14 outubro, 2016

"A recompensa do soldado" - William Faulkner


Ele é toda a humanidade, a sua influência irradia a sua situação, e todos aqueles próximos dele se tornam estéreis e insípidos, de algum modo perto da morte… O seu ferimento determina como as pessoas vivem, como amam, como se relacionam consigo e com os outros.
(Frederick R. Karl, na Introdução.)

Escrito em 1925 e publicado no ano seguinte, “A recompensa do soldado” – primeiro romance daquele que viria a ser considerado “o principal romancista norte-americano do século XX”, galardoado com a Prémio Nobel de Literatura, 1949 - conta a história do regresso a casa de três jovens aviadores americanos, combatentes da Primeira Guerra Mundial: Donald Mahon, Joe Gilligan e Julian Lowe.
No centro da narrativa está o tenente Mahon, que regressa para junto da família e da noiva brutalmente marcado pela guerra: desfigurado por uma cicatriz terrível no rosto, a cegar, amnésico, a coxear.
A acção começa com os três a viajar de comboio rumo às suas cidades. Gilligan e Powers, fisicamente em melhor estado que Mahon, celebram de uma forma efusiva e desconcertante esse regresso, enquanto Mahon agoniza.
Apesar de todos os excessos, ambos decidem levar o tenente a casa. A eles junta-se Margareth Powers, uma jovem viúva de um soldado aviador morto em França que, impressionada com o estado do moribundo, se oferece para os acompanhar, tomar conta do soldado e suportar as despesas do seu tratamento.
- Claro. O soldado morre e deixa-lhe dinheiro, e você vai gastar o dinheiro a ajudar outro soldado a morrer confortavelmente. Não é irónico?
- Presumo que sim… É tudo irónico. Horrivelmente irónico.
Acabam por ir os três a casa dos Mahon, em Charlestown, Geórgia.
Margareth vai à frente, para preparar a família e fala com o pai, o reverendo Mahon, a quem esconde o verdadeiro estado do doente.
- Doente? – trovejou ele. – Doente? Mas nós vamos curá-lo. Tragam-no para casa, que aqui, com boa comida, descanso e atenção, iremos pô-lo bom dentro de uma semana. Hem, Cecily?
Cecily Saunders é a namorada de Mahon. Os pais fizeram com que ficassem noivos antes de ele partir para a guerra. Ele partiu à espera que ela esperasse por ele e regressou esperando que ela o aceitasse.
Ela esperou-o, traindo-o com Geroge Parr. Será que aceita casar com ele, agora que tem o rosto terrivelmente desfigurado?
- Nunca, nunca. Se tiver de voltar a ver a cara dele, eu… eu morro.
Não morre e casa. Mas não com Mahon.
Gillian e Julian continuam junto do amigo. Ambos se perdem de amores pela doce Margareth.
Margareth que, por amor e uma certa dose de compaixão, aceita casar com Mahon.
A primavera avança e Mahon piora. Já mal se levanta. Está a morrer.
A família continua a acreditar na sua recuperação. Margareth  não.
Entretanto, no casarão triste, ouve-se o tiquetaque do relógio da cozinha: Vida. Morte. Vida. Morte. Vida Morte. Vida. Morte.

Amor, amizade, traição, humor negro, esperança, desespero, ingratidão, lágrimas, oportunismo, compaixão, sofrimento, agonia, morte… há de tudo neste romance dramático, denso de emoções e sentimentos, sobre o pós-guerra de jovens combatentes e o impacto devastador do regresso da guerra de um filho mutilado. Mas tudo, não chegou para me cativar.
Um primeiro romance, sem qualquer brilho.
Lê-lo, não foi “pêra-doce”.

A recompensa do soldado, de William Faulkner, Prémio Nobel de Literatura, 1949
Tradução de Maria João Freire de Andrade
Ed. Casa das Letras, 2010
317 págs.

1 comentário:

  1. Gostava de ler esse livro. Pode ser que ainda o compre.

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