19 dezembro, 2011

Poema de... Mário de Sá-Carneiro

A NOITE DE NATAL
Em a noite de Natal
Alegram-se os pequenitos;
Pois sabem que o bom Jesus
Costuma dar-lhes bonitos.

Vão se deitar os lindinhos
Mas nem dormem de contentes
E somente às dez horas
Adormecem inocentes.

Perguntam logo à criada
Quando acorde de manhã
Se Jesus lhes não deu nada.

– Deu-lhes sim, muitos bonitos.
– Queremo-nos já levantar
Respondem os pequenitos.

Poema de Mário de Sá-Carneiro, Portugal (1890-1916)
Pintura de Jacob Jordaens, Bélgica (1593-1678)

16 dezembro, 2011

Poema de... Manuel Alegre

NATAL
Acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.
Era gente a correr pela música acima.
Uma onda uma festa. Palavras a saltar.

Eram carpas ou mãos. Um soluço uma rima.
Guitarras guitarras. Ou talvez mar.
E acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.

Na tua boca. No teu rosto. No teu corpo acontecia.
No teu ritmo nos teus ritos.
No teu sono nos teus gestos. (Liturgia liturgia).
Nos teus gritos. Nos teus olhos quase aflitos.
E nos silêncios infinitos. Na tua noite e no teu dia.
No teu sol acontecia.

Era um sopro. Era um salmo. (Nostalgia nostalgia).
Todo o tempo num só tempo: andamento
de poesia. Era um susto. Ou sobressalto. E acontecia.
Na cidade lavada pela chuva. Em cada curva
acontecia. E em cada acaso. Como um pouco de água turva
na cidade agitada pelo vento.

Natal Natal (diziam). E acontecia.
Como se fosse na palavra a rosa brava
acontecia. E era Dezembro que floria.
Era um vulcão. E no teu corpo a flor e a lava.
E era na lava a rosa e a palavra.
Todo o tempo num só tempo: nascimento de poesia.

Poema de Manuel Alegre, Portugal (1936-)
Pintura (Holy night), de Carlo Maratta, Itália (1625-1713)

12 dezembro, 2011

"Natal... Natais" - Vasco Graça Moura

Esta antologia reúne oito séculos de poesia em língua portuguesa sobre o Natal. Inicia-se com Afonso X, o Sábio, e termina com Pedro Sena-Lino, poeta que começou a publicar em 2005.
Inclui 202 textos de 130 poetas.
Num único livro encontramos poemas de Fernando Pessoa, Luís de Camões, António Gedeão, Almeida Garrett, António Nobre, José Régio, Gil Vicente e muitos outros poetas conhecidos.
Até José Saramago (Golegã, 1922-2010) nos brindou com um pequeno poema sobre o tema:

NATAL
Nem aqui, nem agora. Vã promessa
Doutro calor e nova descoberta
Se desfaz sob a hora que anoitece.
Brilham lumes no céu? Sempre brilharam.
Dessa velha ilusão desenganemos:
É dia de Natal. Nada acontece.

Mas também encontramos poemas belíssimos de autores menos conhecidos, e até de alguns anónimos.
Seleccionei um poema de Alberto de Serpa (Porto, 1906-1972).

NATAL
Os joelhos em terra,
as mãos erguidas, presas.
E Deus o céu descerra
aos murmúrios que rezas.

Brilham mais as estrelas.
Mais neve o céu derrama.
E, se por fora gelas,
Por dentro és uma chama.

E beija a tua face
o luar que aparece,
como se Deus mandasse
um sim à tua prece.

É, simplesmente, maravilhoso!

08 dezembro, 2011

Desafio nº1: Serão estas as melhores obras literárias de sempre?


Há uns anos atrás li numa revista portuguesa um artigo, que cortei e guardei, sobre as melhores obras literárias de sempre.
O editor americano J. Peder Zane pretendeu encontrar as dez melhores. Dada a subjectividade da matéria, pediu a 125 grandes escritores que lhe indicassem o seu “top-10”. Tudo somado o resultado foi o seguinte:

1. Anna Karenina, de Leão Tolstoi
2. Madame Bovary, de Gustave Flaubert
3. Guerra e Paz, de Leão Tolstoi
4. Lolita, de Vladimir Nabokov
5. As aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain
6. Hamlet, Princípe da Dinamarca, de William Shakespeare
7. O Grande Gatsby, de Scott Fitzgerald
8. À Procura do Tempo Perdido, de Marcel Proust
9. Contos, de Anton Tchekov
10. A vida era assim em Middlemarch, de George Eliot

Desta lista apenas li “Madame Bovary” e “O Grande Gatsby”. E vi o fime "Lolita" (o que não é a mesma coisa). Pouco, muito pouco.
No 2º ano do rol de leituras vou tentar ler mais uma destas grandes obras (grandes também no número de páginas).
Alguém quer acompanhar-me neste desafio?
Se não as lermos, nunca saberemos se são realmente as melhores obras literárias de sempre.
Concordam?

05 dezembro, 2011

"Némesis" - Philip Roth


Acabei de ler o último livro de Philip Roth editado em Portugal.
Divulgarei a minha opinião em Janeiro do próximo ano (que está já ali à esquina...), pois decidi que este mês será um mês diferente no "rol de leituras".
Mas... não resisto a dizer que este "Némesis" me emocionou e assustou.
O tema é aterrador: uma epidemia de poliomielite que no verão de 1944 grassa nos Estados Unidos, o efeito que tem sobre uma comunidade de Newark, coesa e assente nos valores da família, e a luta de Bucky Cantor contra o avanço da doença que lhe vai mudar fatalmente a vida.
O medo castra-nos. O medo degrada-nos.
Philip Roth não deixa de me surpreender.

01 dezembro, 2011

1º Aniversário do "rol de leituras"


E já passaram 12 meses…
O prazer que senti ao iniciar o meu rol de leituras mantém-se inalterável.
Se há um ano gostava de ler, agora gosto de ler e de escrever sobre o que leio.
E gosto de buscar informação sobre livros em outros blogues, e gosto de deixar comentários, e gosto de responder a comentários. Ou seja, gosto do convívio entre seguidores.
Ao longo deste ano li e reli vários livros, que guardei para sempre no meu rol de leituras. A uns, dei nota máxima e depositei-os, também, na estante da minha memória. A outros, guardei-os, simplesmente.
Fiz, também, uma maratona de leitura de todas as obras do meu escritor preferido: Philip Roth. Doeu…
O que vou fazer no próximo ano?
Ler, ler, ler.
E aprender com todos os blogues sobre livros, que visito sempre que possível.
Aceito comentários, sugestões, críticas.... que ajudem a melhorar o segundo ano deste cantinho.
Obrigada a todos os que passaram pelo rol de leituras.