28 novembro, 2014

"Holocausto brasileiro" - Daniela Arbex

O repórter luta contra o esquecimento. Transforma em palavra o que era silêncio. Faz memória.
Porque a história não pode ser esquecida. Porque o holocausto ainda não acabou.
(No prefácio assinado por Eliane Brum, jornalista, escritora e documentarista brasileira.)

Hospício de Côlonia, fundado em 1903- campo de concentração transvertido de hospital - destino de desafectos, homossexuais, militantes políticos, mães solteiras, alcoolistas, mendigos, negros, pobres, pessoas sem documentos e todos os tipos de indesejados, inclusive os chamados insanos.
Com este livro-reportagem Daniela Arbex, jornalista brasileira, recuperou do esquecimento um capítulo macabro da história do século XX brasileiro: o genocídio de 60.000 pessoas no hospício de Colônia, feito pelas mãos do Estado, com a conivência de médicos, funcionários e população.
Homens, mulheres e crianças - a maioria internada sem diagnóstico de doença mental – foram violentamente torturados e mortos. Bebiam água do esgoto. Comiam ratos. Morriam ao frio e à fome. Eram exterminados com electrochoques tão fortes, que toda a cidade ficava sem luz, por sobrecarga da rede. Os bebés eram roubados às mães logo à nascença.
Ao morrer, davam lucro. Os cadáveres eram vendidos à faculdade de medicina. Quando o número de corpos excedia a procura, eram decompostos em ácido, no pátio, diante dos pacientes. Os ossos eram comercializados. Nada ali se perdia. Excepto a vida.
Para contar esta tenebrosa história, a jornalista investigou, ouviu sobreviventes e juntou imagens do fotógrafo Luiz Alfredo, que em 1961 entrou no hospício para fazer o registo mais dramático da sua carreira. Imagens chocantes de seres humanos em profunda tristeza, simplesmente à espera da morte.
Ó seu Manoel, tenha compaixão
Tira nós tudo desta prisão
Estamos todos de azulão
Levando o pátio de pé no chão
Lá vem a boia do pessoal
Arroz cru e feijão sem sal
E mais atrás vem o macarrão
Parece cola de colar bolão
Depois vem a sobremesa
Banana podre em cima da mesa
E logo atrás vêm as funcionárias
Que são umas putas ordinárias.
Leia. Divulgue. Não deixe esquecer. Não deixe que volte a acontecer.
Antes, prepare-se para um brutal murro no estômago.

Holocausto brasileiro, de Daniela Arbex
Ed. Guerra e Paz, 2014-11-23
255 págs.

25 novembro, 2014

Money, money, money... em "Da mão para a boca" - Paul Auster

O dinheiro falava, e na medida em que o escutássemos e obedecêssemos aos seus argumentos, aprenderíamos a linguagem da vida.
Imagina Paul Benjamin Auster (n.1947) – um dos nomes grandes da literatura norte-americana - a “apertar o cinto”? Não?
Pois isso aconteceu mesmo, como ele conta neste relato autobiográfico intimista, comovente e muito divertido.

"Entre os meus vinte anos e o início dos trinta, atravessei um período de vários anos em que tudo aquilo em que tocava se transformava num fracasso: o meu casamento terminou em divórcio, o meu trabalho como escritor soçobrou e vivi assoberbado por problemas de dinheiro. Não estou a falar de uma simples e ocasional escassez de fundos ou de alguma necessidade periódica de apertar o cinto, mas sim de uma falta de dinheiro contínua, crónica, opressiva, quase asfixiante, que me envenenava a alma e me mantinha num estado de pânico interminável.
Não podia culpar ninguém a não ser a mim próprio."
Leia mais.
"Provenho de uma família da classe média. A minha infância foi desafogada e nunca conheci nenhuma das carências e privações que afligem a maior parte dos seres humanos que vivem nesta terra. Nunca passei fome, nunca passei frio, nunca me senti em perigo de perder as coisas que tinha. (…) O meu pai era agarrado; a minha mãe esbanjadora. Ela gastava; ele não."
E ainda mais.
"Em rapaz, enquadrei-me no papel do fura-vidas clássico. Ao primeiro sinal de neve, começava a tocar às campainhas e perguntava às pessoas se queriam contratar-me para lhes desimpedir a entrada (…) Em Outubro, quando as folhas caíam, lá estava eu com o meu ancinho: tocava às mesmas campainhas e perguntava se queriam que limpasse os relvados (…) No verão, vendia limonada a dez cêntimos o copo no passeio defronte da minha casa."

Paul Auster, o escritor de sucesso, no seu melhor!
(Voltarei a este livro.)

21 novembro, 2014

"O Adeus às armas" - Ernest Hemingway

Quando as pessoas defrontam o mundo com tanta coragem, o mundo só pode quebrá-las matando-as, e por isso, é claro, mata-as. O mundo quebra toda a gente (...) Mas àqueles que não conseguem quebrar, mata-os. Mata os bons, os muito doces, os muito corajosos, imparcialmente.
AMOR e GUERRA, humor e tragédia, são os ingredientes essenciais de “O Adeus às armas”, terceiro romance de Ernest Hemingway, um clássico da literatura universal.
Protagonistas: FREDERIC HENRY (tenente norte-americano, condutor de ambulâncias do exército italiano) e CATHERINE BARKLEY (enfermeira inglesa). A eles juntam-se: Rinaldi (tenente, amigo de Henry), Helen Fergusson (enfermeira, amiga de Catherine), o padre e, claro, muitos outros.
Local da acção: ITÁLIA (Gorizia, pequena cidade a norte de Trieste, e Milão) e SUIÇA.
Tempo: Primeira Guerra Mundial - Outono de 1916
Narrador: O protagonista Frederic Henry.
Enredo: O amor de Henry e Catherine em tempo de guerra - um amor enorme, verdadeiro, atribulado. A separação. O reencontro. A fuga. A dor maior.
Linguagem: Próxima à realidade, sem artifícios, nua, crua.
Estilo: Directo, vivo, incisivo,
Palavras-chave: guerra, amor, paixão, amizade, lealdade, determinação, dor.
Diálogos: Simplicidade perfeita.
Género narrativo: romance.
Ufa!!
Termino dizendo - de forma simples, contida, sem floreados, sem adjetivos exagerados - que o romance “O Adeus às armas” (1929) é... um belíssimo poema em prosa.
- Estou farta de cabelo comprido. É muito incómodo de noite, na cama.
- Mas eu gosto dele.
- Não gostavas dele curto?
- Talvez. Mas gosto dele como está.
- Curto talvez ficasse bem. Então ficávamos ambos iguais. Oh, querido, eu queria tanto ser tu!
- E és. Nós somos um só.
- Bem sei. De noite somos.
- As noites são belas!
Concorda?
Pois é, se gosta de boas histórias de amor e guerra, leia esta e deslumbre-se.
(Lamechas, eu? Não! Romântica.)

O Adeus às armas, de Ernest Hemingway – Prémio Nobel de Literatura, 1954
Prefácio e tradução de Adolfo Casais Monteiro
Ed. Livros do Brasil, 2001
326 págs.

18 novembro, 2014

O amor e o medo à chuva... em "O adeus às armas", de Ernest Hemingway

"- Está a chover com toda a força.
- E hás-de amar-me sempre, é verdade?
- Hei-de.
- E a chuva não fará diferença?
- Não.
- Ainda bem. Porque eu tenho medo à chuva.
- Porquê?
- Não sei, querido. Sempre tive medo à chuva.
- Eu gosto dela.
- Gosto de passear à chuva. Mas é mau para o amor.
- Eu hei-de-gostar sempre de ti.
- Hei-de amar-te quer chova, quer neve, quer saraive e… que mais é?
- Não sei. Creio que estou com sono.
- Dorme, querido, hei-de amar-te de qualquer maneira.
- Não tens de facto medo à chuva, pois não?
- Quando estou junto de ti não tenho.
- Porque tens medo dela?
- Não sei.
- Diz.
- Não quero.
- Diz.
- Não.
- Diz.
- Está bem. Tenho medo à chuva porque às vezes vejo-me morta no meio dela."
- Não!"

16 novembro, 2014

Vale a pena ler... José Pacheco Pereira


"Vale a pena ler livros novos?
Todas as vezes que lemos um livro deixamos de ler outro. É mesmo assim, positivo e negativo, para os poucos milhares de livros que podemos ler, mesmo sendo grandes leitores. Já uma vez fiz este cálculo e na melhor das hipóteses, numa vida de grande leitor, dificilmente se pode ultrapassar os 4000-5000 livros e já a contar por cima.
Vale a pena ler livros novos? Ou dito de outra maneira, se não temos tempo para ler o património fundamental da literatura dos últimos 2500 anos, vale a pena perder tempo a ler livros “novos”, a esmagadora maioria dos quais desaparece da memória literária a alta velocidade, porque, no fundo, nada tinham a acrescentar de novo ao património anterior?
Não está tudo já escrito e reescrito com qualidade já testada e com real ligação com o que de mais indispensável existe na nossa história cultural? Como podemos viver sem Ibsen, Molière, Bocaccio, Stendhal, Cervantes, Safo, Virgílio, mesmo quando já não temos tempo para os ler como merecem sem também já escolhermos entre Proust ou Claudel, ou Dickens e Conrad, ou Nabokov e Updike?
É um problema que tem sentido colocar, porque, sendo nós finitos, estamos limitados e temos de fazer escolhas. Se eu pudesse ler tudo, não havia problema. Tem de existir por isso argumentos a favor de o “novo” por testar e perder assim algo do antigo já testado."

Vale a pena ler excelentes crónicas, como esta publicada no jornal Público de 15 Novembro 2014

(foto tirada da net)

14 novembro, 2014

"Com a cabeça nas nuvens" - Susanna Tamaro

… para a minha fuga não acabar por se converter numa série de movimentos desordenados e inúteis, deveria ter uma meta precisa e que essa meta só poderia ser o império do tio Isaac, lá longe, naquele país onde tudo podia acontecer, isto é, na América.
Este romance de Susanna Tamaro – galardoado em 1989 com o Prémio Elsa Morante – relata a história de um adolescente que procura escapar ao destino inevitável de se tornar adulto refugiando-se num mundo de sonhos, fantasia e liberdade.
Ruben, o protagonista e narrador da história, vive com a avó e a bisavó (ambas mudas e cegas) nunca casa grande onde impera o silêncio, a tranquilidade e muita liberdade. Quando Ruben fez quinze anos e um professor chegou à casa grande para acompanhar a sua educação, a vida tranquila começou a esboroar-se como um biscoito sob as lagartas de um carro de combate.
O professor é severo, exigente e obriga-o a cumprir regras. 
Era indispensável descobrir o mais depressa possível um remédio para aquela tirania.
Como as avós não o podem salvar, Ruben foge, rumo à América, onde crê ser possível continuar a ser criança. A viagem é mirabolante e hilariante.
Desiludido, Ruben regressará a casa e descobrirá que...
… não vou contar mais nada, logo, vai ter que ler para saber.
Vale a pena conhecer o Ruben.
Leia e divirta-se!

Com a cabeça nas nuvens, de Susanna Tamaro
Tradução de Maria Jorge Vilar de Figueiredo
Ed. Presença, 1996
123 págs.

11 novembro, 2014

"As pontes da vida" - Vítor Gomes e Alfredina Ribeiro

TRAPOS DE TERNURA
Sabes
Queria ter sido a tua boneca
Feita de trapos e segredos
Pintada com as cores
Da tua inocência
E vestida com mil afectos

Queria ter sido a tua boneca
Para descobrir o mundo contigo
Dentro do teu próprio mundo
Recolheria os teus medos
Mas noites escuras da imaginação

Queria ter sido a tua boneca
Para te ver crescer na vida
E caminhar por ela suavemente

Queria ter sido a tua boneca
E sobre as rugas do tempo
Saborear os frutos da tua existência
Em velhas brincadeiras com sangue novo

Queria ter sido a tua boneca
Para um dia te ver partir
Na empoeirada prateleira da memória
Carregada de sonhos escondidos
Num recanto profundo da tua alma
Queria sido a tua boneca.

Lindo, lindo, lindo!

07 novembro, 2014

"O triunfo dos porcos" - George Orwell

Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros.
Duvido que haja alguém que não tenha lido este romance satírico de George Orwell, - uma critica aos regimes políticos totalitários do século XX, nomeadamente a ditadura  repressiva e violenta exercida por Josef Stalin na União Soviética, entre 1922 1953 - que narra a revolta dos animais da Quinta «Manor» contra a exploração e dominação dos humanos, e aborda temas como corrupção, traição, opressão e exploração. 
Não deis ouvidos a quem vos disser que o homem e os animais têm interesses comuns, que a prosperidade de uns é a prosperidade dos outros. Isso é tudo mentira! Afirmava o velho porco Major, cérebro da revolta que levará ao afastamento do proprietário da quinta, o Sr. Jones.
Depois da  morte de Major, dois porcos robustos e inteligentes assumem a liderança da quinta: Snowball e Napoleão. Como ambos sabem ler e escrever, cabe-lhes a missão de condensar os princípios dos Animais em sete mandamentos:
1) Tudo o que anda com dois pés é inimigo.
2) Tudo o que anda com quatro patas ou tem asas é amigo.
3) Nenhum animal usará roupa.
4) Nenhum animal dormirá na cama.
5) Nenhum animal beberá álcool.
6) Nenhum animal matará outro animal.
7) Todos os animais são iguais.
Para os animais menos inteligentes, incapazes de aprender os sete mandamentos, Snowball cria a máxima: «Quatro pernas bom, duas pernas mau» e todos se entendem.
Passa o verão, passa o outono, e no inverno gelado a polémica à volta da construção de um moinho de vento abala a liderança dos dois porcos. Vão a eleições. Os restantes animais, divididos em dois grupos, gritam palavras de ordem:
- Votai por Snowball e três dias de trabalho por semana!
- Votai por Napoleão e muita comida!
Napoleão, seduzido pelo poder, não espera pela contagem dos votos e, com a ajuda do seus cães, expulsa Snowball. De seguida, estabelece na quinta uma ditadura opressiva e corrupta, muda-se para casa do Sr. Jones, dorme na cama, bebe álcool, executa outros animais, anda sobre as duas patas traseiras, altera o texto de alguns mandamentos.
A vida é dura para os restantes animais, mas não deixam de aclamar o líder «Nosso Chefe, Camarada Napoleão».
Na primavera, a Animal Farm proclama a República e Napoleão é eleito, por unanimidade, presidente.
Na quinta, agora mais próspera e melhor organizada, apenas enriquecem os porcos e os cães.
Os mais velhos recordam os primeiros tempos da Revolta, sem perder a esperança nem o sentimento da honra e do privilégio de fazem parte da Animal Farm.
Actualíssimo, não?!
Se ainda não leu, por favor leia.

O Triunfo dos porcos, de George Orwell
Tradução de Maria Antunes
Ed. Perspectivas e Realidades, 1980
111 págs.

04 novembro, 2014

3º - Está num livro de José Saramago. Sabe qual é?

“Está demonstrado, portanto, que o revisor errou, que se não errou confundiu, que se não confundiu imaginou, mas venha atirar-lhe a primeira pedra aquele que não tenha errado, confundido ou imaginado nunca. Errar, disse-o quem sabia, é próprio do homem, o que significa, se não é erro tomar as palavras à letra, que não seria verdadeiro homem aquele que não errasse. Porém esta suprema máxima não pode ser utilizada como desculpa universal que a todos nos absorveria de juízos coxos e opiniões mancas, Quem não sabe deve perguntar, ter humildade, e uma precaução tão elementar deveria tê-la sempre o revisor…”

Se já leu, é fácil chegar lá. Vire as páginas. Releia. Deslumbre-se.
Se acertar, ganhará... um enorme aplauso!

O título do livro nº 2 é:
O ano da Morte de Ricardo Reis”, Editorial Caminho, 1984

01 novembro, 2014

"A rainha da neve" - Michael Cunningham

As visões são respostas. Respostas implicam perguntas.
Nas primeiras dezassete páginas deste romance, o protagonista Barrett Meeks é maltratado pelo amor e dias depois vê no céu uma luz celestial. Como o romance tem 278 páginas, a história promete, não?

Novembro 2006
(Não vão reeleger George Bush. Não podem reeleger George Bush.)
Barrett Meeks está a viver mais um desgosto amoroso. O seu último amante, um canadiano de forte compleição que chegou a dizer-lhe “Podia até amar-te”, com quem partilhara cinco meses de sexo, comida e piadas, pusera fim à relação, inesperadamente e por SMS: Olá Barrett. Calculo q sabes do q se trata. Olha, demos o melhor de nós, certo?... Desejo-te felicidades e sorte no futuro. xxx
Aos trinta e oito anos, Barrett já passou por várias separações abruptas e dolorosas - nunca comunicadas por mensagem - mas continua a não saber lidar com o desamor.
Quatro dias depois, quando caminha de cabeça baixa pelo Central Park, dirigindo-se para casa depois de um exame dentário, é impelido a olhar para o cima e vê no céu uma luz a olhar para ele. Não. A olhar, não. A captá-lo. É uma pálida luz azul-cobalto, translúcida, um retalho de véu, à altura das estrelas, que logo depois se desvanece e deixa no céu a normal escuridão nocturna.
Por momentos, Barrett - que não acredita em visões, nem em Deus - continua parado a olhar para o céu, depois, incrédulo e perturbado, prossegue o caminho para casa. (Casa que não é sua. A sua perdeu-a e como não tinha dinheiro para alugar outra, foi viver com Tyler e Beth).
Tyler é o seu irmão mais velho. Tem quarenta e três anos, é formado em Ciência Política, é um músico falhado que toca em bares.  De momento, Tyler busca inspiração nas drogas, que esconde na gaveta da mesa-de-cabeceira, para compor a mais bela canção de amor para Beth, a noiva que luta contra um cancro em fase terminal. Mas voltemos a Barrett.
Na manhã seguinte a ter visto a estranha luz, durante a sua corrida habitual de dois quilómetros, a pergunta surge: O que é que a luz quereria, precisamente, que ele levasse por diante ou fizesse?
Barrett vai manter tudo como está: o regime de exercício e dieta sem hidratos de carbono; a releitura de Flaubert; o emprego na loja de venda a retalho de Liz, (ainda não disse, mas Barrett formou-se em Yale); o quarto em casa do irmão, num bairro pobre de Brooklyn; a procura do verdadeiro amor.
Barrett, o jovem que parecia tão obviamente destinado a voos vertiginosos, está à beira da catástrofe: falido e destroçado. Talvez comece a ir à igreja.
Acabou, não desvendo mais…

Novembro 2008 
(Este país não está preparado para um Presidente negro.)
Terá Barrett encontrado o amor?
- Queres contar-me o que era aquilo sobre uma luz? – pergunta Sam.
- Isso é uma história estranha. – diz Barrett.
- Eu gosto de histórias estranhas.
- Gostas, não gostas? Gostas mesmo de histórias estranhas.
De estranho não tem nada este romance “brilhante”, inteligente, divertido e comovente, sobre as emoções humanas. A trama está bem urdida. As personagens são consistentes e cativantes. A escrita é, como tudo o que o autor já nos deu a ler, envolvente.
Falta apenas dizer que me fascinou a ligação fortíssima dos irmãos Meeks; me emocionou o amor de Tyler por Beth; me cativou a força de Liz (a patroa de Barrett)  e o seu amor estranho e secreto por... não digo.
Gostei!
(Mas continuo a preferir... "Sangue do meu sangue".)

A rainha da neve, de Michael Cunningham
Tradução de Lucília Filipe
Ed. Gradiva, 214
278 págs.