12 dezembro, 2011

"Natal... Natais" - Vasco Graça Moura

Esta antologia reúne oito séculos de poesia em língua portuguesa sobre o Natal. Inicia-se com Afonso X, o Sábio, e termina com Pedro Sena-Lino, poeta que começou a publicar em 2005.
Inclui 202 textos de 130 poetas.
Num único livro encontramos poemas de Fernando Pessoa, Luís de Camões, António Gedeão, Almeida Garrett, António Nobre, José Régio, Gil Vicente e muitos outros poetas conhecidos.
Até José Saramago (Golegã, 1922-2010) nos brindou com um pequeno poema sobre o tema:

NATAL
Nem aqui, nem agora. Vã promessa
Doutro calor e nova descoberta
Se desfaz sob a hora que anoitece.
Brilham lumes no céu? Sempre brilharam.
Dessa velha ilusão desenganemos:
É dia de Natal. Nada acontece.

Mas também encontramos poemas belíssimos de autores menos conhecidos, e até de alguns anónimos.
Seleccionei um poema de Alberto de Serpa (Porto, 1906-1972).

NATAL
Os joelhos em terra,
as mãos erguidas, presas.
E Deus o céu descerra
aos murmúrios que rezas.

Brilham mais as estrelas.
Mais neve o céu derrama.
E, se por fora gelas,
Por dentro és uma chama.

E beija a tua face
o luar que aparece,
como se Deus mandasse
um sim à tua prece.

É, simplesmente, maravilhoso!

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