pena.
(De Varanasi vou lembrar para sempre a imagem real de inúmeros idosos, moribundos, magríssimos, abandonados, deitados por todo o lado. Segundo explicação do guia, são pessoas comuns que  querem exalar o último suspiro na cidade sagrada. Arrepia, não? )
À tarde dissemos adeus ao motorista e partimos de avião para Delhi, de onde no dia seguinte voámos para Goa.
Goa é um pequeno estado na costa oeste da Índia, dividido em dois distritos; Goa Norte e Goa Sul.
Antiga colónia portuguesa anexada pela União Indiana em 1961, os 400 anos de domínio português deixaram marcas profundas na língua, religião, culinária e forma de vestir das suas gentes.
As praias idílicas (que se estendem ao logo de mais de 106 km), o excelente clima, as pitorescas paisagens,  e o povo hospitaleiro, fazem de Goa um dos maiores destinos de férias da Índia.
Aqui, fomos acompanhados por um guia competente, simpático, descendente orgulhoso de portugueses, apreciador de bacalhau, que nos mostrou os grandes palácios coloniais da nobreza que prosperou nos séculos XVIII e XIX. Levou-nos à famosa Velha-Goa (classificada como Património Mundial da Humanidade pela UNESCO e considerada o coração espiritual do Cristianismo na Índia) para admirarmos a belíssima Basílica do Bom Jesus, venerada por católicos de todo o mundo por guardar os restos mortais de São Francisco Xavier e a grandiosa Sé Catedral, a maior igreja da Ásia, com um altar extraordinário em talha dourada.
No dia seguinte percorremos ruas e locais onde observámos a impressionante herança portuguesa, sempre acompanhados pelo experiente guia que tudo sabia sobre a nossa presença naquele lugar paradisíaco.
Em Goa não há confusão de automóveis, não há sujidade, respira-se ar puro e ouve-se o silêncio: tudo está limpo e ordenado. As ruelas estreitas, com casas pintadas de cores vivas, lembram o Portugal distante. Ali não faltam bares, cafés, restaurantes, mercados e gente que fala português.
O excelente hotel onde ficámos alojados estava a dois passos do areal de uma praia de areia branca e águas calmas mas uma chuva miudinha impediu um banho de mar.
Goa, é um destino turístico a considerar.
Depois de duas noites em Goa voámos para a última etapa da viagem: Mumbai (Bombaim).

Foi curtíssima a estada em Mumbai, uma cidade de enormes e chocantes contrastes: a riqueza ostensiva em viaturas, residências e condomínios ao lado de milhares (ou milhões?) de barracas tapadas com plástico azul, obrigam-nos a engolir em seco vezes sem fim.  
Chegámos de manhã e voámos na madrugada do dia seguinte para Lisboa. O que vimos foi numa visita panorâmica pelo cidade, com um guia local. Destaco o "Dhobi Ghat" uma lavandaria gigante ao ar livre, única no mundo, onde centenas de homens lavam por dia milhares de peças de roupa, a maioria de hotéis locais.
No centro da cidade, mesmo ao lado da lavandaria, de um enorme forno crematório encoberto por árvores frondosas sai em contínuo fumo de uma alta chaminé e dezenas de abutres sobrevoam o local. Não é bonito de ver, não!
Depois da agonia veio a emoção: entrámos na residência-museu de Ghandi, o Pai da Nação. Era ali que Ghandi se instalava quando se deslocava a Mumbai. Até o colchão no chão, onde dormia, ali está.
Continuámos para Malabar Hill e os Jardins Suspensos. Passeámos em frente à Porta da Índia (símbolo de Mumbai) e em tempos porta de entrada na cidade; admirámos o famoso (pelos bons e maus motivos) Hotel Taj Mahl; e "gastámos tempo" na avenida à beira rio, conhecida por "colar da rainha".
Num hotel do aeroporto jantámos, descansámos e aguardámos a hora do regresso a casa.
Foi uma viagem intensa, cansativa, incrível. Apesar de alguns sustos, gostei. 
Recomendo (apesar de tudo)! 
Como sinto que tudo ficou por dizer, "leia" mais nas fotos (muitas) aqui.