14 setembro, 2012

"Os despojos do dia" - Kazuo Ishiguro

 
O que é um “grande” mordomo?
Quem pergunta é Stevens, o digno, responsável e sisudo mordomo, que dedicou a vida a servir grandes cavalheiros.
A resposta, encontramo-la na assombrosa história da sua vida, passada na mansão Darlington Hall e dedicada exclusivamente ao trabalho.
Por sugestão de Mr. Farraday, o novo patrão, Stevens, o narrador deste sensível romance, vai viajar sozinho por uma zona rural de Inglaterra.
Entusiasmado, planeia cuidadosamente a sua primeira viagem, escolhe trajectos para saborear plenamente os muitos esplendores do campo inglês, e decide visitar Miss Kenton, a governanta por quem se apaixonou em silêncio, e que há vinte anos deixou a sua equipa para se casar. Nesse reencontro procurará saber, entre outras coisas, se ela gostaria de voltar a trabalhar em Darlington Hall. A estreita relação profissional que mantiveram permite-lhe antever que será uma agradável conversa. E vai ser...
Nos seis dias da viagem, e numa busca do tempo perdido, Stevens desfia recordações antigas de Darlington Hall: patrões, visitantes ilustres, empregados, conferências secretas, angústias da guerra, comportamentos, descobertas chocantes, alegrias, tristezas, mal-entendidos, silêncios, indecisões, escolhas.
Mas, o tempo passou e agora o que lucramos em nos preocuparmos excessivamente com o que podíamos ou não ter feito para controlar o rumo que a nossa vida tomou?
Nada, e Stevens fará no final uma surpreendente descoberta:
… no gracejar reside a chave para alcançar o calor humano.
Vale a pena ler ou reler.
Recordo que este romance foi adaptado ao cinema por James Ivory e contou com a participação de dois extraordinários actores: Emma Thompson e Anthony Hopkins. Foi um sucesso.
Que extraordinária história de vida !
 
Os despojos do dia, de Kazuo Ishiguro
Gradiva, 1995
Tradução de Fernanda Pinto Rodrigues
208 págs.

2 comentários:

  1. Tenho lido críticas interessantes a este autor.
    Considero a hipótese de o ler.

    Cumps.

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  2. Olá André,
    Parta à descoberta deste autor - não se arrependerá.
    Eu gosto, particularmente, de "Nunca me deixes". É fantástico!
    Bjs.

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