26 julho, 2013

"Laços de família" - Clarice Lispector

Se uma pessoa perfeita do planeta Marte descesse e soubesse que as pessoas da Terra se cansavam e envelheciam, teria pena e espanto. Sem entender jamais o que havia de bom em ser gente, em sentir-se cansada, em diariamente falir; só os iniciados compreenderiam essa nuance de vício e refinamento de vida. (A imitação da rosa)
Foi a leitura das crónicas publicadas no Ípsilon, ao longo de nove semanas, que me deram a conhecer Clarice Lispector.
Empolgada por tão belas histórias, corri a comprar “Laços de Família”, o primeiro livro da autora a entrar na minha estante.
Comecei por contar as histórias: treze. Treze histórias de mulheres.
Que bom, pensei.
Parti para a leitura da primeira – Devaneio e embriaguez duma rapariga – e não me deslumbrei.
Avancei para a segunda - Amor – e gostei; mas pouco.
Parecia ter descoberto que tudo era passível de aperfeiçoamento, a cada coisa se emprestaria uma aparência harmoniosa; a vida podia ser feita pela mão do homem. (Amor)
Sem desanimar, procurei o encantamento em - A imitação da rosa - mas não deu.
Seguiram-se as restantes dez, e o arrebatamento não apareceu.
Feliz aniversário – gostei.
A menor mulher do mundo – gostei, muito.
O jantar – gostei, muito, muito.
Preciosidade
Os laços de família
Começos de uma fortuna
Mistério em São Cristóvão
O crime do professor de matemática
O búfalo
Não é fácil ler Clarice Lispector.
A sua escrita é diferente, os personagens das histórias são estranhos, os desfechos mais ainda.
Não ser devorado é o sentimento mais perfeito. Não ser devorado é o objectivo secreto de toda uma vida. (A menor mulher do mundo)
Não me deixei "devorar" por estas histórias, mas vou rele-las para melhor entender a escrita original de uma mulher fenomenal
Laços de família, de Clarice Lispector
Ed. Relógio d’Água
141 págs.

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