13 setembro, 2013

Contos de... Virginia Woolf

Foi talvez por meados de Janeiro deste ano que vi pela primeira vez, ao olhar para cima, a marca na parede. Quando queremos fixar uma data precisamos de nos lembrar do que vimos.
Começa assim “A marca na parede”, o primeiro dos contos desta compilação da Relógio d’Água (2004), que só agora descobri, comprei, devorei e… adorei.
Por momentos “emperrei “ no primeiro conto e desanimei, mas logo “mergulhei” no segundo, rejubilei e não mais parei.
. A marca na parede
. Objectos sólidos
… qualquer objecto de mistura tão profundamente com a matéria do pensamento que perde a sua forma real e se reconstitui de modo ligeiramente diferente numa forma ideia que assombra a mente quando menos se espera.
. Um romance que não foi escrito
A vida é o que se vê nos olhos das pessoas.
. A casa assombrada
. Segunda ou terça-feira
. No pomar
. O vestido novo
. Uma melodia simples
. Resumo
. Momentos de ser: “Os alfinetes da Slater’s não seguram”
Enfiava a tarde no colar dos dias memoráveis, que não era demasiado comprido para que pudesse recordar este ou outro dia; esta vista, aquela cidade; para lhes tocar, para os sentir, saboreando, num suspiro, a qualidade que o tornava único.
. A senhora no espelho: uma reflexão
. O fascínio do pequeno lago
O encanto do lago residia no facto de lá terem sido depositados pensamentos por pessoas que haviam partido e sem os seus corpos os seus pensamentos vagueavam por ali livres, cordiais e comunicativos, no fundo comum.
. Três quadros
. Ode parcialmente escrita em prosa ao ver o nome Cutbush sobre um talho de Pentonville
. A duquesa e o joalheiro
. A caçada
. Lappin e Lapinoca
Eram amigos e, ao mesmo tempo, inimigos; ele era o senhor, a senhora era ela: enganavam-se um ao outro, precisavam um do outro, temiam-se reciprocamente, e ambos o sentiam e sabiam todas as vezes que as suas mãos se tocavam assim naquela saleta escura, com a luz branca lá fora, a árvore com seis folhas, o ruído distante da rua e os cofres-fortes atrás.
. O holofote
. O legado
. O símbolo
. A estância balnear
. A velha Mrs.Grey
. A história de Septimus Warren Smith
Gostei mais de uns que de outros, claro, mas Objectos sólidos, Três quadros, A duquesa e o joalheiro (que escrita fabulosa!), Lapin e Lapinova e O legado conseguiram empolgar-me.
Virginia Woolf, uma das mais conceituadas escritoras inglesas do séc. XX - autora do extraordinário romance “Mrs. Dalloway” (1925), divulgado mundialmente pelo filme “As horas”, de Stephen Daldry e baseado na obra homónima de Michael Cunningham -, não ficou conhecida como contista, porém, escreveu algumas das mais delicadas e sublimes pequenas histórias da literatura inglesa.
Nestes vinte e três contos é notável a mestria narrativa, a escrita arrebatadora, a construção psicológica perfeita das personagens e o retrato da vida da época que, de tão rigoroso, permite compreender melhor a vida, o sofrimento e a morte (uma entrada no lago, sem regresso) da escritora.
Coloque este livro na sua lista de prendas do próximo Natal, “mergulhe”, também, nestas belíssimas histórias e descubra o que era a marca na parede… a tal, do primeiro conto.
 
Contos, de Virgina Woolf
Relógio d´Água, 2004
Tradução de Miguel Serras Pereira, Manuela Porto, Clara Rowland e Margarida Vale de Gato
251 págs.

4 comentários:

  1. Boa noite!!!
    Eu me chamo Edilene e gostaria de saber se você tem a o The Legacy traduzido. Se me envie sjedilene@hotmail.com.
    grata....

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá Edilene,
      É um conto extraordinário.
      Vou digitalizar e enviar.
      Abraço.

      Eliminar
  2. Boa tarde
    Me chamo Helton e gostaria de saber se você tem o conto The Legacy de Virginia Woolf traduzido, se sim, peço por gentileza que me envie pelo e-mail que se segue: heltoncmc_ap@hotmail.com
    Att,
    Helton

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá Helton,
      Vou enviar e você vai gostar de ler.

      Eliminar