Cresci com sangue – com sangue e sebo e afiadores de facas e máquinas de cortar carne e dedos amputados ou dedos a que faltavam partes nas mãos dos meus três tios e do meu pai – e nunca me habituei a isso e nunca gostei disso.
11 maio, 2011
"Indignação" - Philip Roth
Cresci com sangue – com sangue e sebo e afiadores de facas e máquinas de cortar carne e dedos amputados ou dedos a que faltavam partes nas mãos dos meus três tios e do meu pai – e nunca me habituei a isso e nunca gostei disso.
09 maio, 2011
"Traições" - Philip Roth
Diálogo:
06 maio, 2011
"Património" - Philip Roth
Sozinho, quando me apetecia chorar, chorava, e nunca me apeteceu tanto fazê-lo como quando retirei do envelope a série de imagens do seu cérebro … aquilo que o levava a pensar do modo rude como pensava, a falar do modo enfático como falava, a raciocinar de modo emotivo como raciocinava, a decidir de modo impulsivo como decidia.
04 maio, 2011
"Teatro de Sabbath" - Philip Roth
02 maio, 2011
"A Humilhação" - Philip Roth
Tinha perdido a magia. O ímpeto estava esgotado. Nunca tinha falhado no teatro, tudo quanto tinha feito fora forte e bem-sucedido, e então aconteceu o terrível: deixou de saber representar. Subir ao palco tornou-se uma aflição. O seu talento estava morto.
O autor voltou aos seus temas habituais: família, idade, morte, sexo.
Nada tem uma razão válida para acontecer. Perde-se, ganha-se – tudo é capricho. A omnipotência do capricho. A probabilidade da reviravolta. Sim, a imprevisível reviravolta e o seu poder.
A Humilhação, de Philip Roth
01 maio, 2011
Maratona de leituras de um só autor
Aqui estou, pronta para iniciar a minha maratona de leitura de obras de Philip Roth.
Como já disse antes, reler livros é mais fácil e rápido, porque já conhecemos a história. Como alguns já foram lidos há algum tempo, tentarei que a redescoberta me entusiasme para continuar a considerá-lo o meu autor preferido.
Para ler tenho apenas o livro que acabou de chegar às livrarias portuguesas – “A Humilhação”.
Conseguirei?
CLARO QUE SIM...
18 abril, 2011
Maratona de leituras de um só autor
04 dezembro, 2010
"O Complexo de Portnoy" - Philip Roth
Trata-se de um livro sobre sexo, escrito de uma forma hilariante, sem inibições nem complexos.
Ao longo de 266 páginas, de leitura compulsiva, o protagonista Alexander Portnoy (judeu, filho de uma família da classe média de Newark), num monólogo delirante confessa ao psiquiatra factos que estarão na origem dos seus “actos de exibicionismo, voyeurismo, fetichismo, auto-erotismo”, que o impelem a uma sexualidade insaciável desde a infância à idade adulta.
Spielvoge, o psiquiatra, “pensa que boa parte dos sintomas remetem para os vínculos característicos da relação mãe-filho”.
A mãe, que o trata por “meu amante” é proteccionista “estava tão profundamente implantada na minha consciência que durante o meu primeiro ano de escola eu julguei, tanto quanto me lembro, que cada uma das minhas professoras era a minha mãe disfarçada”, super-vigilante “inspeccionava as minhas contas de somar em busca de erros; em busca de buracos as minhas meias; em busca de sujidade, as minhas unhas, o meu pescoço, e cada costura e refego do meu corpo”, dominadora “ quando me porto mal, ela põe-me fora do apartamento … eu fico à porta a bater, a bater, até jurar que estou pronto a mudar de vida”.
O pai, agente de seguros “que acreditava fervorosamente naquilo que vendia”, é um homem apagado, de choro fácil, que sofre de permanente
prisão de ventre “um pai amável, ansioso, obstipado, incapaz de perceber o que quer que seja” que passa horas enfiado na casa de banho em situações descritas de forma risível.
Tem com os pais uma relação de amor-ódio.
Na adolescência masturba-se na casa de banho, na cama, no cinema, no autocarro. Simula sexo com maçãs, com meias, com fígado que depois será cozinhado pela mãe, com garrafas de leite “passei metade da minha vida desperta trancado na casa de banho, disparando os meus cartuchos … vivia num mundo de lenços de pano ou de papel amarrotados, de pijamas manchados … já lhe contei que quando fiz quinze anos tirei o coiso para fora das calças e bati uma punheta no autocarro 107 de Nova Iorque para Nova Jérsia?”.
Só se interessa por mulheres não judias, como a Macaca, que “foi a realização dos meus mais lascivos sonhos de adolescente… criatura tosca, angustiada, confusa, perdida, sem identidade” com quem vive as maiores perversões sexuais.
Mais tarde conhece Naomi , em Haifa num kibbutz junto à fronteira libanesa, “admirável, corajosa, pelo tipo físico ela é, evidentemente, a minha mãe, o mesmo temperamento, uma autêntica detectora de defeitos, uma crítica profissional da minha pessoa…. exige dos homens a perfeição”, confessa-lhe o seu amor e pede-a em casamento. Como terminará esta história?
Aos 33 anos está solteiro, para grande desgosto dos pais que continuam com os “tem-cuidado e os toma-atenção, não nos deixes sem notícias, não saias da cidade sem nos dizeres”, e a “bater punhetas, sozinho na cama em Nova Iorque”.
Critica os valores judaicos com humor, com ironia, com sarcasmo e considera-se um “tipo demasiado importante para pôr os pés numa sinagoga por um quarto de hora que seja”.
“Senhor Doutor, que nome é que dá a esta doença que eu tenho? Será o sofrimento judaico de que tantas vezes ouvi falar?”
“Sou o filho da anedota de judeus – só que não é anedota nenhuma! Esta gente é inacreditável… aqueles dois são os maiores produtores e distribuidores de culpa do nosso tempo. Conseguem-me fazer acumular culpa como uma galinha acumula gordura”.
Este retrato assombroso/hilariante/humilhante sobre a passagem da adolescência à idade adulta do judeu Alexander Portnoy chega-nos pela mão, do também judeu, Philip Roth.
Assombroso!
O Complexo de Portnoy, de Philip Roth
Dom Quixote
Tradução de Ana Luísa Faria
266 págs.
02 dezembro, 2010
"A Mancha Humana" - Philip Roth
Retrato fabuloso da América na década de 90, terceiro volume duma trilogia sobre vidas americanas no pós-guerra, onde divergências ideológicas e princípios morais eram denunciados, num país que vivia o processo de impugnação do presidente …”Bem, seja ela o que for ele sabia-o de antemão. Ele podia topá-la. Se não é capaz de topar Monica Lewinsky, como pode topar Saddan Hussein? Isto é fundamento genuíno para impugnação".
A história do judeu Coleman Silk, professor universitário exemplar na década de 80 e início de 90, acusado de racismo e afastado após ter proferido numa aula a palavra “spooks (fantasma, espião,negro)” ao referir-se a dois alunos que não apareciam nas aulas, as consequências desastrosas para a sua vida pessoal e familiar e a sua relação secreta, aos 71 anos, com Faunia Farley, empregada de limpeza , com 34 anos “trata-se de uma mulher cuja vida tem tentado esmagá-la quase desde que ela existe… tudo o que aprendeu vem daí", é relatada por Coleman ao escritor seu vizinho Nathan Zucherman,”escreva a minha história, com os diabos…assim como é humano ter um segredo, também é humano revelá-lo, mais cedo ou mais tarde", no mesmo verão em que o segredo de Clinton se torna conhecido…”foi o verão da América em que a náusea regressou, em que as chalaças não pararam, em que a especulação, a teorização e a hipérbole não pararam… em que um demónio qualquer fora largado à solta na nação…foi o verão em que o pénis de um presidente esteve na cabeça de toda a gente e a vida, em toda a sua despudorada obscenidade, confundiu uma vez mais a América”. Mas o verdadeiro segredo de Coleman, guardado durante cinquenta anos da família, amigos, colegas e do vizinho amigo/confidente, só será deslindado após a sua morte…
Li de seguida todas as obras publicadas em Portugal.
É, sem dúvida, o meu NOBEL, o meu preferido.
Mais sobre o autor aqui.
A Mancha Hunana, de Philip Roth
Dom Quixote, 2004
Tradução de Fernanda Pinto Rodrigues
377 págs.











