30 julho, 2013

Desafio nº 20 (e último) - pelo contrário, o autor deste poema é o primeiro dos primeiros. E mais não digo. Qual é ele, qual é?

Apolo e as nove Musas, descantando
Co’a dourada lira, me influíam
Na suave harmonia que faziam,
Quando tomei a pena, começando:

“Ditoso seja o dia e hora, quando
Tão delicados olhos me feriam!
Ditosos os sentidos que 
Estar-se em seu desejo traspassando!”

Assim cantava, quando o Amor virou
A roda da esperança, que corria
Tão ligeira, que quase era invisível.

Converteu-se em noite o claro dia;
E, se algüa esperança me ficou,
Será de maior mal, se for possível.

Sem ajudas.
A resposta será publicada no dia 3 de Setembro.
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Resposta do desafio nº 19:
Trata-se de “Memória de elefante”, o primeiro romance de António Lobo Antunes .
Parabéns para quem acertou.

26 julho, 2013

"Laços de família" - Clarice Lispector

Se uma pessoa perfeita do planeta Marte descesse e soubesse que as pessoas da Terra se cansavam e envelheciam, teria pena e espanto. Sem entender jamais o que havia de bom em ser gente, em sentir-se cansada, em diariamente falir; só os iniciados compreenderiam essa nuance de vício e refinamento de vida. (A imitação da rosa)
Foi a leitura das crónicas publicadas no Ípsilon, ao longo de nove semanas, que me deram a conhecer Clarice Lispector.
Empolgada por tão belas histórias, corri a comprar “Laços de Família”, o primeiro livro da autora a entrar na minha estante.
Comecei por contar as histórias: treze. Treze histórias de mulheres.
Que bom, pensei.
Parti para a leitura da primeira – Devaneio e embriaguez duma rapariga – e não me deslumbrei.
Avancei para a segunda - Amor – e gostei; mas pouco.
Parecia ter descoberto que tudo era passível de aperfeiçoamento, a cada coisa se emprestaria uma aparência harmoniosa; a vida podia ser feita pela mão do homem. (Amor)
Sem desanimar, procurei o encantamento em - A imitação da rosa - mas não deu.
Seguiram-se as restantes dez, e o arrebatamento não apareceu.
Feliz aniversário – gostei.
A menor mulher do mundo – gostei, muito.
O jantar – gostei, muito, muito.
Preciosidade
Os laços de família
Começos de uma fortuna
Mistério em São Cristóvão
O crime do professor de matemática
O búfalo
Não é fácil ler Clarice Lispector.
A sua escrita é diferente, os personagens das histórias são estranhos, os desfechos mais ainda.
Não ser devorado é o sentimento mais perfeito. Não ser devorado é o objectivo secreto de toda uma vida. (A menor mulher do mundo)
Não me deixei "devorar" por estas histórias, mas vou rele-las para melhor entender a escrita original de uma mulher fenomenal
Laços de família, de Clarice Lispector
Ed. Relógio d’Água
141 págs.

19 julho, 2013

Marion Zimmer Bradley - para memória futura

Marion Zimmer-Bradley (1930-1999), tinha dez anos quando se enfeitiçou pela lenda do Rei Artur e nunca mais se desligou desse fascínio.
A sua vasta obra radica num imaginário de fantasia, mistério e magia e as histórias, baseadas em lendas antigas, são contadas sempre sob o ponto de vista feminino.
O sucesso da tetralogia “Brumas de Avalon”, que retoma a lenda do Rei Artur, esteve vários meses na lista de “ best-sellers” do New York Times e tornou-a numa das escritoras mais lidas no mundo.
Muitos outros sucessos se seguiram. Eis alguns:
“A herdeira”
…se há um tipo de pessoa de quem gosto menos que do céptico que não acredita sem investigar, é do crente que acredita sem investigar.
Sinopse:
Leslie Barnes comprou recentemente a sua primeira casa com vista sobre Golden Gate Bridge, em São Francisco.
A casa parece perfeita para ela e para a irmã, uma jovem muito dotada para a música. Mas assim que começam a viver na nova casa, dão-se uma série de estranhos acontecimentos que perturbam fortemente as duas irmãs.
Com horror, Leslie apercebe-se de que está a viver num vórtice de poder mágico e que terá de tornar-se na guardiã desse poder para que este não caia nas mãos daqueles que procuram usá-lo para fins perversos.
Leslie, que é psicóloga de profissão, sente-se perdida ao ter que lidar com o oculto até ao momento em que conhece Claire Moffatt, uma médium encantadora, e o seu mentor, Colin MacLaren, um parapsicólogo mundialmente famoso.
Juntos, enfrentarão o mal e possibilitarão a Leslie tomar posse daquela que é a sua herança.
"As mulheres da Casa do Tigre"
… és muito determinada, mas não confies demasiado na tua força.
Sinopse:
Merina é uma próspera cidade onde reinam as mulheres da Casa do Tigre.
De linhagem antiga, mantêm o equilíbrio na cidade, conciliando os interesses económicos e mantendo vivo o culto da Deusa, cuja relíquia, o Coração, se encontra no Grande Templo.
Mas uma forte ameaça paira sobre a cidade. O imperador Balthasar aproxima-se com o seu poderoso exército e Merina não tem qualquer possibilidade de lhe fazer frente.Com ele vem também o mago Apolon, um servidor das Trevas que busca apoderar-se da relíquia e de todo o seu poder.
É nestas circunstâncias que as mulheres da Casa do Tigre planeiam a defesa da cidade. Apenas a sua coragem se interpõe no caminho do Imperador e do triunfo: a rainha mãe, Adele, fará uso dos poderes espirituais e mágicos de que dispõe; Lydana, a rainha reinante, organizará a resistência armada; e a jovem princesa herdeira, Shelyra, será “os olhos e os ouvidos” da resistência, fazendo valer uma antiga aliança com os ciganos.
“A casa da floresta”
A dúvida é inimiga da magia…
Sinopse:
Dentro dos muros da Casa da Floresta, numa remota região da Bretanha, um círculo secreto de sacerdotisas Druídas preserva os antigos rituais de aprendizagem, cura e magia contra o Império Romano.
Na sua vizinhança, a jovem Eilan, nascida numa família impregnada pelos conhecimentos dos Druídas, amadurece em direcção à sua plena condição de mulher e ao florescimento duma força interior com a qual dificilmente se atreve a sonhar. Ouve-se, já, o chamamento da Grande Deusa – e será ela a cerimonialmente escolhida como a nova grã-sacerdotisa. Mas antes, Eilan ouve outra voz – a do seu amor pelo jovem romano Gaius Macellius, cuja missão é submeter a sua terra nativa a todos os seus costumes. A guerra que devasta o íntimo de Eilan, que tem que renunciar ao seu amado em favor do seu destino sagrado, espelha a turbulência da época… e será apenas ela a poder encontrar o caminho para fora da encruzilhada na qual a sua fé a colocou.
“A sacerdotisa de Avalon”
O conhecimento certo do que está para vir só é concedido a muito poucos.
Sinopse:
Esta é a cativante história da princesa inglesa Eilan, a quem os romanos chamam Helena.
A viagem de Helena começa em Avalon quando se apaixona por um oficial a quem o destino reservou a grandeza imperial. Seguiremos o percurso de Helena, de menina a mãe, e observá-la-emos esfuziante com o nascimento do filho e desesperada quando a política força o seu amado a optar entre a mulher e o império. Helena protagoniza um momento crítico da história do Ocidente, procurando unir o mundo pagão e o novo império cristão. Enquanto mãe e imperatriz, aventurar-se-á numa peregrinação até à Terra Santa, numa procura da verdade que transcende qualquer religião.

12 julho, 2013

"Ravelstein" - Saul Bellow

Com a ajuda de Eros vamos caminhando, cada um de nós, em busca da metade que nos falta.
Comecei por ler a sinopse na livraria e fiquei curiosa. Diz assim:
Abe Ravelstein é um brilhante professor de uma das melhores universidades do Midwest e um homem que se gaba de educar os que mexem os cordelinhos do mundo da política.
Viveu sempre à grande e muito acima dos seus meios. O seu íntimo amigo Chick sugeriu-lhe um dia que escrevesse um livro, expondo as suas convicções acerca das ideias que suportam a humanidade, ou a matam e, para grande surpresa de Ravelstein, ele escreve na realidade esse livro e torna-se milionário.
Durante uma viagem a Paris, para comemorar o êxito do revolucionário livro de Ravelstein, luxuosamente instalados no Hotel Crillon, os dois amigos partilham os seus pensamentos acerca da morte, da filosofia e da história, do amor e dos amigos, velhos e novos, e memórias rocambolescas de um passado já remoto. O clima torna-se mais sombrio, depois de ambos terem regressado a Midwest. Ravelstein não resiste à SIDA e o próprio Chick escapa por pouco à morte.
E mais à frente:
Ravelstein… é uma viagem através do amor e da memória. É um livro corajoso, sombrio e desoladamente divertido: uma elegia à amizade e às vidas bem (ou mal) vividas.
Bastou para me convencer.
Já em casa não lhe peguei de imediato, mas quando o fiz…li-o sem parar e quase gastei um lápis, por tanto o sublinhar.
Este excelente romance / biografia (?) é o relato dos últimos dias de vida do professor Abe Ravelstein (ou será, antes, Allan Blooom, judeu, homossexual e amigo de Saul Bellow?).
O narrador é Chick, (ou será antes, Saul Bellow?) seu colega, grande amigo e confidente, a quem ele pede que escreva sobre a sua vida.
Mas que grande Ravelstein…
…ele vivia o amor como sendo possivelmente a mais elevada bênção da humanidade. Uma alma despojada de desejo era uma alma deformada, privada do seu maior bem, ferida e morte.
…ele vivia pelas suas ideias. O seu saber era real, ele podia documentá-lo, capítulo e verso.
… ele não aceitava o vazio e o aborrecimento. Tão pouco a depressão era tolerada. Não pactuava com maus estados de espírito.
…ele estava ciente, de um modo obsessivo, do que era ser soterrado sob as suas faltas e erros. Mas, antes de se afundar, ele descrever-nos-ia a caverna de Platão.
… ele expusera as falhas do sistema do qual fazia parte, o vazio do seu historicismo, a sua permeabilidade ao niilismo europeu.
…ele não era grande conhecedor do que os americanos chamam “as artes visuais.” Os quadros estavam ali porque as paredes tinham sido feitas para as pinturas e as pinturas para as paredes.
… ele era seropositivo, e estava a morrer de complicações afins.
Gostei muito e aconselho a leitura deste magnífico romance.
Mais não posso, aliás, não devo, dizer.
… dos escritores, esperamos que nos façam rir ou chorar.
Saul Bellow fez-me pensar.
Na vida.
 
Ravelstein, de Saul Bellow
Ed. Teorema, 2002
Tradução de Rui Zink
227 págs.

09 julho, 2013

Aqui... eu guardo lembranças

... de leituras orientadoras, sérias, divertidas, arrebatadoras e inesquecíveis.
... de lugares maravilhosos que conheci e senti.
É bom recordar.
Aqui... é só olhar e deixar voar.

07 julho, 2013

Frases soltas... "A Caverna" de José Saramago

“…a melhor maneira de fazer morrer uma rosa é abri-la à força quando ainda não passa de uma pequena promessa de botão.”
 
“… de repente percebemos que já não somos necessários no mundo, se é que alguma vez o tínhamos sido antes, mas acreditar que o éramos parecia bastante, parecia suficientes, e era de certa maneira eterno pelo tempo que a vida durasse, que é isso a eternidade, nada mais do que isso.”
 
“… trabalho que se faz sonhando nunca deixou obra feita.”

“Os dias são todos iguais, as horas é que não, quando os dias chegam ao fim têm sempre as suas vinte e quatro horas completas, mesmo quando elas não tiveram nada dentro.”

“Na vida tudo são fardas, o corpo só é civil verdadeiramente quando está despido…”

“Todos os pais foram filhos, muitos filhos vêm a ser pais, mas uns esqueceram-se daquilo que foram, e aos outros não há ninguém que possa explicar-lhes o que serão.”

“O humor é como as marés, ora sobe ora desce.”

“É uma estupidez deixar perder o presente só pelo medo de não vir a ganhar o futuro…”

“Nenhuma doçura de hoje será capaz de minorar o amargor de amanhã…”
 
"A boca é um órgão que será tanto mais de confiança quanto mais silencioso se mantiver.”

06 julho, 2013

Peço ajuda...

Iniciei há um ano o blogue pétalas de sabedoria - onde diariamente insiro frases que que li, gostei e guardei.
As mensagens não têm título, pois acho que não se justifica, e nunca tive qualquer problema na sua publicação.Tenho, inclusivé, agendadas mensagens até ao próximo dia quinze.
Agora, sem que eu tenha feito algo de diferente, as mensagens não são aceites sem o título.
Arreliada, tentei solucionar o problema sózinha, mas não consegui. Tentei encontrar dicas em  foruns de ajuda, mas não resultou. Tentei, tentei... e desanimei.
Decidi, então, recorrer ao meu rol.
Se passar por aqui e tiver uma solução para este problema - para mim problemão - por favor, ajude-me a manter o blogue como o idealizei.
Muito obrigada!
 
 

05 julho, 2013

"A lenda de Talhuic" - Marc de Smedt

Então, filho de homem e de mulher, estás a dormir! Acorda, é preciso viver a vida, ela passa depressa.
Encontrei mais um miminho na estante da minha filhota. Um miminho, em forma de livrinho, que nos inspira e desafia a trilhar novos caminhos.
Conta a história do jovem Talhuic, futuro xamã de uma tribo mítica de um tempo fora do tempo, que tem de passar por uma série de provas como parte da sua formação. Numa busca iniciática, o jovem despertará lentamente para uma visão mais ampla dos seres e das coisas do nosso mundo.
Repara no movimento da vida. Sê atento aos sinais de cada instante.
Três idades marcam este conto filosófico, com etapas essenciais de um percurso que, simbolicamente, representa o nosso: o homem-pó; o homem-planta; o homem-animal.
Se sabes viver plenamente o momento, em toda a consciência, descobrirás o valor da vida.
É uma lição sobre o sentido e a beleza da vida … presente unicamente no instante do olhar que a vê.
É uma lição sobre a linguagem da natureza que nos envolve e daqueles que a povoam… escuta, escuta, escuta.
...
E, gota a gota, o silêncio partia-se.
Lindo!

A lenda de Talhuic, de Marc de Smedt
Ed. Estrela Polar, 2006
 

02 julho, 2013

Desafio nº 19 - Não é fácil ler e entender este romance. Pela escrita densa (na nossa língua) e pelo tema angustiante. Este excerto, da pág. 46, disso dá conta. Qual é e quem o escreveu?

Aqui, pensou o médico, desagua a última miséria, a solidão absoluta, o que em nós próprios não aguentamos suportar, os mais escondidos e vergonhosos dos nossos sentimentos, o que nos outros chamamos loucura que é afinal a nossa e da qual nos protegemos a etiqueta-la, a comprimi-la de grades, a alimentá-la de pastilhas e de gotas para que continue existindo, a conceder-lhe licença de saída ao fim de semana e a encaminhá-la na direcção de uma “normalidade” que provavelmente consiste apenas no empalhar em vida. Quando se diz, considerou ele de mãos nos bolsos a observar os serafins do bagaço, que os psiquiatras são malucos, está-se tocando sem saber o centro da verdade: em nenhuma especialidade como nesta se topam seres de crânio tão em saca-rolhas, tratando-se a si mesmos através das curas de sono impingidas por persuasão ou à força aos que os procuram para se procurarem e arrastam de consultório em consultório a ansiedade da sua tristeza, como um coxo transporta a perna manca de endireita em endireita, em busca de um milagre impossível.
 
Ajuda se eu disser que é o primeiro romance do autor da bata branca?
Ajuda se eu disser que a sua vasta obra é um sucesso internacional?
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Resposta do desafio nº 18:
Claro que é “A mãe”, de Máximo Gorki, um clássico da literatura russa.
Parabéns para quem acertou.