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24 julho, 2012

Vale a pena ler... José Hermano Saraiva

José Hermano Saraiva faleceu no passado dia 20 de Julho. Tinha 92 anos.
Sei que tudo já foi dito e escrito sobre o percurso de vida, a obra e a carreira do professor, historiador, antigo ministro da Educação de Salazar, extraordinário estudioso e divulgador da nossa história.
Vou limitar-me a recordar o ano de 1991, quando comprei e li compulsivamente a 14ª edição do seu livro mais conhecido “História concisa de Portugal”. Voltei a ele tantas vezes, que as páginas se soltaram e a capa "envelheceu".
Sobre o título, disse o autor:
“… escolhi este título, que me não satisfaz, mas traduz rigorosamente a verdade: história concisa, isto é, história escrita de forma concisa.”
Eu sempre gostei de História, aliás fui sempre uma boa aluna nesta disciplina, e este “grande livrinho” teve o poder de me recordar o que estudara e prender, como se de um romance se tratasse.
Recordo que me espantei com o turbilhão de pormenores que abrangem todas as áreas: política, económica, social e cultural, com a simplicidade da escrita, com a capacidade de síntese de alguém que sabia tanto sobre “nós”.
“Muitas vezes, e em muitas circunstâncias, me pediram que indicasse uma “História de Portugal” abreviada, livro que não demorasse muito tempo a ler, mas desse uma visão global da evolução histórica do povo português. Livro que não contivesse mais do que o essencial, mas não ficasse pelo nível elementaríssimo dos vários epítomes escolares.”
Se não conhece este livrinho (duvido!) aproveite o verão para o ler de uma assentada.
Vai gostar de saber de “si”.
Logo que se instalou em Lisboa, Junot deu-se ares de reformador da vida nacional: anunciou uma era nova de liberdade e de progresso, prometeu a abertura de estradas e canais (aí estava o nosso maior atraso), administração eficaz, saneamento financeiro, asilos para os pobres, escolas para o povo.
Os grandes aderiram, os pequenos esperavam.
Nem mais!

17 julho, 2012

Vale a pena ler... Alexandra Carita

O Português vai ser uma língua internacional?

O Português já é uma língua internacional.
A resposta é unânime e perentória. Comum a linguistas, escritores, investigadores e responsáveis pelos vários organismos que a promovem.
Os números falam por si. Com mais de 250 milhões de falantes… o português é a 5ª língua mais falada no mundo, a 3ª língua europeia mais falada – a seguir ao inglês e ao castelhano – e a mais falada no hemisfério sul. É ainda língua oficial e de trabalho de mais de 20 organizações mundiais, as principais e de maior referência.
Os últimos dados relativos ao número de utilizadores da internet por língua são também pertinentes. O português é usado por mais de 80 milhões, acima do francês, com 59 milhões de utilizadores, e do alemão, com 72 milhões.
…..

Se o entendimento do Governo é o de “considerar que o Acordo Ortográfico irá facilitar o conhecimento e a divulgação do português – opinião partilhada por linguistas a partir do argumento de que uma ortografia unificada facilita o uso da língua -, o de muitos escritores e especialistas do português é o contrário.

“O AO só virá deteriorar a língua, cria o risco de corromper a sua fonética e constitui uma antipolítica da língua”, sintetiza Vasco Graça Moura.

Excerto do texto de Alexandra Carita, publicado no jornal Expresso, de 14 Julho 2012
Vale a pena ler na íntegra.

12 junho, 2012

Vale a pena ler... Nuno Pacheco

Lisboa está mais pobre.
Chegou agora a vez d’A Livraria Petrony, fundada em 1955, encerrar portas.
Que tristeza!

Livrarias a desaparecerem não é, infelizmente, novidade. A Livraria Portugal já foi submersa por tapumes, ferramentas e poeira e dela nascerá não se sabe o quê. Mas o mais estranho é assistir, em silêncio, ao desaparecimento físico de uma livraria. Foi o que sucedeu, um dia destes, em Lisboa, com a Livraria Petrony…
… da Petrony desapareceu tudo: a porta de ferro, as esguias montras, a tabuleta. Não sobrou sequer o número da porta, o 90. Foi uma morte física apenas, porque a livraria subsiste na Internet. Tem endereço e caixa postal, só para manter qualquer coisa visível. Mas um apartado como morada de uma loja de livros é o mesmo que, para os vivos, uma pequena gaveta num cemitério.

Excerto da crónica publicada na Revista 2 do jornal Público, de 10 Junho 2012
Vale a pena ler na íntegra.

30 maio, 2012

Vale a pena ler... Princesa Laurentien da Holanda


P: Pode dar-me um exemplo de algo que ajude a combater a iliteracia?
R: Ler em voz alta. Não custa dinheiro – o que, em tempos de crise económica, é uma solução low-cost. E podemos fazê-lo desde o início da vida de uma criança, em bebé. Mas requer um contexto familiar em que tem de se investir: A escola só não basta. E, aí, nem todos os adultos têm noção do papel que podem desempenhar na literacia das crianças.
P: Lê alto para os seus filhos?
R: Todos os dias. E, quando não estou em casa, alguém lê para eles. Fazemos isso desde que têm 6 meses. Percebo perfeitamente que pareça estranho ler em voz alta para um bebé de 6 meses. O meu próprio marido achou que eu era louca. Podem ser livros muito simples. Mas devemos tornar os pais conscientes da importância desse ato.

Excerto da entrevista publicada na Revista, jornal Expresso, de 19 Maio 2012
Foto tirada da net.

03 abril, 2012

Vale a pena ler... José Pacheco Pereira


Um leitor de jornais no Porto dos anos sessenta


Não sei se aprendemos muito com o passado e também duvido que ele tenha qualquer “lição” para nos dar, mas conhecê-lo torna o presente mais interessante, mais complexo e mais presunçoso nas ilusões de que se faz a “actualidade”. A nostalgia do passado é uma estupidez, porque, de um modo geral, o passado era pior do que o presente, mas a falta de memória transforma esta estupidez num modo de vida.

Excerto da crónica publicada no jornal Público de 31 Março 2012
Vale a pena ler na íntegra.

29 fevereiro, 2012

Vale a pena ler... Natacha Atlas



"Há duas maneiras de escravizar uma nação: uma é pela espada e outra pela dívida. A da espada é atribuida à realigião; o resto à dívida. Mas tudo começa na escassez. Se não temos o suficiente, tornamo-nos mais intolerantes."

"Reparemos no que se está a passar na Grécia, um país que parece ser propriedade de outros países. É como se tivessemos recuado ao colonialismo do passado, com os Estados incapazes de pagar as suas dívidas. Não podemos aceitar que nos reduzam a um monopólio do FMI ou seremos todos escravos."

Natacha Atlas, compositora, cantora e belly dancer, nascida na Bélgica, com raízes judias e muçulmanas, árabes e europeias, apresentou no Grande Auditório da Fundação Gulbenkian o álbum Mounqaliba - In a State of Reversal (considerado um dos dez melhores álbuns de world music de 2010), que ela quis que fosse uma declaração política.

Excerto da entrevista publicada no P2 do jornal Público de 28 Fevereiro 2012

21 fevereiro, 2012

Vale a pena ler... José Pacheco Pereira

O fim das livrarias

A grande livraria clássica está a desaparecer.
....
Eram livrarias de pessoas, feitas de pessoas e para as pessoas, em que os livros não eram instrumentais, mas eram um “mundo” em que todos participavam. Esse mundo está a desaparecer para o comum dos portugueses e a deslocar-se para os consumidores “de culto” ou para os consumidores de “papel pintado” e capas todas iguais, ou para aqueles que dizem que lêem no iPad e não lêem coisa nenhuma.
Parte desta mudança é inevitável, e não é má em si porque para muita gente significa que vai continuar a ler: não faço parte dos nostálgicos do cheiro dos livros, nem das más livrarias, mesmo com cem anos. Mas das boas livrarias tenho pena que desapareçam e prescindo que me dêem lições de mercado e da “destruição criativa” schumpeteriana. Não é isso que está em causa, mas aquilo que, num balanço geral, feito por qualquer Deus que veja tudo, significa mais pobreza, menos qualidade, mais deserto afectivo como os “likes” do Facebook, mais tijolos da moda, e menos livros que sejam livros na mão de quem os vende e na mão de quem os compra.

Excerto da crónica publicada no jornal Público de 18 Fevereiro 2012
Vale a pena ler na íntegra.

31 janeiro, 2012

Vale a pena ler... Isabel Allende

- Isabel, por que escreves?

- Creio que a escrita é uma tentativa para entender a confusão da vida, para tornar o mundo mais tolerável e, se possível, mudá-lo. Por que escrevo? Porque estou cheia de histórias que me pedem para ser contadas, porque as palavras me sufocam, porque gosto e necessito, porque, se não escrevo, seca-se-me a alma e morro.

(Pergunta feita por Celia Correas Zapata, autora de numerosos estudos sobre autores espanhóis e latino-americanos contemporâneos).

25 setembro, 2011

Vale a pena ler... Satish Kumar



"Tal como a minha mãe me ensinou a andar na Natureza, gostaria que o mesmo acontecesse na nossa sociedade. Devemos educar as nossas crianças no amor pela Natureza, aprendendo na Natureza e não sobre a Natureza, com livros e computadores. Gostaria de ver os pais a levar os filhos para a Natureza e a deixá-los subir às árvores, escalar montanhas e nadar nos rios. Para as crianças não é tarde de mais, estão prontas para isso. Talvez para os adultos seja tarde, até porque têm medo da Natureza."

Excerto da entrevista a Satish Kumar, indiano, 75 anos, publicada no jornal Público de 5 Setembro 2011
Vale a pena ler na íntegra.

Foto tirada por mim, da esplanada do restaurante Dona  Bia, na Torre (a meio caminho entre a Comporta e o Carvalhal), em 11 Setembro 2011.