19 dezembro, 2011

Poema de... Mário de Sá-Carneiro

A NOITE DE NATAL
Em a noite de Natal
Alegram-se os pequenitos;
Pois sabem que o bom Jesus
Costuma dar-lhes bonitos.

Vão se deitar os lindinhos
Mas nem dormem de contentes
E somente às dez horas
Adormecem inocentes.

Perguntam logo à criada
Quando acorde de manhã
Se Jesus lhes não deu nada.

– Deu-lhes sim, muitos bonitos.
– Queremo-nos já levantar
Respondem os pequenitos.

Poema de Mário de Sá-Carneiro, Portugal (1890-1916)
Pintura de Jacob Jordaens, Bélgica (1593-1678)

16 dezembro, 2011

Poema de... Manuel Alegre

NATAL
Acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.
Era gente a correr pela música acima.
Uma onda uma festa. Palavras a saltar.

Eram carpas ou mãos. Um soluço uma rima.
Guitarras guitarras. Ou talvez mar.
E acontecia. No vento. Na chuva. Acontecia.

Na tua boca. No teu rosto. No teu corpo acontecia.
No teu ritmo nos teus ritos.
No teu sono nos teus gestos. (Liturgia liturgia).
Nos teus gritos. Nos teus olhos quase aflitos.
E nos silêncios infinitos. Na tua noite e no teu dia.
No teu sol acontecia.

Era um sopro. Era um salmo. (Nostalgia nostalgia).
Todo o tempo num só tempo: andamento
de poesia. Era um susto. Ou sobressalto. E acontecia.
Na cidade lavada pela chuva. Em cada curva
acontecia. E em cada acaso. Como um pouco de água turva
na cidade agitada pelo vento.

Natal Natal (diziam). E acontecia.
Como se fosse na palavra a rosa brava
acontecia. E era Dezembro que floria.
Era um vulcão. E no teu corpo a flor e a lava.
E era na lava a rosa e a palavra.
Todo o tempo num só tempo: nascimento de poesia.

Poema de Manuel Alegre, Portugal (1936-)
Pintura (Holy night), de Carlo Maratta, Itália (1625-1713)

12 dezembro, 2011

"Natal... Natais" - Vasco Graça Moura

Esta antologia reúne oito séculos de poesia em língua portuguesa sobre o Natal. Inicia-se com Afonso X, o Sábio, e termina com Pedro Sena-Lino, poeta que começou a publicar em 2005.
Inclui 202 textos de 130 poetas.
Num único livro encontramos poemas de Fernando Pessoa, Luís de Camões, António Gedeão, Almeida Garrett, António Nobre, José Régio, Gil Vicente e muitos outros poetas conhecidos.
Até José Saramago (Golegã, 1922-2010) nos brindou com um pequeno poema sobre o tema:

NATAL
Nem aqui, nem agora. Vã promessa
Doutro calor e nova descoberta
Se desfaz sob a hora que anoitece.
Brilham lumes no céu? Sempre brilharam.
Dessa velha ilusão desenganemos:
É dia de Natal. Nada acontece.

Mas também encontramos poemas belíssimos de autores menos conhecidos, e até de alguns anónimos.
Seleccionei um poema de Alberto de Serpa (Porto, 1906-1972).

NATAL
Os joelhos em terra,
as mãos erguidas, presas.
E Deus o céu descerra
aos murmúrios que rezas.

Brilham mais as estrelas.
Mais neve o céu derrama.
E, se por fora gelas,
Por dentro és uma chama.

E beija a tua face
o luar que aparece,
como se Deus mandasse
um sim à tua prece.

É, simplesmente, maravilhoso!

08 dezembro, 2011

Desafio nº1: Serão estas as melhores obras literárias de sempre?


Há uns anos atrás li numa revista portuguesa um artigo, que cortei e guardei, sobre as melhores obras literárias de sempre.
O editor americano J. Peder Zane pretendeu encontrar as dez melhores. Dada a subjectividade da matéria, pediu a 125 grandes escritores que lhe indicassem o seu “top-10”. Tudo somado o resultado foi o seguinte:

1. Anna Karenina, de Leão Tolstoi
2. Madame Bovary, de Gustave Flaubert
3. Guerra e Paz, de Leão Tolstoi
4. Lolita, de Vladimir Nabokov
5. As aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain
6. Hamlet, Princípe da Dinamarca, de William Shakespeare
7. O Grande Gatsby, de Scott Fitzgerald
8. À Procura do Tempo Perdido, de Marcel Proust
9. Contos, de Anton Tchekov
10. A vida era assim em Middlemarch, de George Eliot

Desta lista apenas li “Madame Bovary” e “O Grande Gatsby”. E vi o fime "Lolita" (o que não é a mesma coisa). Pouco, muito pouco.
No 2º ano do rol de leituras vou tentar ler mais uma destas grandes obras (grandes também no número de páginas).
Alguém quer acompanhar-me neste desafio?
Se não as lermos, nunca saberemos se são realmente as melhores obras literárias de sempre.
Concordam?

05 dezembro, 2011

"Némesis" - Philip Roth


Acabei de ler o último livro de Philip Roth editado em Portugal.
Divulgarei a minha opinião em Janeiro do próximo ano (que está já ali à esquina...), pois decidi que este mês será um mês diferente no "rol de leituras".
Mas... não resisto a dizer que este "Némesis" me emocionou e assustou.
O tema é aterrador: uma epidemia de poliomielite que no verão de 1944 grassa nos Estados Unidos, o efeito que tem sobre uma comunidade de Newark, coesa e assente nos valores da família, e a luta de Bucky Cantor contra o avanço da doença que lhe vai mudar fatalmente a vida.
O medo castra-nos. O medo degrada-nos.
Philip Roth não deixa de me surpreender.

01 dezembro, 2011

1º Aniversário do "rol de leituras"


E já passaram 12 meses…
O prazer que senti ao iniciar o meu rol de leituras mantém-se inalterável.
Se há um ano gostava de ler, agora gosto de ler e de escrever sobre o que leio.
E gosto de buscar informação sobre livros em outros blogues, e gosto de deixar comentários, e gosto de responder a comentários. Ou seja, gosto do convívio entre seguidores.
Ao longo deste ano li e reli vários livros, que guardei para sempre no meu rol de leituras. A uns, dei nota máxima e depositei-os, também, na estante da minha memória. A outros, guardei-os, simplesmente.
Fiz, também, uma maratona de leitura de todas as obras do meu escritor preferido: Philip Roth. Doeu…
O que vou fazer no próximo ano?
Ler, ler, ler.
E aprender com todos os blogues sobre livros, que visito sempre que possível.
Aceito comentários, sugestões, críticas.... que ajudem a melhorar o segundo ano deste cantinho.
Obrigada a todos os que passaram pelo rol de leituras.

30 novembro, 2011

Sumário de leituras




Li ou reli em Novembro 2011

. Memorial do convento, de José Saramago
. A pomba, de Patrick Süskind
. O filho de mil homens, de Valter Hugo Mãe
. O retorno, de Dulce Maria Cardoso
. A viagem do elefante, de José Saramago

Dou nota máxima:
. Memorial do convento, de José Saramago

27 novembro, 2011

"A viagem do elefante" - José Saramago

… ó cornaca, que raios vais tu fazer com o elefante a Viena. Provavelmente o mesmo que em Lisboa, nada de importante, respondeu subhro, irão dar-lhe muitas palmas, irá sair muita gente à rua, e depois esquecem-se dele, assim é a lei da vida, triunfo e olvido.
Era uma vez um rei e uma rainha, que no aconchego dos aposentos reais matutavam sobre o que oferecer ao primo Maximiliano, arquiduque de Áustria, futuro imperador.
Depois de muito pensarem eis que a rainha encontra a solução: ofereceremos o Salomão, que há mais de dois anos veio da Índia e, “desde então não tem feito outra coisa que não seja comer e dormir, a dorna da água sempre cheia, forragens aos montões, é como se estivéssemos a sustentar uma besta à argola, e sem esperança de pago”.
Corria o ano de 1551, dão-se as cisões religiosas e o Concílio de Trento, e o rei católico D. João III pensou e decidiu: “Então que vá para Viena”.
É este singelo mas determinante facto histórico, que está na base da narrativa da longa mas extraordinária viagem do paquiderme e do seu tratador, o cornaca Subhro.
Obtida a confirmação de que o arquiduque aceitaria a oferta do rei português, começaram os preparativos para a viagem e...
a partir daí, a poderosa lucidez e imaginação de um Saramago debilitado pela doença, não tem limites.
A odisseia de Salomão tem início dez dias depois. Por caminhos inóspitos, montanhas agrestes e os Alpes frios, “move pesadamente as suas quatro toneladas de carne e osso e os seus três metros de altura”. E pensa.
Creio que na cabeça de salomão o não querer e o não saber se confundem numa grande interrogação sobre o mundo em que o puseram a viver, aliás, penso que nessa interrogação nos encontramos todos, nós e os elefantes.
Em todas as aldeias e cidades o paquiderme é recebido com entusiasmo e Subhro, orgulhosamente sentado nos ombros do animal, está feliz.
… e, num insólito instante de lucidez e relativização, pensou que, bem vistas as coisas, um arquiduque, um rei, um imperador não são mais do que cornacas montados num elefante.
Ainda em terras de Espanha, o cornaca é oficialmente informado de que Salomão, dali em diante passará a chamar-se Solimão e que o seu nome deixará de ser Subhro para ser Fritz.
Desgostou-o a mudança de nome mas, “como sói dizer-se, vão-se os anéis e fiquem os dedos”.
A chegada da comitiva a Génova é triunfal. Subhro ou Fritz, consoante se preferir, depois de trezentas léguas montado em Salomão, está feliz, “bem longe das estreitezas da vida em Portugal, onde, praticamente, o tinham deixado a vegetar durante dois anos no cercado de Belém, vendo partir as naus da índia e ouvindo as cantorias dos frades jerónimos”.
É então, que um padre lhe pede um milagre, “um dos grandes milagres da nossa época”: que Salomão ajoelhe à porta da basílica.
Conseguirá Fritz convencer Solimão a colaborar nessa operação milagrosa?
Finalmente a chegada à Áustria. Assinalava-se o dia de reis do ano de mil quinhentos e cinquenta e dois e a festa foi de arromba.
Salomão, ou Solimão morre dois anos depois, de causas desconhecidas “ainda não era tempo de análises de sangue, radiografias do tórax, endoscopias, ressonâncias magnéticas e outras observações”.
Depois de esfolado cortaram-lhe as patas dianteiras para que “servissem de recipientes, à entrada do palácio, para depositar as bengalas, os bastões, os guarda-chuvas e as sombrinhas de verão”.
Entre falar e calar, um elefante sempre preferirá o silêncio...
Que bem me soube reler este romance, ou conto, tanto faz (uma combinação de personagens reais e inventadas, um olhar irónico e implacável sobre a natureza humana), escrito dez anos após a atribuição do Prémio Nobel.
Viva Saramago!

A viagem do elefante, de José Saramago
Caminho, 2008
258  págs.

23 novembro, 2011

"O retorno" - Dulce Maria Cardoso

Descemos as escadas do avião e a minha irmã disse, estamos na metrópole. Não sabíamos o que havíamos de fazer. Foi esquisito pisar na metrópole, era como se estivéssemos a entrar no mapa que estava pendurado na sala de aula.
Corria o ano de 1975, Portugal vivia em pleno processo revolucionário e assistia ao ruir do império.
Em poucos meses, mais de meio milhão de portugueses foram forçados a abandonar as colónias e a regressar à metrópole. Eram os “retornados”.
Este fantástico romance de Dulce Maria Cardoso é o relato emocionado do retorno à metrópole de uma família que vive em Luanda, onde o pai tem um negócio de transportes. O pai que “foi para África para fintar a pobreza”. O pai que “sempre tratou bem dos pretos”. O pai que não vem com eles para a metrópole. Porquê?
Conhecemos a família quando a mãe doente, que não gosta de sol nem de sal só de rosas, escreve com canela no arroz doce as iniciais dos seus nomes: R de Rui, L de Lurdes (a irmã mais velha), M de Mário e G de Glória.
Depois, é o Rui, adolescente de 15 anos que, sob a forma de monólogo, relata de forma minuciosa os últimos dias da família em Luanda, a “fuga” para a metrópole, e os longos e desesperantes meses passados num hotel virado para o mar.
O mar da metrópole é tão azul como o mar era lá, um mar quase igual, talvez um bocado mais pequeno.
O realismo da vida no hotel, onde se amontoam centenas de pessoas, que sabem que tem de se manter unidas porque “os de cá ainda gostam menos de nós do que os pretos” é comovente. Viver no hotel de cinco estrelas era horrível para um rapazinho, mas mais horrível era o medo de ser posto fora do hotel.
… no hotel não há ninguém que não tenha medo. Todos tentam disfarçar, disfarçam tanto que a sala de convívio ou a da televisão chegam a parecer uma festa. Mas é uma festa de gente triste. Agora então que o verão acabou acho que a tristeza da metrópole entra em nós como se fosse o ar que respiramos. E o frio.
Poupam, mas os vinte contos que trouxeram estão a acabar. Encontram ajuda em bichas que vão dar ao IARN e na penhora das jóias da mãe.
No IARN (Instituto de Apoio ao Retorno dos Nacionais) estavam retornados de todos os cantos do império, o império estava ali, naquela sala, um império cansado, a precisar de casa e de comida, um império derrotado e humilhado, um império de que ninguém queria saber.
Os meses passam e Rui volta à escola, faz amizades, descobre a sexualidade, anda com más companhias, aprende a tomar conta da mãe e da irmã, espera pela chegada do pai, reinventa a esperança.
No hotel há também muita gente de Moçambique.
Às vezes os de Angola e os de Moçambique desentendem-se acerca de qual era a melhor colónia. Não consigo perceber porque é que discutem tanto qual era a melhor colónia se já perdemos as duas.

A leitura deste livro levou-me à arca de memórias onde guardo a história do meu retorno à metrópole, em Março de 1975. Eu vim de Moçambique. Felizmente tinha à minha espera uns sogros maravilhosos, uma casa quentinha e muito amor. Felizmente, não vivi a dor que a autora deste livro viveu.
Obrigada, Dulce Maria Cardoso, pelo seu extraordinário testemunho. Finalmente alguém teve a coragem de mostrar aos portugueses da metrópole, que nem tudo foi fácil para os retornados.
Hoje sabemos que foi a coragem, a força e a determinação dessa gente que ajudou a mudar mentalidades, numa metrópole tacanha, cinzenta e triste.
Em mim, em si, África estará sempre presente mas cada vez mais longe.

O retorno, de Dulce Maria Cardoso
Tinta-da-China, 2011
267 págs.

22 novembro, 2011

Poema de... David Mourão-Ferreira

TERNURA
Desvio dos teus ombros o lençol,
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do sol,
quando depois do sol não vem mais nada…

Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
onde uma tempestade sobreveio…

Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo…

Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!

Poema de David Mourão-Ferreira, Portugal (1927-1996)
Pintura (A sesta 1939) de Almada Negreiros,  Portugal (1893-1970)

18 novembro, 2011

"O filho de mil homens" - Valter Hugo Mãe

Quem tem menos medo de sofrer, tem maiores possibilidades de ser feliz.
Com a leitura deste romance descobri Valter Hugo Mãe, portanto, não conheço a sua fase das minúsculas.
Sem saber, comecei pelo “novo ciclo na sua criação literária” e pelo primeiro de três livros que o autor irá dedicar à família e aos afectos, temas que me agradam sobremaneira.
Para ser feliz é preciso aceitar ser o que se pode, nunca deixando de acreditar que é possível estar e ser sempre melhor.
São várias as personagens - fortes e credíveis – deste quinto romance (ou história de encantar?) do autor, que buscam a felicidade.
 No centro da trama está Crisóstomo, pescador, sozinho, que “chegou aos quarenta anos e assumiu a tristeza de não ter um filho”. Um dia saiu à rua e disse a toda a gente que era um pai à procura de um filho.
Esse filho apareceu. Era um rapaz de catorze anos, “carregado de ausências e silêncios”, e chamava-se Camilo.
Camilo é filho de uma anã (gostei particularmente do capítulo dedicado a esta personagem) que morreu assim que o menino nasceu. O nome do pai é um mistério.
Isaura, uma camponesa “enganada” por um vizinho, que faz um casamento de faz-de-conta com um homem maricas, chamado Antonino.
Crisóstomo, “que ganhava amor pelas pessoas por grandeza”, apaixona-se por Isaura, “uma mulher enjeitada e diminuída”, e tem a certeza de que os dois vão ser felizes para sempre.
Antonino disse à mulher “que amasse pelos dois o pescador, que dele cuidasse como quem cuidava do importante destino do mundo”.
Depois há Matilde, a mãe que rejeita o homem maricas, Maria, a alterada mãe de Isaura, e Rosinha, a caseira de Matilde, que casa com um velho que tem uma galinha gigante.
Apesar do final feliz e da sensibilidade da escrita, este romance não me entusiasmou.
De qualquer modo, vou voltar a este autor.

O filho de mil homens, de Valter Hugo Mãe
Alfaguara, 2011
258 págs.

15 novembro, 2011

Pétalas de sabedoria...


Um arqueólogo é o melhor marido que uma mulher pode ter – quanto mais ela envelhece, mais interessado ele fica.


Agatha Christie
Escritora britânica (1890-1976)

12 novembro, 2011

"O retorno" - Dulce Maria Cardoso

Comprei ontem este novo livro de Dulce Maria Cardoso.
Pelo que já li e ouvi sobre o livro, trata-se do relato do retorno a Portugal, em 1975, de portugueses que viviam em Angola, de entre os quais a própria autora, ainda criança.
Estou curiossissima, porque também eu abandonei Moçambique, em Março de 1975, com destino a Lisboa.
Vim com o meu marido e um filho de 4 meses, ainda no aconchego da minha barriga.
No aeroporto de Lisboa esperavam-me quatro rostos que conhecia de fotografias: os meus sogros e os meus cunhados.
Nesta cidade cinzenta e fria não tinha um amigo, um conhecido.
Os meses passavam e as lágrimas não paravam de cair, até que em Agosto nasce o meu filhote.
Sozinha com ele, aprendi a ser mãe, reaprendi a ter esperança e deixei de chorar.
Dois anos depois os meus pais e a minha irmã também regressaram. Finalmente a família estava reunida. Havia que guardar memórias num cantinho especial do coração e seguir em frente.
Foi o que fiz!

11 novembro, 2011

"A pomba" - Patrick Süskind

Meu Deus, meus Deus, porque me abandonaste? Porque me castigas assim? Pai nosso, que estás no céu, salva-me desta pomba. Ámen!
Quando se fala de Patrick Süskind pensamos logo no primeiro livro do autor “O perfume”, publicado em 1985.
Há alguém que ainda não tenha lido este romance de culto? Não acredito!
Dois anos depois o autor publicou uma pequena, pequenina maravilha: “A pomba”, uma novela com 89 páginas.
Só a li em 1996. Li e não mais esqueci.
Quando lhe aconteceu isto da pomba, que de um dia para o outro mudou radicalmente a sua existência, já Jonathan Noel estava com mais de cinquenta anos, havia uns bons vinte anos que levava uma vida igual e sem incidentes…pois não gostava de acontecimentos e detestava em particular aqueles que lhe abalavam o equilíbrio interior e perturbavam a ordem externa da vida.
Jonathan trabalha como guarda num banco, em Paris, e vive num quarto minúsculo sem grandes comodidades.
Aquele quartinho é o refúgio seguro onde se abriga das desagradáveis surpresas da vida, a sua ilha segura no mundo inseguro.
Jonathan partilha a sua monótona existência entre o seu quarto e o banco onde trabalha: às oito e quinze em ponto está à porta do banco;  às dezassete e trinta sai, compra o jantar e corre para o seu refúgio. É feliz.
A vida decorre sem incidentes, até que, numa sexta-feira, ao abrir a porta do quarto vê, a menos de vinte centímetros da soleira, uma pomba ferida.
Jonathan apanha um susto de morte, que  durante alguns segundos o deixa petrificado, incapaz de avançar ou retroceder.
O que fazer?
O caos instala-se, quando um simples pássaro ferido põe à mostra a miséria da sua existência.
Maravilhoso!

A Pomba, de Patrick Süskind
Presença, 1987
Tradução de Teresa Balté
89 págs.

08 novembro, 2011

Poema de... Sophia de Mello Breyner Andresen

NOVEMBRO
A respiração de Novembro verde e fria
Incha os cedros azuis e as trepadeiras
E o vento inquieta com longínquos desastres
A folhagem cerrada das roseiras

Poema de Sophia de Mello Breyner Andresen, Portugal (1919-2004)
Pintura (The olive trees 1889) de Vincent van Gogh , Países Baixos (1853-1890)

04 novembro, 2011

"Memorial do convento" - José Saramago


Era uma vez um rei que fez promessa de levantar um convento em Mafra. Era uma vez a gente que construiu esse convento. Era uma vez um soldado maneta e uma mulher que tinha poderes. Era uma vez um padre que queria voar e morreu doido. Era uma vez.
Já tudo foi dito e escrito sobre este extraordinário romance de José Saramago, galardoado com o Nobel da Literatura, em 1998.
Então, porque referi-me agora a este livro?
Porque sinto que falhei ao não falar de Saramago ao longo de quase um ano de existência do rol de leituras e está na altura de remediar o meu erro.
Comprei e li este livro, corria o ano de 1989. Era um livro adorado por muitos, mas também odiado por alguns. Para isso contribui a escrita de Saramago, que, a meu ver, primeiro se estranha mas depois se entranha.
Ao longo das cinquenta primeiras páginas estive para desistir por diversas vezes.
Teimosa, continuei, e ainda bem que o fiz pois a partir daí a leitura deste livro foi um deslumbramento, um sonho que vivi levada pela mão de um escritor MAIOR.
Se você ainda não leu Saramago, considero que este é o romance por onde deve começar. No final rejubilará de prazer e correrá em busca de todos os outros livros do autor.
Deixe-se levar pelo sonho, à descoberta do nome maior da nossa literatura.
Vai aperceber-se que os seus livros se lêem compulsivamente e não se esquecem.
É a minha opinião, claro!
Deste romance, recordo-me amiudadas vezes do amor de Baltazar Sete-Sóis (o maneta) por Blimunda Sete-Luas (a vidente que guardava vontades em frascos de vidro) e do sonho do padre Bartolomeu Lourenço, que queria voar.
Além da conversa das mulheres, são os sonhos que seguram o mundo na sua órbita.
Corram a ler, deixem-se levar pelo sonho e deslumbrem-se.
Viva Saramago!

Memorial do convento, de José Saramago
Caminho, 1989
357 págs.

01 novembro, 2011

Pétalas de sabedoria...


Adopte o ritmo da natureza.
O segredo dela é a paciência.



Ralph Waldo Emerson
Escritor norte-americano (1803-1882)

31 outubro, 2011

Sumário de leituras...





Li ou reli em Outubro 2011
. C, de Tom McCarthy
. A estrada, de Cormac McCarthy
. Travessuras da menina má, de Mario Vargas Llosa



Dou nota máxima
. A estrada, de Cormac McCarthy

28 outubro, 2011

"Emprestadar" livros...

Tinha eu 12 anos, a Nina tornou-se a minha melhor amiga. Éramos da mesma idade. Andávamos na mesma escola. Vivíamos no mesmo prédio. Éramos inseparáveis.
A Iolanda, irmã da Nina, tinha mais dez anos que nós. Naquela altura dez anos de diferença, fazia mesmo uma grande diferença. A Iolanda já trabalhava, nós estudávamos. A Iolanda já namorava, nós devorávamos cinema, coleccionávamos cadernetas de cromos, líamos fotonovelas e ouvíamos vezes sem conta as canções meladas da época.
Teria eu dezoito anos, a Iolanda, agora mãe solteira de um lindo menino loiro, adoptado por todos os vizinhos, deixou a casa dos pais e foi viver sozinha para um apartamento pequeno, lindo e perto de nós.
Adorava ir a casa dela. Era arrumada, confortável, bem decorada e… tinha muitos livros.
Naquela altura eu já tinha largado as fotonovelas (ou fui obrigada?!) e lia fogosamente tudo o que me aparecia à frente. Recordo que encomendava livros a livrarias da Metrópole e que os recebia muitos dias depois pelo correio. Era uma alegria abrir aqueles embrulhos - previamente vistoriados pela polícia política - tirar os livros com o maior cuidado, cheirá-los, desfolhá-los, assiná-los e devorá-los, literalmente, mas com alguma calma porque a próxima remessa tardaria a chegar.
Ora bem, voltando à Iolanda, recordo o dia em que sentada num sofá da sua sala, olhando, remirando e mexendo nos seus livros, lhe pedi para me emprestar "A Cidade e as Serras", de Eça de Queirós, e ela respondeu sem qualquer hesitação.
- Não! Podes ler aqui esse livro e todos os outros, levares é que não.
Emudeci estupefacta. Poisei o livro e saí.
Durante muito tempo não fui a casa dela. Acabei por esquecer, e continuámos amigas. Não deixei que um livro nos separasse, mas não voltei a pedir-lhe nenhum. Nem li nada lá em casa.
A partir de dada altura os livros tornaram-se os meus amigos silenciosos e disponíveis e foi quando entendi a atitude da Iolanda.
Passei a assiná-los, a anotar o mês e o ano da leitura, a sublinhar frases, a fazer anotações nas margens, enfim, deixaram de ser do autor e passaram a ser meus.
Ainda não consigo dizer NÃO quando me pedem para emprestar um livro, e isso deixa-me furiosa.
Certamente que na estante da Iolanda não faltam livros. Na minha faltam vários, que emprestei e nunca mais recebi de volta.
Sei o nome de todos eles, e são bastantes. Sei com quem estão. Sei também que nunca os conseguirei pedir de volta. Falta-me a determinação da Iolanda.
Há uns anos atrás a minha filha emprestou, sem eu saber, um livro meu a um amigo dela. Quando dei pela falta d’ “O Perfume”, de Patrick Süskind, fiz uma cena danada e exigi que ela pedisse a devolução urgente do livro. Passaram-se meses, passaram-se anos e ela não aparecia com o livro. Perdi-o para sempre, pensava eu.
Ela, tal como eu, lamentavelmente, não conseguia pedir o livro ao amigo e, para me calar, comprou-me um livro novo.
Calei-me, mas voltei a lembrar-lhe que não emprestasse livros dela e muito menos meus.
Hoje, olho para “O Perfume” e não o reconheço como meu. Falta-lhe tudo lá dentro.
Recordo o meu livro e assusta-me pensar que ele está dentro de outra casa que não a minha, a ser manuseado por outras mãos que não as minhas, a ser lido segundo o fio condutor das minhas anotações.
Dói muito, “emprestadar” livros!

25 outubro, 2011

Poema de... Antero de Quental

À  GUITARRA
Três cordas tem a guitarra,
Uma d’ouro, outra de prata…
Á terceira, que é de ferro,
Todos lhe chamam ingrata.

Ninguém faça ramalhetes
Com flores que hão-de murchar…
Ninguém tenha cordas d’ouro,
Se as não quer ver estalar!

Aprendam todos comigo
O que pode acontecer
A quem canta os seus amores
Num cabelo de mulher…

Das três cordas da guitarra
Só a terceira dá ais…
Bastou-me um amor na vida,
Um só amor e nada mais!

Quadras de Antero de Quental, Portugal (1842-1891)
Pintura (Velho guitarrista cego 1903) de Pablo Picasso, Espanha (1881-1973)

21 outubro, 2011

"Travessuras da menina má" - Mario Vargas Llosa

Este foi o primeiro romance que li de Mario Vargas Llosa, escritor peruano premiado em 2010 com o Nobel da Literatura.
Não me fascinou, por aí além.
Talvez não tenha feito a escolha certa para ir à descoberta de Llosa, autor de uma variada obra.
Não sei.
Aconteceram coisas extraordinárias naquele verão de 1950.
Mas o facto mais notável foi a chegada a Miraflores (Peru), de duas irmãs, vinda de Santiago (Chile). A mais velha chamava-se Lily, teria catorze ou quinze anos, dançava com um ritmo agradável e muita graça, sorrindo e cantarolando a letra da canção. Apaixonei-me como um bezerro, a forma mais romântica de uma pessoa se apaixonar.
Eu pedia a Deus um desejo, que fossemos namorados, nos amássemos, passássemos a noivos e nos casássemos e acabássemos em Paris ricos e felizes.
Mas não foi bem assim que aconteceu.
No final do verão, Ricardo descobre que Lily e a irmã mentiram, intrujaram, inventaram e desapareceram.
Ricardo Somocurcio, narrador e personagem principal deste romance, desde que tinha o uso da razão que sonhava viver em Paris.
Os tios, que substituíram os seus pais mortos por atropelamento tinha ele dez anos, incentivam-no a partir.
Em Paris vivia-se a febre da revolução Cubana, com jovens a chegarem dos cinco continentes.
Ricardo integra o grupo que prepara a revolução peruana e conhece a camarada Arlette (ou Lily a falsa chileninha?). Nele renasce a paixão do verão de 1950, nela  a indiferença.
Três anos depois, já a trabalhar como tradutor-intérprete, Ricardo encontra a camarada Arlete (ou Lily?), agora como Madame Robert Arnoux, casada com um diplomata francês.
Ele – o Ricardito, o menino bom (é assim que ela o chama) - continua apaixonado.
Ela – a menina má (é assim que ele a chama) - vê nele um borra-botas, nada mais.
Vivem fogosos encontros apaixonados, até que ela… desaparece.
Volta a encontrá-la quatro anos mais tarde, agora como Mrs. Richardson.
Ele ama-a cada vez mais. Ela conta mais mentiras que verdades e… volta a desaparecer.
O próximo encontro é no Japão, era ela uma advogada “japonesinha”, secretária de um perverso e mafioso homem de negócios.
Ele continua apaixonado, ela entrega-se mas a seguir... afasta-o.
São 40 longos anos de encontros e desencontros, com momentos de amor, de amizade, de desejo, de paixão, de egoísmo, de humor, de mentira, de dor, de tragédia, de obsessão e perversão.
… estava havia muitos anos apaixonado por uma mulher que aparecia e desaparecia na minha vida como um fogo-fátuo, inflamando-a de felicidade por curtos períodos, e, depois, deixando-a seca, estéril…
Qual será o verdadeiro rosto do amor?

Travessuras da menina má, de Mario Vargas Llosa
D. Quixote, 2006
Tradução de J. Teixeira de Aguilar
375 págs.

18 outubro, 2011

Pétalas de sabedoria...


Os meus livros são como água; os dos grandes génios são vinho.
Felizmente toda a gente bebe água.


Mark Twain
Escritor norte-americano (1835-1910)

14 outubro, 2011

"A estrada" - Cormac McCarthy

Está tudo bem contigo?, perguntou. O rapaz fez que sim com a cabeça. E então puseram-se os dois a caminhar no asfalto sob a luz metálica, cinzento-azulada, a arrastar os pés na cinza, e cada qual era o mundo inteiro do outro.
Um pai e um filho – personagens sem nome - caminham sozinhos pelas estradas de uma América devastada. Dirigem-se para sul e o seu destino é a costa, embora não saibam o que os espera, ou se algo os espera. A paisagem devastada pelas chamas é estéril, silenciosa e maléfica. Nada possuem, apenas uma pistola para se defenderem dos bandidos que assaltam a estrada, as roupas que trazem vestidas, comida que vão encontrando – e um ao outro.
O que é que disseste, papá?
Nada. Está tudo bem. Dorme.
Vai correr tudo bem, não vai papá?
Vai, sim.
E não nos vai acontecer mal nenhum, pois não?
Claro que não.
Porque nós transportamos o fogo.
Sim. Porque nós transportamos o fogo.
A Estrada é o relato dramático e comovente da luta do bem contra o mal, do melhor e do pior da natureza humana: a destruição última, a persistência desesperada e o afecto que mantém duas pessoas vivas enfrentando a devastação total.
Não vejo nada.
Eu sei. Vamos ter de dar um passo de cada vez.
Está bem.
Não me largues a mão.
Está bem.
Aconteça o que acontecer.
Aconteça o que acontecer.
Os diálogos entre pai e filho são simplesmente FABULOSOS!

Ler ou reler (a primeira leitura deste livro foi em 2007) Cormac McCarthy é sempre um ENORME prazer.
Descobri este autor quando li “Meridiano de sangue”. Livro duríssimo. Foram várias as vezes em que fechei o livro e me interroguei se deveria ou não continuar a ler tanta, mas mesmo tanta, violência. Seria um livro só para homens? Teimosa e curiosa não desisti e foi assim que descobri o meu segundo autor estrangeiro preferido.
Depois li “Este país não é para velhos” e tornei-me fã incondicional do autor.
Seguiu-se "Suttree" e a admiração pelo autor cresceu desmesuradamente.
Preparo-me para devorar “Nas trevas exteriores” o último livro editado por cá e "O guarda do pomar" que há já vários meses me olham da estante ansiosos por eu os desfolhar.
Sei que não me vão desiludir. Vão sim, assustar e maravilhar – como sempre!

A estrada, de Cormac  McCarthy
Relógio d'Água, 2007
Tradução de Paulo Faria
187 págs.

11 outubro, 2011

Poema de... Florbela Espanca

LÁGRIMAS OCULTAS
Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...

E a minha triste boca dolorida
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!

E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...

E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!

Poema de Florbela Espanca, Portugal (1894-1930)
Pintura (Femme aux bras croisés 1902) de Pablo Picasso, Espanha (1881-1973)

07 outubro, 2011

"C" - Tom McCarthy

Ao respirar, vivemos; ao falar, comungamos do sublime. Nas nossas conversas uns com os outros – quando ouvimos e respondemos – criamos as nossas ligações: amizades, inimizades e amores.
Ao longo de 395 páginas, repartidas por quatro capítulos, Cde Carbon: o elemento básico da vida - dá-nos a conhecer a fantástica mas curta vida de Serge Carrefax (1898-1922), uma vida marcada pelos mistérios da comunicação, num período em que o mundo passa por grandes mudanças e tragédias.
Coifa – o 1º capítulo, descreve a infância de Serge em Versoie, na província inglesa, num ambiente familiar único: o pai é um homem fascinado pelas experiências com as comunicações sem fio, que ao mesmo tempo dirige uma escola para crianças surdas; a mãe é responsável pela produção de seda; a irmã, com quem ele tem uma relação que o marcará para toda a vida, domina a química, a botânica e a criptografia.
Após a morte estranha da irmã, Serge deixa a casa da família e busca numa estância termal remédio para os seus problemas de saúde.
Chuto – o 2º capítulo, o eclodir da I Guerra Mundial leva Serge a ingressar na Academia da Força Aérea. Vai pilotar um avião que ao sobrevoar o lado alemão emite sinais codificados que guiarão as bombas inglesas para os alvos inimigos. Descobre a cocaína e começa a andar permanentemente dopado.
Colisão – o 3º capítulo, a guerra acaba e Serge viaja compulsivamente entre Versoie e Londres, como se ao ”andar bastante de um lado para o outro o mundo se arrumasse à sua volta”. Em Londres estuda arquitectura, trabalha no Ministério das Comunicações e “perde-se” em sessões de espiritismo e nos prazeres do sexo e das drogas.
Chamada – o 4º capítulo, Serge parte para a derradeira aventura no Egipto. Sempre ligado às comunicações é convidado para colaborar na montagem da rede de comunicações sem fios do Império Britânico. Morre em 1922, o ano da fundação da BBC.
Tom McCarthy, considerado “uma das vozes mais originais da sua geração”, não me entusiasmou.
Achei a sua escrita inteligente mas demasiado descritiva, explicativa e até repetitiva.
Achei, também, que este é um livro super colorido. Veja abaixo como cheguei a esta conclusão.

C, de Tom McCarthy
Editorial Presença, 2011
Tradução de Maria João da Rocha Afonso
395 págs.

"C" - Tom McCarthy (curiosidades)

Apercebi-me, logo na primeira página do livro, que o autor usava e abusava das cores: pássaros negros, mala castanha, aparelho… preto, papel amarelo, frutos brancos entre folhagem verde e vermelha
A partir daí fui anotando as cores que iam aparecendo ao longo do texto e o resultado foi este:


Cor
1º Capítulo
2º Capítulo
3º Capítulo
4º Capítulo
Total
negro
22
14
2
22
60
preto
7
3
3
3
16
amarelo
5
10
2
1
18
laranja
4
5

1
10
cinzento
7
2
1
1
11
branco
18
16
4
10
48
encarnado
1


1
2
verde
8
7
3
3
21
azul
14
7
4
4
29
vermelho
17
15
5
3
40
dourado
3
1

1
5
roxo
2


1
3
prateado
2


1
3
castanho
9
10

1
20
carmesim
3


2
5
lilás

1


1
violeta

1


1
púrpura



1
1
rosa



1
1

Certamente que deixei passar muitas outras, mas estas bastam para eu dizer que cor é coisa que não falta a este livro de Tom McCarthy.
Que me desculpe o autor esta brincadeira.