12 julho, 2013

"Ravelstein" - Saul Bellow

Com a ajuda de Eros vamos caminhando, cada um de nós, em busca da metade que nos falta.
Comecei por ler a sinopse na livraria e fiquei curiosa. Diz assim:
Abe Ravelstein é um brilhante professor de uma das melhores universidades do Midwest e um homem que se gaba de educar os que mexem os cordelinhos do mundo da política.
Viveu sempre à grande e muito acima dos seus meios. O seu íntimo amigo Chick sugeriu-lhe um dia que escrevesse um livro, expondo as suas convicções acerca das ideias que suportam a humanidade, ou a matam e, para grande surpresa de Ravelstein, ele escreve na realidade esse livro e torna-se milionário.
Durante uma viagem a Paris, para comemorar o êxito do revolucionário livro de Ravelstein, luxuosamente instalados no Hotel Crillon, os dois amigos partilham os seus pensamentos acerca da morte, da filosofia e da história, do amor e dos amigos, velhos e novos, e memórias rocambolescas de um passado já remoto. O clima torna-se mais sombrio, depois de ambos terem regressado a Midwest. Ravelstein não resiste à SIDA e o próprio Chick escapa por pouco à morte.
E mais à frente:
Ravelstein… é uma viagem através do amor e da memória. É um livro corajoso, sombrio e desoladamente divertido: uma elegia à amizade e às vidas bem (ou mal) vividas.
Bastou para me convencer.
Já em casa não lhe peguei de imediato, mas quando o fiz…li-o sem parar e quase gastei um lápis, por tanto o sublinhar.
Este excelente romance / biografia (?) é o relato dos últimos dias de vida do professor Abe Ravelstein (ou será, antes, Allan Blooom, judeu, homossexual e amigo de Saul Bellow?).
O narrador é Chick, (ou será antes, Saul Bellow?) seu colega, grande amigo e confidente, a quem ele pede que escreva sobre a sua vida.
Mas que grande Ravelstein…
…ele vivia o amor como sendo possivelmente a mais elevada bênção da humanidade. Uma alma despojada de desejo era uma alma deformada, privada do seu maior bem, ferida e morte.
…ele vivia pelas suas ideias. O seu saber era real, ele podia documentá-lo, capítulo e verso.
… ele não aceitava o vazio e o aborrecimento. Tão pouco a depressão era tolerada. Não pactuava com maus estados de espírito.
…ele estava ciente, de um modo obsessivo, do que era ser soterrado sob as suas faltas e erros. Mas, antes de se afundar, ele descrever-nos-ia a caverna de Platão.
… ele expusera as falhas do sistema do qual fazia parte, o vazio do seu historicismo, a sua permeabilidade ao niilismo europeu.
…ele não era grande conhecedor do que os americanos chamam “as artes visuais.” Os quadros estavam ali porque as paredes tinham sido feitas para as pinturas e as pinturas para as paredes.
… ele era seropositivo, e estava a morrer de complicações afins.
Gostei muito e aconselho a leitura deste magnífico romance.
Mais não posso, aliás, não devo, dizer.
… dos escritores, esperamos que nos façam rir ou chorar.
Saul Bellow fez-me pensar.
Na vida.
 
Ravelstein, de Saul Bellow
Ed. Teorema, 2002
Tradução de Rui Zink
227 págs.

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